março 17, 2007

Terça-feia

Terça-feira era um dia triste para ela. Terça feia!, sempre pensava. Para segunda-feira, preparava-se psicologicamente, mas terça era a confirmação de que a semana começara com toda força.

Deitada em sua cama, ao lado do despertador histérico, sonhava com aquele samba: "eu faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã". Não sabia se preguiçosa ou se covarde, mas terrível era acordar terça-feira de manhã cedo.

Se cinzento o céu, então!, aí não havia como! Puxava o cobertor fofo e quentinho, enfiava a cabeça no travesseiro e... nem pensava no trabalho. Depois, depois.

"Patrão, o trem atrasou, por isso estou chegando agora. Trago aqui o memorando da Central. O trem atrasou meia hora. O senhor não tem razão para me mandar embora", diria.

Melhor era o mundo do sonho! Melhor era curtir um sambinha! Melhor era não precisar acordar na hora certo!

Ao menos, nas terças-feiras...

"Sonho meu!", suspirou. E levantou, sacudindo a poeira.

março 04, 2007

Papai

http://www.youtube.com/watch?v=8QXfFhe1d28
Seria uma vez...

Quando era criança, eu teria uma casa muito linda. Branquinha e de telhado vermelho como nos sonhos clássicos. Uma rede balançaria na varanda. Eu seria independente. Trabalharia no que eu gostava. Teria um marido lindo, carinhoso e compreensivo. No futuro, teria um casal de filhos. Numas longas férias, eu moraria com toda família num barco confortável e conheceria o mundo todo. Faria muitos amigos e falaria, pelo menos, cinco idiomas. Quando eu era criança, eu seria assim.
.

março 01, 2007

Um pouco de Nietzsche

- Existe uma inocência da admiração: a daquele ao qual ainda não ocorreu que pode vir a ser admirado um dia.

- Como? Um grande homem? Consigo ver apenas o ator de seu próprio ideal.

- Não existem fenômenos morais, apenas uma interpretação moral dos fenômenos.

fevereiro 11, 2007

Perdidos


A dor une a humanidade? Acho que hoje mais do que a dor, a solidão. A solidão acompanhada, como a mostrada em Encontros e Desencontros, é cada vez mais comum. Será esse nosso futuro?

A gente vive, procura novas experiências, se joga, é independente. Mas ser independente é bom? Eu prefiro depender de um sentimento.

É impossível ser feliz sozinho.
Chefão

Comprei a caixa com os três filmes do Godfather. Não lembrava como os filmes são poderosos, bem filmados, têm grandes atores e música maravilhosa. Tudo perfeitamente encaixado. Muito bem pensado. Vou assistir de novo!
Melancólica

Acho que tenho uma personalidade meio melancólica. Comprei um CD de samba e em vez de ouvir sambas alegres, que são maioria, fico repetidamente ouvindo músicas como A Flor e o Espinho.

Acho linda...

Não há mal em cultuar um pouco a tristeza.

fevereiro 06, 2007

Tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor.

fevereiro 04, 2007

Samba é tudo de bom

Um pouco de Cartola. Triste, mas alegra o dia. :)

O mundo é um moinho
Cartola

Ainda é cedo amor,
mal começaste a conhecer a vida,
já anuncias a hora da partida,
sem saber mesmo o rumo que irás tomar.

Presta atenção querida,
embora eu saiba que estás resolvida,
em cada esquina cai um pouco a tua vida,
em pouco tempo não serás mais o que és.

Ouça-me bem amor, preste atenção,
o mundo é um moinho,
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,
vai reduzir as ilusões à pó.

Presta atenção querida,
de cada amor tu herdarás só o cinismo,
quando notares estás a beira do abismo,
abismo que cavaste com teus pés.

Ainda é cedo amor,
mal começaste a conhecer a vida,
já anuncias a hora de partida,
sem saber mesmo o rumo que irás tomar.

Presta atenção querida,
embora eu saiba que estás resolvida,
em cada esquina cai um pouco a tua vida,
e em pouco tempo não serás mais o que és.

Ouça me bem amor,
presta atenção o mundo é um moinho,
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,
vai reduzir as ilusões a pó.

Presta atenção querida,
de cada amor tu herdarás só o cinismo,
quando notares estás a beira do abismo,
abismo que cavaste com teus pés.
Poemas tristes

Tabacaria é uma das grandes poesias da língua portuguesa. E um retrato do que não quero para mim.

Um trechinho para dar o gosto.

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

(Álvaro de Campos)

fevereiro 03, 2007

Confusões

Não comandamos nossos sentimentos. Não sabemos quando vamos sentir desejo, repulsa, ódio, amor...

Podemos às vezes tentar manipulá-los um pouco. Mas a verdade é que o sentimento original está sempre lá, disfarçado, distorcido.

As falsas proteções que criamos, em geral, trazem dores ainda maiores. Transformam-se em mostrengos internos. Criam atitudes “defensivas”, quase por reflexo, que nem nós mesmos entendemos.

Complica mais ainda saber que a busca do auto-conhecimento tem que destruir, ou ao menos ultrapassar, todas essas distorções. E que muitas vezes não as conhecemos.

Não sei o que é mais complicado: eu ou o mundo.

janeiro 27, 2007

Tardinha
A tardinha passou voando. Um papo gostoso, muitas risadas. Cervejinha, vinhozinho, muita besteira.

Adoro passar a tarde com as amigas.

dezembro 29, 2006

O velho ditado

Escolhas, escolhas, escolhas... Há algo mais clichê do que "a vida é feita de escolhas"?

Mas o pior é perceber na prática quando se fez uma escolha errada. Hoje, por exemplo, não deveria estar em Itaipu. Decisão totalmente errada, impulsiva, burra, pode-se dizer.

Mas o pior é perceber que não tiro nenhuma lição disso. Não há o "pelo menos", o lado bom, o aprendizado. Algo me diz que vou continuar fazendo escolhas erradas por muito tempo na minha vida.

Mas às vezes acerto.

Mas...

dezembro 18, 2006

Eu quero um samba
(Haroldo Barbosa e Janet de Almeida)

Eu quero um samba feito só pra mim
Eu quero a melodia feita assim
Quero sambar
porque no samba eu sei que vou
A noite inteira até o sol raiar

Ah! Quando o samba acaba,
eu fico triste então
Vai melancolia, eu quero alegria
dentro do meu coração

Ah! Quando o samba acaba,
eu fico triste então
Vai melancolia,
eu quero alegria
dentro do meu coração

Eu quero um samba feito,
um samba feito só pra mim
Eu quero a melodia feita assim
Quero sambar
porque no samba eu sei que vou
A noite inteira até o sol raiar

dezembro 10, 2006

Dia e noite, noite e dia

Tarde da noite. Aquela luminosidade que apenas as madrugadas têm inquietava os olhos e animava o coração. Tudo ficava claro, simples, sem obstáculos. Pelo menos, até a manhã posterior.

Dia. Era impressionante como a luminosidade do sol do meio-dia ofuscava a visão. Dúvidas, intrigas, incertezas, culpas. Tudo aparecia pela manhã.

dezembro 05, 2006

O (maldito) desejo

A difícil arte de conciliar o querer e o poder. Ou melhor, o querer e o fazer. O desejo às vezes é imenso, mas o medo pode ser maior. Até que ponto o medo é proteção, segurança e até que ponto é burrice, limitação?

Desejar mergulhar em um mundo e ficar apenas na beiradinha, apreciando de longe, com uma certa inveja de quem está lá dentro, pode ser um sofrimento indescritível. Será maior do que o sofrimento da frustração?

Ou será que o planejamento-a-longo-prazo dá certo?

A vida é uma só. Não há tanto tempo para esperar a resposta certa.

outubro 29, 2006

Do verde para o colorido

O tempo passa, a gente amadurece. Parece uma coisa assim pretensiosa e talvez seja. Pode ser que amanhã olhe para trás e pense: como era boba. E sou. Mas menos. É aos poucos mesmo.

Amadurecer. Quando eu era criança ouvia essa palavra e já associava: gente madura, gente chata!

Descobri que é o contrário. Gente madura deixa de ser chata. E curte o que há de melhor na vida.

agosto 31, 2006

Morfeu

Sono. Os olhos fecham apesar da luminosidade e dos ruídos constantes à sua volta. Mas ela nem sente. Ouve umas palavras soltas, que pouco significam: gestãããão... fixaaaa... esforçççç...

Manter as pálpebras abertas é quase tão complicado quanto o que o professor diz. Mover um músculo, levantar um dedo, separar o lábio inferior do lábio superior. São muitos músculos.

O sono é sagrado, pensa - ou sonha, não tem certeza. Nada mais correto do que respeitar o sono. A essência sobre a matéria. O desejo sobre a obrigação. Conforta-se. Aconchega-se. Enfim, dorme.

agosto 27, 2006

Tristeza
É estranha e engraçada a tristeza da solidão. Uma certa mistura de autopiedade melodramática que leva alguém a colocar uma música triste apenas para se deliciar mais de sua própria condição - a consciência da miséria humana. As divagações ganham espaço: o que une a humanindade é a dor.

O melodrama é sempre tragicômico. O exagero tira um pouco da sinceridade da dor. Beira o absurdo. Mas os latinos temos isso: somos capazes de expor e depois rir da dor.

Tristeza não tem fim felicidade sim. Uma frase um tanto trágica para uma bela música. Todo grande amor só é bem grande se for triste. É outra canção. A tristeza é senhora. E assim há milhares de canções que enaltecem a tristeza. Não é engraçado?

agosto 25, 2006

O Afeganistão fica logo ali

Nada como bons livros para tornar humano tudo aquilo que nos parece estrangeiro.

Dois excelentes livros - distintos e complementares - sobre o Afeganistão. Ou melhor sobre a gente do Afeganistão. Quem são, o que sentem, como vivem. Os dois estão nas listas dos mais vendidos, no Brasil: O Caçador de Pipas e O Livreiro de Cabul.

agosto 17, 2006

Braços Abertos sobre a Guanabara

O coração bate mais forte. Sinto a maresia antecipadamente. Aquele cheiro de sal e umidade, gotículas microscópicas por todo o corpo. Que saudade, que saudade!

As montanhas, as cores, o mar. Que saudade do azul e do verde! Todos meus sentidos despertam. O som das ondas, a cor dos dias ensolarados, o gosto do sal, o cheiro do mar, a sensação da maresia no rosto.

Minha cidade é mesmo linda como as canções de Tom e Vinícius.

Minha cidade é a mais bela.


(E eu, nostálgica...)

agosto 13, 2006

Arte

A arte purifica a alma e traz de volta a realidade. É essa a minha sensação ao término da Festa Literária de Parati.

A arte é necessária para nos lembrar de quem realmente somos, do que realmente queremos. Ela é o real. Ou, como disse a Adélia Prado, de quem me tornei fã, é a transcendência de que tanto precisamos para viver.

É como se a rotina e o dia-a-dia duro das escolhas "racionais" empoeirassem nosso olhar e precisássemos da arte como uma espécie de limpador de um para-brisa sujo, para tornar a realidade mais visível, para nos lembrar do que é real: além da nossa razão, a nossa emoção - principalmente.

A música, a literatura, a poesia, as artes plásticas, o cinema são necessários como é necessário comer e trabalhar para sobreviver.

Às vezes esqueço disso. Não queria.

agosto 05, 2006

Companhia Itinerante

Meu irmão está ficando famoso!

Ele é guitarrista de uma banda muito boa, a companhia itinerante, que acabou de fazer um show e dar entrevista no programa atitude.com da TVE.

Para saber mais e ouvir:

http://www.companhiaitinerante.com/
http://www.fotolog.com/ciaitinerante/
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=662974

julho 30, 2006

O Doce Vagabundo

Ontem vi, mais uma vez, Luzes da Cidade e, mais uma vez, chorei no final. Que linda a última cena deste filme. Arrisco dizer que é uma das mais bonitas do cinema (pelo menos do que já vi). É de uma ternura, de uma tristeza, de uma emoção sem exageros, de uma doçura...

É por isso que amo os filmes de Charles Chaplin. Ele sabe dosar como ninguém as emoções mais ternas com a comédia (aparentemente) mais simples.

Neste filme, em especial, há cenas de comédia maravilhosas, como a luta de boxe e a tentativa de suicídio do milionário.

Não é à toa que, quase 80 anos depois do lançamento do filme (mudo, é bom enfatizar), ele continua a emocionar e a divertir. A arte não envelhece.

Falando em Chaplin

Os meus dois atores/diretores preferidos são conhecidos como "comediantes": Charles Chaplin e Woody Allen. Embora, aparentemente, eles não tenham muito em comum, os dois têm o mérito de tratar temas cotidianos com muita sensibilidade. E de misturar drama e comédia de uma forma harmônica.

É claro que os dois podem ser opostos: alguém imagina um filme de Allen sem palavras? Chaplin era o ator das multidões, Allen é admirado por poucos. Mas considero os dois geniais, cada um a seu modo. Os dois sensíveis. Os dois percebem a tragédia e a comédia de nosso dia-a-dia, sem optar por um só.

julho 27, 2006

O mundo é grande mesmo!

O mundo é grande e eu quero conhecê-lo. Cada canto, cada esquina, cada detalhe. O mundo é azul e verde e eu quero conhecer cada folha e cada gota. O mundo é imenso e meu coração é do tamanho do mundo. Meu coração é vermelho e quero viver cada gota. Quero suar, quero acelerar, quero seguir, quero sentir. O mundo é grande e eu sou grande o suficiente para abraçar o mundo.
O mundo é grande
Carlos Drummond de Andrade

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

julho 13, 2006

Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós ou Libertas quae sera tamen

A liberdade já foi cantada em verso e prosa pelos mais diferentes autores. Pois tinham razão. Nada melhor do que a liberdade. Principalmente do que a liberdade de seus próprios medos e paranóias. Principalmente quando se percebe o quão bestas elas eram. Principalmente quando se é capaz de olhar para trás e rir das nossas próprias supostas desgraças.

julho 07, 2006

Insônia

Cinco e oito. O vermelho brilhante no escuro anuncia a hora sem pudor. Hora em que meninas com pudor deveriam estar sonhando, de olhos fechados e consciência distante.

O relógio anuncia que ela não tem pudor. Cinco e oito e ela ainda não dormiu.

O vermelho brilhante é o que mais a incomoda. A luz vermelha. Não poderia ser verde ou azul? Ela se sentia acuada pelo vermelho: cinco e oito.

Tentava fechar os olhos, pensava em carneirinhos pulando uma cerca. Um carneirinho pulou a cerca. O outro bateu com o pé na madeira no instante em que pulava. Coitado. O carneiro caiu de dor!

Ela abriu os olhos. Não podia ver ninguém sofrendo. Mas ali estava o vermelho assustador: cinco e nove.

Aquela luz, ao mesmo tempo discreta e voluptuosa, a incomodava.

Ela procurava paz, o silêncio de que precisava para o descanso. Mas só sentia o barulho do vermelho. Inquietante. Ensurdecedor.

junho 28, 2006

Tempos pós-modernos

Todos fugindo da solidão. Todos fugindo da convivência. Buscando o encontro, para depois procurar o desencontro. Viver e Morrer. Ir e Ficar. Ser e Ter. Amar e intransigir.

Há tempos.
Sabino

De tudo ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.

junho 25, 2006

Vida louca vida

A vida é uma só. Feito essa gente que anda brincando com a vida. A vida é feita de altos e baixos. A vida é um hospital onde quase tudo falta. A vida é assim mesmo. A gente tem que curtir a vida. A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Deixa a vida me levar. Vida, minha vida, olha o que é que eu fiz. A vida só se dá para quem se deu.

Sei-lá. A vida tem sempre razão.

junho 23, 2006

Infância

Lembro pouco da minha infância. Eu era muito tímida. Falava pouco. Não era triste. Gostava de brincar. Com meus amiguinhos, mas, se eles não estivessem por perto, brincava sozinha. Tinha cabelos curtos e às vezes me confundiam com menino. Tinha covinhas engraçadas. Gostava de cantar. Gostava de ouvir conversa de adultos, embora nem sempre entendesse suas piadas.

Lendo O Encontro Marcado fiquei com vontade de lembrar.

junho 17, 2006

Gente
Caetano Veloso

Gente olha pro céu
Gente quer saber o um
Gente é o lugar de se perguntar o um
Das estrelas se perguntarem se tantas são
Cada estrela se espanta à própria explosão
Gente é muito bom
Gente deve ser o bom
Tem de se cuidar, de se respeitar o bom
Está certo dizer que estrelas estão no olhar
De alguém que o amor te elegeu pra amar
Marina, Bethânia, Dolores, Renata, Leilinha, Suzana, Dedé
Gente viva brilhando, estrelas na noite
Gente quer comer
Gente quer ser feliz
Gente quer respirar ar pelo nariz
Não, meu nego, não traia nunca essa força, não
Essa força que mora em seu coração
Gente lavando roupa, amassando pão
Gente pobre arrancando a vida com a mão
No coração da mata, gente quer prosseguir
Quer durar, quer crescer, gente quer luzir
Rodrigo, Roberto, Caetano, Moreno, Francisco, Gilberto, João
Gente é brilhar, não pra morrer de fome
Gente deste planeta do céu de anil
Gente, não entendo, gente, nada nos viu
Gente, espelho de estrelas, reflexo do esplendor
Se as estrelas são tantas, só mesmo amor
Maurício, Lucila, Gildásio, Ivonete, Agripino, Gracinha, Zezé
Gente, espelho da vida, doce mistério
Doc

Adoro documentários. Assisti-los. Produzi-los. Quero voltar.
Tolerância

A parada gay, em São Paulo, é um símbolo de tolerância. Ainda que seja superficial, ainda que seja só por um dia, ainda que seja só tolerência e não aceitação.

O Brasil, ou grande parte dele, ainda acredita na ilusão de que aqui não existe preconceito. Totalmente falso. O brasileiro pode até não ser, em sua maioria, violento fisicamente ao expressar seu preconceito. Mas verbalmente certamente o é. E também nas atitudes sem palavras. No dia-a-dia.

Contra gays, contra judeus, contra negros, contra japoneses e descendentes (este eu descobri em São Paulo). É de leve, é quase envergonhado. Mas, não dê espaço, se não quiser ouvir alguns absurdos.

fevereiro 10, 2006

Lar, doce lar

Depois de dois anos em São Paulo, me rendi. Aceitei. Resignei-me. Tão cedo não saio daqui.

Aceitar isso, no entanto, tem suas compensações. Agora posso fazer planos. Já comecei, para falar a verdade.

Hoje assinei o contrato de aluguel do meu apezinho. MEU apezinho. Pela primeira vez vou morar completamente sozinha.

Estou um pouco ansiosa e muito feliz. Tenho uma sensação de independência e liberdade, mas ao mesmo tempo de responsabilidade. Estou virando gente grande. Para o bem e para o mal.

dezembro 04, 2005

Sei lá... a vida tem sempre razão
(Toquinho/Vinícius)

Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender:
A gente mal nasce, começa a morrer.

Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.
Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão.
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão.

A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe,
E o sol que desponta tem que anoitecer.

De nada adianta ficar-se de fora.
A hora do sim é o descuido do não.
Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão.

novembro 21, 2005

Para quem gosta de Vinícius

Eu, que sempre amei Vinícius de Moraes, tenho hoje um estilo de vida oposto àquele que ele gostava e - por meio de sua obra - pregava.

Vai, vai, vai viver, dizia o poeta em Canto de Ossanha.

Ou ainda, em Samba da Benção:
Feito essa gente que anda por aí brincando com a vida
Cuidado companheiro! A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só.
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado em baixo: Deus.
E com firma reconhecida

Ele mergulhou em nove casamentos, mergulhou na poesia e na música e, depois, na reinvenção de sua poesia e música. Sem medo.

Ultimamente, minha vida tem sido muito trabalho. E para quê? para quando vai ficar a vida? para quando vão ficar os riscos?

São Paulo tem me feito mal. Estou cada vez mais me metamorfoseando em paulista. Já uso salto alto. Trabalho enlouquecida e estressantemente. Daqui a pouco serão os terninhos e a chapinha.

Não é nada disso que quero para mim. Conseguirei escapar da armadilha do hábito, do certo e do conforto? Saberei escolher o momento certo?

Depois de ver o documentário - excelente - Vinícius de Moraes essas dúvidas ficaram mais fortes em mim.

Aliás, recomendo o filme. Depoimentos maravilhosos de Chico, Edu Lobo, da filha de Vinícius. Imagens antológicas, como a de Vinícius e Tom completamente bêbados. Músicas lindas. Poemas maravilhosos muito bem declamados.

Mas, uma certeza: com mais de duas horas, é só para quem gosta de Vinícius.

novembro 09, 2005

Programação

Divulgação de Resultados - amanhã e depois

Apresentações - De segunda a quinta da semana que vem

Rio e vida - Sexta!!!

outubro 13, 2005

Top 3

Li uma seqüência de livros MUITO bons neste último mês.

Recomendo os três para quem quiser garantir momentos de deleite literário.

Em ordem de leitura:

Memórias de Minhas Putas Tristes - Gabriel Garcia Marquez
Budapeste - Chico Buarque
O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

O próximo já está na minha mesinha de cabeceira: Encontro Marcado, Fernando Sabino

setembro 18, 2005

Sol
Chega deste frio cinzento de São Paulo. Quero sol!!!!

setembro 08, 2005

Baladinhas (ou A noite alternativa em São Paulo)

Sim. Existe vida noturna fora das Vilas Olímplia (arghhh!!) e Madalena, em São Paulo. Após um ano e meio de Sampa, finalmente conheci dois lugares muito bacanas para dançar e conhecer gente interessante.

O primeiro é o Saraievo, que fica na Auguta. É uma mistura de Bukowski (antigo) com Loud (antiga). Duas pistas, um ambiente com uns sofazinhos e, antes da meia-noite, umas mesinhas de plástico do lado de fora. E, o melhor, tem cerveja de garrafa com copinho americano!

O outro lugar é mais famosinho: a trash 80's (do centro, claro!). GLS, uma galera divertida e umas músicas muito, muito, muito trash! Versões de músicas americanas (como uma virgem, tocada pela primeira vez), música sertaneja, música brega, músicas da infância (Trem da Alegria, Xuxa, Mara, Balão Mágico...): tudo dos anos 80! É para ir de mente aberta, para rir bastante.

Por enquanto, esses são dos lugares que fui. Me diverti horrores!!! Conheci gente legal... Agora, é catar novos lugares, de preferência bem distantes das vilas.

setembro 06, 2005

Top 5

Depois de uma acirrada discussão, as 5 melhores músicas dei-a-volta-por-cima-depois-do-fim-de-um-relacionamento:

Vou Festejar - Jorge Aragão
Olhos nos Olhos - Chico Buarque
I will Survive - Gloria Gaynor
Meu Guarda-Chuva - Jorge Ben Jor
Volta por Cima - Noite Ilustrada

julho 30, 2005

De volta...*

Após alguns meses, deu vontade de escrever aqui novamente. Muitas mudanças, a começar pelo apartamento.

Estou morando em plena Avenida Paulista, a mais conhecida e, sem dúvida, a melhor avenida de São Paulo.

A Paulista é a cara do que há de melhor na cidade. É planejada, grande, prédios imponentes. Há muito espaço para lazer, cultura, passeios, sacanagens.

A avenida e as ruas próximas são repletas de botecos. Mas há também ótimos restaurantes: dos mais chiques aos mais chulés. Nesse sentido, me lembra muito Copacabana, talvez por isso tenha escolhido morar lá.

São 17 cinemas ao todo, desde os "cult", nas recém inauguradas salas do prédio da Gazeta, no Bristol e no Top Center, até o cinemão do Center 3.

Há livrarias, museus, centros culturais, teatros. Sem falar de programas menos cabeça, como passear no Trianon (por que não?) e pela feirinha de antiguidades do Masp aos domingos.

Com certeza, não mencionei nem metade das coisas que têm na Paulista.E preferi não falar de seus problemas. Não hoje, estou de muito bom humor para isso.

Ficam para a próxima também as mudanças da minha vida. A Paulista é mais interessante.


*Por quanto tempo?

março 08, 2005

Estacao das Chuvas

Em meio a chuva que caia sobre Jerusalem, neste dia oito, ouviam-se Tom e Elis festejando as Aguas do Marco, no cafe Hilel.
Mulheres pela paz

Uma noite fria e agradavel em Jerusalem. Dia internacional das mulheres. Meu quinto dia na cidade, meu primeiro passeio sozinha. Decidi ir a Cinemateca, um dos pontos da cidade frequentado pelos que, no Brasil, seriam chamados de alternativos. Nao poderia ter feito escolha melhor.

Fui pega totalmente de surpresa por uma programacao voltada para o Dia. Assisti a um excelente documentario sobre mulheres que trabalham pela paz em quatro paises: Afeganistao, Burundi, Bosnia e Argentina. Mulheres que superam dificuldades para fazer o que consideram certo.

O nome do filme: Peace by Peace (mais informacoes no site http://peacexpeace.org). A diretora estava presente. Alem dela, seis mulheres que, de alguma forma, trabalham pela paz entre israelenses e palestinos formaram uma mesa de debates.

Foi interessante ouvir estas mulheres, na maioria de grupos de esquerda, em Israel. Duas delas eram palestinas. Tive a sensacao de que eh possivel fugir dos extremismos, nesta regiao de extremismos, e conviver bem com a diversidade que caracteriza o pais. Aquelas mulheres estavam ali com um objetivo comum, independentemente de suas origens, a paz.

Foi uma noite agradavel, apesar da chuva fria que peguei na saida.

(Foto pessima da palestra: http://nirab.fotos.uol.com.br/jerusalem1/photo.html?currentPage=9)

fevereiro 12, 2005

Rumos

Até que ponto podemos escolher nossos caminhos? Quanto do que somos e temos é uma escolha nossa?

Eu sempre fui do tipo "deixa a vida me levar". Não fazia muitos planos e ia escolhendo as opções que a vida me proporcionava. Dificilmente, eu fazia estas "opções". Elas simplesmente apareciam. As escolhas nunca foram muito difíceis ou totalmente decisivas.

Vestibular? Tudo bem... Se não gostasse da faculdade, podia mudar. Como fiz.

Este ou aquele emprego? Escolhia um. se não desse certo, meu pai me dava uma força. Como deu.

Ir ou não para São Paulo? Uma mudança não faria nada mal. Se fizesse, a casa dos meus pais estaria a minha espera. Como está.

Embora não tenha precisado - estou em Sampa e, por enquanto, não penso em voltar - tenho um porto seguro.

Mas, e quando a escolha é definitiva? E quando não tem volta? O que fazer?

janeiro 29, 2005

Compras

Blusas, saias, sapatos, calças aos montes. Muito mais do que você pode imaginar caber no bolso de mulheres de classe média. Mas são poucas as que resistem a um shopping inteiro em liquidação.

Imagina aquele vestido que custava os olhos da cara até o mês passado e agora custa SÓ ISSO! Agora imagina vários sapatos, calças, saias, blusas na mesma situação. Não há como sair de sacolas vazias.

Confesso que até ontem não entendia muito bem isso. Nunca fui muito de fazer compras. Mas uma certa extravagância a que me permiti hoje fez com que compreendesse melhor as consumidoras compulsivas. O efeito das compras é quase embriagador. Dá até uma sensação de poder difícil de explicar.

É como se uma criança entrasse na Circus (uma imensa loja de brinquedos no Rio) e pudesse pegar todos os brinquedos que quisesse. Qual nunca sonhou com isso? Na fase adulta, um cartão de crédito e alguns malabarismos financeiros permitem realizar o sonho infantil.

Foi bom - e nem cheguei ao patamar de alguma amigas. Mas não pretendo repetir muitas vezes. Pode viciar. E os efeitos colaterais não são dos mais agradáveis, incluindo uma certa culpa (olha ela aí de novo).

janeiro 07, 2005

Dez anos depois...

Há quase dez anos não piso em Israel. Agora, em dois meses, estarei lá novamente. Na terra da minha mãe, dos meus avós. Não sei como vai ser. Acho que terei um novo olhar sobre o país. Mais político, talvez um pouco mais consciente e, certamente, mais observador das pessoas e da cultura. Sei que ainda é cedo, mas já estou curiosa e cheia de expectativas.

dezembro 16, 2004

Cadê?
Sinto falta de escrever. Durante um ano, escrevi pelo menos um texto por dia. E agora passo semanas sem escrever nada. Foi um impacto tremendo. Perdi a agilidade que tinha e acho mesmo que metade da minha criatividade se foi. Vou tentar escrever mais por aqui, já que meu trabalho não me dá mais este prazer.

Trabalho
Gosto do que faço, mas sinto falta de escrever.

novembro 13, 2004

Para o Gabriel

Sem você
Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes

Sem você
Sem amor
É tudo sofrimento
Pois você
É o amor
Que eu sempre procurei em vão
Você é o que resiste
Ao desespero e à solidão
Nada existe
E o mundo é triste
Sem você
Meu amor, meu amor
Nunca te ausentes de mim
Para que eu viva em paz
Para que eu não sofra mais
Tanta mágoa assim
No mundo
Sem você

outubro 24, 2004

Roda-viva
Chico Buarque

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo (etc.)

Roda Mundo (2)

No passado, costumava reclamar que a minha vida era muito paradona.
O ano de 2004 chegou para dar um basta nisso.
Mas não precisava exagerar.
A cada mês minha vida dá uma reviravolta diferente.
Para não dizer a cada dia.

Mas não tenho saudade da calmaria.
Só tenho saudade do meu amor.

setembro 01, 2004

Momento auto-ajuda

O mundo dá voltas mesmo. Quando tudo parece dar errado, alguma coisa boa acontece.

agosto 17, 2004

Já pode chorar

Luar, espere um pouco
Que é pro meu samba poder chegar
Eu sei que o violão
Está fraco, está rouco
Mas a minha voz
Não cansou de chamar
Olê olê olê olá
Tem samba de sobra
Ninguém quer sambar
Não há mais quem cante
Nem há lugar mais lugar
O sol chegou antes
Do samba chegar
Quem passa nem liga
Já vai trabalhar
E você, minha amiga
Já pode chorar

julho 28, 2004

Lerê lerê

Retirantes
Dorival Caymmi

Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Eu quero morrer de noite, na tocaia a me matar
Eu quero morrer de açoite, se for negro a me deixar
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Meu amor eu vou me embora, nessa terra vou morrer
Um dia não vou mais ver, nunca mais eu vou viver
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê

julho 18, 2004

Pedaço de mim
Hoje sou só saudade. Onde estiver, aonde quer que eu vá. Meu coração mora em Israel, mora no Rio de Janeiro, mora em São Paulo. E eu me divido entre todos. E parece que nunca estou completa.
 
Um pedaço de mim sempre estará em outro lugar.

julho 12, 2004

Paz
Estou lendo "O Novo Oriente Médio", livro que Shimon Peres escreveu em 1993, auge das negociações pela paz na região.

Hoje em dia, é impressionante ver o otimismo que ele tinha naquela época. Peres chegava a falar em um grupo semelhante à Comunidade Européia no Oriente Médio.

Israel mantinha então conversações avançadas com palestinos, sírios e jordanianos. Só foi firmado um acordo com os últimos, no fim das contas.

O livro, porém, é interessantíssimo. Peres prega que apenas a paz é capaz de levar segurança à região.

Os gastos militares no Oriente Médio são enormes. Por outro lado, os percentuais dos orçamentos destinados a educação e saúde são muito menores. Há países em que 80% da população é analfabeta.

A pobreza e a desesperança são caldos de cultura para o fanatismo. "Não há solução militar para ele", diz Peres.

Para o ex-ministro, somente desenvolvimento econômico e social é capaz de minimizar o fanatismo. E isso só ocorrerá em um ambiente pacífico, que permita trocas entre as nações do Oriente Médio e traga segurança para investidores externos.

O fanatismo é o maior perigo para a humanidade, alertava Peres há mais de 10 anos.

Imagine armas nucleares nas mãos de fanáticos religiosos, dispostos a tudo para conseguir suas 70 virgens no paraíso?

julho 05, 2004

Já que a vida quis assim
Adoro esta música.
Ela tem o otimismo de que preciso.

Eu não existo sem você
Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim


Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver

Não há você sem mim
E eu não existo sem você

junho 23, 2004

Roda mundo

No fim do ano passado, escrevi neste blog que certamente 2004 seria um ano muito diferente do que passou. Pois bem, nunca imaginei o quanto eu poderia ser profética.

Não foram apenas a cidade e o ambiente de trabalho que mudaram. Minha vida, minhas perspectivas, meus sonhos não são mais os mesmos. Sou outra.

Desde que cheguei em São Paulo os acontecimentos me atropelam. Vivo um redemoinho. Não há certezas sobre nada. Só posso dizer que nestes quase cinco meses fui mais feliz. Mas, até quando?
Mestre Vinícius

Soneto do amor total

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Além do amor

Se tu queres que eu não chore mais
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer, canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for

Deixa-me chorar assim
Porque eu te amo
Dói a vida
Tanto em mim
Porque eu te amo
Beija até o fim
As minhas lágrimas de dor
Porque eu te amo, além do amor!

maio 02, 2004

Rio, você foi feito pra mim?
O Rio de Janeiro continua lindo, não há dúvidas. Mas não é mais a minha casa.

Me dói um pouco fazer esta afirmativa. Na verdade, gostaria que ela não fosse verdadeira. Afinal, passei 24 anos da minha vida aqui e sempre fui apaixonada pela cidade.

É muito estranho ser visita em sua própria terra. Mais esquisito ainda é sentir-se uma turista. Tenho vontade de estar perto da praia como nunca tive antes de me mudar.

Não consigo ficar muito tempo longe do Rio. E me emociono cada vez que venho. Como a cidade é linda! Mas, agora, ela é apenas um lugar a ser visitado. Nos fins de semana.

Não conheço mais a rotina, a confusão, as guerras, o caos. Tenho olhos de turista. Vejo apenas a beleza do mar e do horizonte.

São Paulo agora é meu berço. É onde vive o meu amor. É onde tenho uma casa. É onde trabalho. É onde vou ficar.

Adeus.

abril 01, 2004

Como dizia o poeta
Toquinho - Vinicius de Moraes

Quem já passou por essa vida e não viveu,
Pode ser mais mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá pra quem se deu,
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não.

Não há mal pior do que a descrença,
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão.

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair.
Pra que somar se a gente pode dividir.
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer.

Ai de quem não rasga o coração,
Esse não vai ter perdão.
Quem nunca curtiu uma paixão,
Nunca vai ter nada, não.

fevereiro 28, 2004

Só em Sampa

Meu primeiro fim de semana em sozinha em São Paulo. Tristeza? Melancolia? Que nada. Estou achando até legal!

Não que eu goste de ficar só, mas estou aproveitando o tempo para fazer coisas que ainda não tinha feito. Por exemplo, entrar em um cyber café e escrever no meu blog.

Outra coisa: procurar cama. Sim, tenho que comprar uma cama. Várias dúvidas seríssimas. Colchão de mola ou de espuma? Cama de mandeira? Ou só um suporte? Nunca tinha imaginado que era difícil comprar uma cama.

Mais difícil do que isso mesmo é alugar um apartamento. Carpete azulão ou folhas secas? Contrato para 18 meses ou 24 meses? E multa? E o fiador? E o corretor? Quanta burocracia!!!! E quanta porcaria que eu vi!!!!

Mas, neste fim de semana, não quero pensar nisso. O objetivo agora é relaxar. Cinema, caminhadas, conhecer a cidade, procurar cama. É isso.

Ah! No próximo sábado, dia 6, tem show do Los Hermanos no Direct TV Hall. Alguém quer ir? Estão todos convidados.

janeiro 27, 2004

Desde que o samba é samba é assim
Sim, eu estou tão cansada.
Triste é viver na solidão.
Tristeza não tem fim, felicidade sim.

Há tempos não vou ao cinema.
Há tempos não leio um bom livro.
Há tempos não vivo.

Bandeira estava certo:

Desesperança
Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah, que penosa lassidão em cada músculo. . .

O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento
Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.

Assim deverá ser a natureza um dia,
Quando a vida acabar e, astro apagado,
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.

O demônio sutil das neuroses enterra
A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...

Minha respiração se faz como um gemido.
Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,
Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.

Por onde alongue o meu olhar de moribundo,
Tudo a meus olhos toma um doloroso aspeto:
E erro assim repelido e estrangeiro no mundo.

Vejo nele a feição fria de um desafeto.
Temo a monotonia e apreendo a mudança.
Sinto que a minha vida é sem fim, sem objeto...

- Ah, como dói viver quando falta a esperança!
Cinco
Começou a contagem regressiva.

dezembro 30, 2003

Fecha!
A bolsa nunca demorou tanto para fechar quanto hoje.
Não tem quase ninguém mais aqui e tudo que preciso é do Ibovespa de 30 de dezembro de 2003. Nestas horas queria adivinhar o futuro. Normalmente, não.
Alguma coisa acontece no meu coração

Desta vez não tenho dúvidas: o ano que vem vai ser muito diferente do que 2003. Melhor ou pior, não vai ser igual. Isto nunca esteve tão claro para mim em um Reveillon algum. Talvez quando passei no vestibular... Não. Naquela época eu era outra pessoa, não pensava nessas coisas.

Vou para uma cidade cinza e tenho medo de me acinzentar ainda mais. O azul do Rio me ajuda. Ao contrário do que dizem - que não se dá valor ao que se tem -, adoro o Rio. Talvez até demais.

Gosto das praias, de saber que a cidade não é tão grande assim: posso ir aonde quiser com facilidade. As pessoas são tão tranqüilas no Rio. Não posso negar que me identifico com esta calmaria. Sem falar em amigos, família...

Gosto de tanta coisa que não vou enumerar aqui. Acho que estou meio deprê com este clima de ano novo. Sempre fico.

dezembro 16, 2003

News

Ok, desta vez exagerei. Para falar a verdade, até eu pensei que tinha desistido. Mas não. Cá estou eu de volta.

E com algumas novidades.

A primeira. Depois de alguns meses sem férias e trabalhando horrores, não fui para a labuta na semana passada. Pensas que tive férias? Bem, mais ou menos. Aqui entra a segunda novidade.

A segunda. Usei estes dias para fazer a minha monografia. Pois é. Depois de dois anos de enrolação, finalmente pretendo me formar.

Tomei uma dose fortíssima de Getúlio Vargas. É que o ditador é o tema do meu trabalho. "Getúlio Vargas: Da Morte ao Mito". Hehehe, meio ridículo, né?

O fato é que eu gostei de escrever e pesquisar sobre este assunto. Não consigo fugir da história. É a minha paixão. Desde pequena sempre gostei de estudar o passado, não sei bem por quê.

E para quem não sabe, estou me formando em jornalismo. Usei como base da minha monografia o jornal "Diário Carioca", de agosto de 1954.

É muito maneiro. Depois, vou postar aqui alguns trechos do jornal, pedindo a renúncia de Vargas.

Recomendo o site do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, para quem gosta do tema. Há milhares de fotos no arquivo. E o que é melhor, disponíveis na internet.

Se descobrir como faz, depois coloco alguma aqui. Vale a visita.

agosto 18, 2003

Hum....
Nossa, há tanto tempo (de novo) que não escrevo aqui que acho que nem sei mais como fazer. Agora só escrevo sobre economia. É Bovespa para lá, dólar para cá. Descobri siglas que achava que nunca saberia o que significam. Ptax, IBX, IEE até Ebitda! Tem noção?

Mas chega disso, porque basta o trabalho. De repente poderia falar sobre o novo filme do Woody Allen, que foi muito criticado, mas eu gostei. Aliás, difícil para mim não gostar de alguma coisa dele. Tudo bem, não é uma Rosa Púrpura do Cairo (está longe, aliás). Gostei mais de Trapasseiros. Mas Dirigindo no Escuro também é muito engraçado e está bem acima da média das comédias que tenho visto.

Poderia falar sobre isso, mas acho que não tenho muito a acrescentar.

E, falando em comédia, vi uma (dramática) no Telecine muito boa. Creia, há vida inteligente no Telecine. É raro, mas há. É um filme com o Robert de Niro e o Jerry Lewis chamado "O Rei da Comédia". Excelente. Imperdível a cena em que a atriz principal (não sei o nome) "seduz" o Jerry Lewis amordaçado.

Mas não quero falar sobre isso também não...

julho 09, 2003

Tanto tempo...
Tanto tempo que eu não escrevia neste blog que nem tinha visto as mudanças de que todos reclamaram. Ainda não vi o resutado, mas já estou imaginando todos os meus acentos tranformados em símbolos ininteligíveis. A vida é esta. Depois começo uma caçada em busca da melhor forma de manter meus acentos em dia.

Tanto tempo que não escrevia neste blog que não sobrou nenhum leitor. Nos meus muito bem escondidos dados estatísticos (nunca divulgarei o que eles dizem), o número de visitas está reduzido a quase zero.

Tanto tempo para cativar leitores (até parece!) e tão pouco tempo para perdê-los. Mas tudo bem. Quem precisa deles. Eu me basto a mim mesma. E ponto final.

Tanto tempo sem escrever e eu agora paro para escrever tanta bobagem!

Deus (que não existe, né Cesar?)! Tanto tempo, para quê?

junho 18, 2003

Desculpe
Não tinha uma gripe há muito tempo. Tanto, que nem entendi quando ela chegou. Fui trabalhar na segunda e fiquei com aquela moleza e dor de cabeça típicas. Conclusão: fui mandada de volta para casa.

Isso é para dizer que não fui para a labuta na terça. E sabe do pior? Mesmo de cama, com febre e toda entupida, me senti culpada por não ter ido trabalhar!! Tem noção?

Ultimamente, tenho sentido culpa pelas coisas mais bobas, mas essa foi terrível. Afinal, mesmo que eu quisesse, não coseguiria apurar nem escrever matérias. Esse negócio de culpa é mesmo uma merda, diz uma amiga minha. Pois é. Para você ver, ninguém precisa de religião para sentir uma boa culpazinha.

Quer um pouquinho?

maio 25, 2003

Creia
Alguém chegou a este blog procurando pelas seguintes palavras no google: filmes pornos pra min ver agora.

Sem comentários...

maio 24, 2003

Polyana
Economia tem fama de ser assunto chato. Para ser sincera, eu também tinha um pouco de desconfiança, mas estou chegando a uma conclusão diferente: aprender é sempre interessante.

Não que eu entenda de economia. Daqui a pouco - espero que não - posso começar a achar tudo um saco. Entretanto, o fato é que estou gostando de trabalhar em um site de economia. E o melhor é justamente estar começando (começando meeeesmo!!!) a entender um assunto sobre o qual eu não sabia quase nada.

maio 18, 2003

Freire no cinema
Falando em cinema, assisti recentemente a Nelson Freire, o último documentário de João Moreira Salles. Trata-se de outro filme que vale a pena ver. Mas é bom avisar, é um programa para quem gosta de música. O pianista-protagonista é muito tímido e, para compensar as poucas falas, Moreira Salles se concentrou nos concertos belíssimos de Freire.

É claro que há mais, além da música. Há momentos de modéstia (nada falsa) explícita, de emoção e até cenas engraçadas.

É também uma oportunidade de conhecer o maior pianista brasileiro vivo. No Brasil, onde a música clássica é tão desvalorizada, o documentário é uma forma de mostrar ao grande público o que ele está perdendo ao se afastar das salas de concerto. Além de ser uma justa homenagem a Nelson Freire.
P. T. Anderson + Adam Sandler
Deveria ser inconfessável, mas confesso: gosto do Adam Sandler. Para quem não sabe, é um ator/humorista americano, que faz filmes besteirol como O Paizão.

O primeiro filme dele que assisti (e até anteontem, o único) foi O cantor de casamento, uma comédia romântica bonitinha, que se passa nos distantes e estranhos anos 80. Fora isso, só o conhecia pelo Saturday Night Live.

Sandler tem cara e jeito de menino desprotegido, daqueles que a gente quer pegar no colo e consolar o tempo todo.

Se aproveitando deste jeitinho, o ator resolveu fazer um filme de gente grande. Trata-se de Embriagado de Amor, que entrou em cartaz nesta sexta-feira. A direção é de Paul Thomas Anderson, o mesmo de Boogie Nights e Magnólia.

No filme, Sandler interpreta um sujeito esquisitão que não consegue fazer nada direito. Não se trata de um personagem caricato de comédia pastelão, mas de um homem reprimido, ingênuo, que quer fazer as coisas certas, mas nunca sabe como. E que está sempre à beira de um ataque de nervos. Até que...

Vale a pena conferir. Mesmo se você não gosta de Adam Sandler. Afinal, até Jim Carrey conseguiu fazer bons filmes.

maio 15, 2003

Você votaria em um ateu?
Salman Rushdie é o escritor que ficou famoso depois de ser condenado à morte pelo governo muçulmano radical do Irã. Tudo porque escreveu um livro, Versos Satânicos, considerado uma blasfêmia contra o islamismo.

Rushdie, que vem ao Brasil para a Bienal, concedeu uma entrevista à Veja, publicada esta semana nas páginas amarelas. A entrevista está muito interessante. Chamou a minha atenção a opinião do escritor sobre religião.

Ele colocou uma questão sobre a qual não tinha pensado ainda. O preconceito contra quem não acredita em Deus. Afinal, por que não acreditar Nele torna alguém pior ou melhor?

Aí está um trecho do depoimento de Rushdie:

Na última eleição presidencial americana, um grande jornal realizou uma pesquisa perguntando em quais candidatos das chamadas minorias os eleitores aceitariam votar. As pessoas, em geral, disseram que não se oporiam a candidatos negros, a mulheres ou a homossexuais. Quando perguntaram se votariam num ateu, contudo, a situação mudou: mais de 50% disseram que não. Você é inelegível se duvidar da existência de Deus.

maio 07, 2003

Relatos de Pax
Lembra-se de Where is Raed?? É o blog que chamou a atenção no início da guerra por ser escrito em inglês, por um iraquiano que vive em sua terra natal.

O blog não era atualizado desde 24 de março, assustando muita gente. Estaria Salam Pax, autor do blog, ferido ou morto?

Se esta preocupação era sua também, pode ficar tranqüilo, ele está bem. O blog foi atualizado hoje (na verdade, Salam Pax conseguiu que alguém postasse, pois os sistemas de comunicação do Iraque ainda não estão normalizados), com relatos escritos durante o conflito.

Vale a pena ler. Mesmo se esta for apenas mais uma ficção internáutica. Quem sabe?

maio 06, 2003

Imperdível!
Está em cima da hora, mas não custa avisar.

Hoje, às 21h, tem concerto do Quarteto Bessler no Ibam.

O concerto é gratuito. O Ibam fica no Humaitá.

maio 03, 2003

Cabeleira
Desisto. Nos próximos dez anos, não corto o cabelo.

O Carlos, meu ex-cabelereiro, não estava acertando nas últimas vezes. Resolvi arriscar o da Cristina, afinal, o cabelo dela está lindo. Acho que o problema é comigo.

Bastou sair do salão, esperando o elevador, uma senhora me abordou:


-Você vê Mulheres Apaixonadas?

-Não.

-Você parece a Paulinha, da novela.

-Não sei quem é
, ri, sem graça.

-Não se preocupe, ela é bonita, sorriu a velhinha.

Algo me diz que devo me preocupar.

Não sei se pareço a tal Paulinha, mas estou desesperada!! Meu cabelo está parecendo com o da Rosinha Garotinho (Blerg! Blerg! Blerg!)!!!!!!! Pelo menos acho que está. Meu irmão e minha mãe garantem que é só imaginação fértil, porém não consigo deixar de sentir uma certa repulsa cada vez que me olho no espelho!!!!

Ainda bem que tenho minhas faixas a postos.

abril 27, 2003

Acabou!!
Atenção: risco para mulheres grávidas. Causa graves defeitos na face, nas orelhas, no coração e no sistema nervoso do feto.

Isto está escrito em letras garrafais na caixa do remédio que tomei nos últimos seis meses. Assustador, não? Mas não é só:

- Tive que assinar um termo prometendo não engravidar
- Não pude usar lentes de contato
- Meus lábios ficavam ressecados e rachados fizesse frio ou calor
- Eu tinha que fazer exame de sangue uma vez por mês
- E o pior: fui proibida de beber!!

Cumpri todas estas exigências, com exceção de uma. Não consegui me abster totalmente do álcool, apesar de ter diminuido bastante a quantidade. Não que eu seja alcóolatra, mas nem uma cervejinha de vez em quando?!

Se você esteve comigo nos últimos meses, não precisa se desesperar. Não tive nenhuma doença grave e supercontagiosa. Tudo isso foi para me livrar daquelas bolinhas vermelhas insuportáveis que insistiam em brotar no meu rosto desde que eu tinha uns 12 anos.

Aparentemente, o sacrifício valeu a pena. As espinhas sumiram, pelo menos por enquanto. Redescobri algumas alegrias, como usar lentes, por exemplo. Anteontem, saí sem óculos pela primeira vez em muito tempo. Nossa, como eu fico bem sem aquela tralha!!

Agora, pretendo retomar a minha vida boêmia. E torço para as bolinhas não voltarem. Se voltarem, sinto muito. Não tomo Roacutan nunca mais!!!

abril 25, 2003

Incompreensão
Foi a Cristina quem me avisou do artigo do Veríssimo em que ele reclamava por ter sido acusado de anti-semita. Li o texto hoje. Não sei quem nem por que fizeram a acusação, mas certamente cometeram uma injustiça.

Acredito que tenha sido por conta do artigo que citei no último post. Veríssimo escreveu um elogio à tolerância, mas fez críticas à política de Sharon. Ora bolas, se isso fosse anti-semitismo, eu seria anti-semita (para quem não sabe, sou judia), assim como toda a oposição israelense.

O caso me lembra o texto totalmente irônico, do mesmo Veríssimo, sobre o Lula e o Romanée-Conti, publicado no Globo, no ano passado. Dezenas de pessoas não perceberam que se tratava de uma ironia e escreveram ao jornal criticando o colunista, quando, na verdade, concordavam com ele.

O fato é que muita gente tem dificuldade para entender o que lê.

Vi dois outros exemplos disso esta semana. Zuenir Ventura (que, por acaso, é judeu) escreveu no No Mínimo que foi acusado de preconceituoso por escrever ironias sobre bahianos. Fez uma coluna inteira explicando que gosta da Bahia e dos bahianos e que, por exemplo, adora piada de judeus, desde que não agressivas.

Arthur Dapieve também escreveu em sua coluna hoje, no Globo, que já foi chamado de fascista a comunista por leitores que mal-interpretaram seus textos.

Na minha opinião, os três colunistas - Veríssimo, Zuenir e Dapieve - são exemplos de tolerência. Ainda assim, são chamados de preconceituosos. Difícil entender.

abril 15, 2003

Inteligência americana
Luis Fernando Veríssimo escreveu no penúltimo domingo, em sua coluna no Globo, que "faz tão pouco sentido ser antiamericano quanto ser anti-semita". Ou seja, os americanos não são todos iguais e uma generalização como "não gostar de americanos" é puro preconceito.

Melhor exemplo disso - se é que precisamos de exemplo - é Michael Moore. O cara é americano e é pacifista e é contra a política de Bush. Algumas de suas idéias estão neste artigo traduzido pelo Globo.

Para quem não sabe, Moore é o diretor de Tiros em Columbine, eleito, merecidamente, o melhor documentário no Oscar deste ano.

O filme disseca as causas da excessiva violência da sociedade norte-americana. O título vem do massacre que dois adolescentes promoveram na Columbine High School, atirando em colegas e professores, e depois se matando. O documentário não se limita a este episódio, mas ele é usado como exemplo da carga de violência dos EUA. Em inglês, o filme se chama "Jogando boliche por Columbine". Micheal Moore explica por quê.

Depois do massacre em Columbine, os experts começaram a dizer que as causas seriam as mesmas sempre levantadas quando acontece um episódio parecido: rocks malígnos (no caso, Marilyn Manson), video games violentos e pais omissos. Meu ponto de vista é que isso faz tão pouco sentido quanto culpar o boliche. Afinal, Eric e Dylan jogavam boliche. Seria esta a causa de seus terríveis atos? Se eles jogaram boliche de manhã, o jogo não atiçou sua vontade de cometer assassinatos em massa? Se não jogaram, será que isso não alterou seu humor e os levou ao massacre? Enfim, nada disso faz sentido, como também não faz sentido culpar Marilyn Manson.

No filme, Moore mostra que as causas vão muito além das explicações de sempre. Uma comparação com o Canadá - que tem tantas armas quanto os EUA, mas muito menos crimes - é a chave para entender a fonte da violência no país: o medo. Medo dos negros, medo do comunismo, medo do terrorismo. Medo que, muitas vezes, tem pouca base na realidade, mas que as autoridades procuram incutir nos norte-americanos.

Difícil esquecer o discurso de Moore quando ganhou o Oscar:

Gostamos de não-ficção porque vivemos em tempos fictícios. Vivemos num tempo no qual os resultados fictícios de uma eleição nos deram um presidente fictício. Estamos agora fazendo uma guerra por motivos fictícios. Mesmo que seja a ficção das fitas adesivas (para selar janelas) ou os ‘alertas laranjas’ fictícios, somos contra essa guerra, senhor Bush. Tenha vergonha, senhor Bush, tenha vergonha.

Sim, Micheal Moore é americano. E, sim, fez este discurso nos Estados Unidos.

P.S. Não deixe de ler o artigo que ele escreveu sobre as repercussões do discurso.

abril 06, 2003

Saddam e eu
Tinha 18 anos quando vi Saddam pela primeira e última vez. Estava na sala de meu apartamento e, de repente, ouvi rugidos e gritos desesperados. Era o início do massacre.

Curiosa, corri até a varanda, seguida pelo meu irmão. Lá embaixo, uma menina desconcertada corria pela rua e tentava subir em uma caminhonete estacionada. Sangue jorrava pelo chão. O monstro não diferenciava homens, crianças ou mulheres. Atacava a todos que se aproximavam.

Um carro passou então pela rua pouco movimentada do Bairro Peixoto. O motorista parou e abriu a janela, numa tentativa de ajudar. Logo se arrependeu. Saddam se esqueceu da menina e tentou agarrar o motorista, que fechou a janela a tempo de evitar uma tragédia.

De um dos apartamentos do prédio em frente, alguém gritou:

-Atropela! Mata!

Outro morador respondeu, berrando:

-Que absurdo! É um só um cachorro!

Com aquela confusão, eu e meu irmão levamos um susto quando a campainha tocou. Era a vizinha do segundo andar, com o filho no colo.

-Estou com medo, sozinha em casa. Posso ficar aqui?

-Claro!
, respondemos a caminho da varanda.

-Vocês viram o nome do cão? É Satã!! Só podia dar nisso mesmo! Sangue de Jesus tem poder!!! Sangue de Jesus tem poder!!!

Soubemos mais tarde, pelo Jornal Nacional, que o Pit Bull se chamava Saddam. Descobrimos também que o Chico, porteiro gente boa do nosso prédio, tinha segurado as pernas do cachorro através das grades edifício, permitindo que a menina em cima da caminhonete fugisse.

Chico deu uma entrevista de 10 segundos para o JN e virou o herói da rua.

Saddam ainda hoje é lembrado, no programa Casseta e Planeta, como o cachorro de Maçaranduba. Dizem até que o presidente do Iraque recebeu seu nome em homenagem ao Pit Bull do Bairro Peixoto.

Jamais será esquecido.

abril 01, 2003

Ignorância
Como coloco acentos ou símbolos nos meus links?

março 30, 2003

Nostalgia?
Não tenho mais paciência para novelas. Quando era mais nova, gostava. Assistia a todas: Que rei sou eu?, Tieta, Vale Tudo, Vamp. Enfim, era uma boa noveleira. Mas cansei. Não se fui eu ou as novelas que mudaram.

Alguns dirão que as novelas de antigamente eram mais bem elaboradas: Que rei sou eu? ironizava a ditadura e simbolizava a redemocratização; Tieta se baseava numa obra de Jorge Amado; Vale Tudo escancarava a realidade brasileira; Vamp era um besteirol mesmo!

Acho que as duas hipóteses são verdadeiras. Eu mudei, mas as novelas também não são mais as mesmas.

Já tinha perdido o hábito de assisti-las quando me mudei para a casa da minha avó, há uns dois anos. Ela, é claro, não perde um capítulo. Não é fanática, mas gosta. Acabei pegando carona na televisão dela.

Você tem noção do que foi O Clone?! A novela não tinha pé nem cabeça. As pessoas começavam a dançar do nada. A história do clone era mais estapafúrdia ainda. E o Murilo Benício não ajudou muito. Só se sabia se era o original (Lucas) ou o clone (Léo) pela cor laranja da pele ("bronzeado") do Léo. Ah! O clone também vivia dando piruetas por aí.

No caso da Jade, era fácil descobrir se ela estava pensando no Lucas ou se ele estava por perto. Giovanna Antonelli teimava em ficar superofegante. Não sei quem ensinou isso a ela, mas era esquisitíssimo. Parecia que ela tinha acabado de correr uma maratona.

Depois do Clone, que de tão bizarra chegava a ficar engraçada, parei de acompanhar minha avó no fim do Jornal Nacional. Alguém sabe se Mulheres apaixonadas está indo bem? Sei não, mas acho que com esse título é difícil fazer uma boa novela.

março 27, 2003

Guerra.blogspot.com
Jovens iraquianos e soldados americanos estão deixando suas impressões sobre a guerra em blogs (dica da Fernandinha). Não deixe de visitar. É impressionante. É claro que não tenho como garantir que são verdadeiros, mas, aparentemente são, e a imprensa os tem tratado como tal.

Li dois desses blogs. O L. T. Smash é de um oficial da reserva do exército americano convocado para lutar no Iraque. Ele escreve "ao vivo da caixa de areia" (live from the sendbox). Entre outras coisas, descreve seu primeiro encontro com "locais" (They were excited. They are anticipating the end of Saddam’s evil regime even more than we are.).

Já o blog Where is raed? é de um rapaz que vive em Bagdá com a família. Ele chegou a ficar três dias sem acesso a internet, mas depois postou as informações sobre os dias ausentes. Conta que seu pai e seu irmão foram dar uma volta para ver como estava a cidade. Segundo ele, os ataques parecem ser bastante precisos, mas não deixam de atingir as casas próximas (I guess that is what is called “collateral damage” and that makes it OK?).

Acho que o iraquiano deve estar sem internet novamente, pois não escreve desde o dia 24.

P.S.
Não deixe de ler o verdadeiro manifesto que o iraquiano escreveu contra a guerra. Ele acha que seria possível derrubar Saddam sem o ataque, diz que as sanções contra o Iraque beneficiaram o ditador e que o fanatismo religioso só ganhou força no país após a guerra de 91.

março 25, 2003

O melhor
Considero O Pianista um dos melhores filmes dos últimos tempos. Tudo bem, sou suspeita. Sou judia, meu pai é músico e meu avô, um polonês que fugiu da guerra e viu toda sua família morrer na Europa. O filme, é claro, me tocou profundamente.

Mas, independentemente de tudo isso, acho O Pianista um grande filme. Há cenas antológicas, que não vou contar para não estragar a surpresa de quem ainda não viu. A miséria, o horror e a desumanização gerados por uma guerra poucas vezes foram mostradas com tanta sensibilidade.

“Fazer esse filme me deu a consciência da tristeza e da desumanização das pessoas em tempo de guerra. Espero que as pessoas que crêem em Deus ou em Alá cheguem a uma solução pacífica”, disse Adrien Brody, quando recebeu o Oscar de melhor ator pelo filme.

Brody, aliás, ganhou uma fã (como se isso fizesse diferença...). Ele é maravilhoso! Sua atuação no filme é perfeita, o Oscar foi mais do que merecido. Mas o melhor foi a performance de Adrien durante a premiação: o beijo na Halle Berry, a emoção sincera, a firmeza ao pedir que a orquestra parasse, o discurso emocionante. Ele é lindo!

O pior
Pobre de quem, como eu, assistiu à transmissão do Oscar no SBT. O comentarista Rubens Ewald Filho não dava uma dentro. Ele chegou a travar o seguinte diálogo com Marília Gabriela, quando anunciaram o nome de Brody como melhor ator:

- Como ele é feio!
- Mas ele é tão bom ator que chega a ficar bonito, respondeu Marília.
- Não! É impossível! Ele é muito feio!
Silêncio.


Deve ser inveja. Um homem que usa aquela barba ridícula não pode ser normal. Nem gente boa.

março 22, 2003

Tom e Vinícius
No CD Tom canta Vinícius há uma poesia de uma simplicidade e ternura comoventes. É um poeminha escrito de improviso em uma partitura, reproduzida na capa do CD. O disco é uma gravação de um show ao vivo do Tom, realizado dez anos após a morte de Vinícius. Este é o poema:

Meu Vinícius de Moraes
Não consigo te esquecer
Quanto mais o tempo passa
Mais me lembro de você

Cadê meu poetinha?
Cadê minha letra, cadê?
E morro neste piano
De saudade de você
Tom e Chico
Linda também é uma entrevista com Chico Buarque no mesmo site. Ele conta histórias sobre o Tom, inclusive sobre a primeira parceria dos dois: Retrato em Branco e Preto. Uma das músicas mais bonitas que já ouvi. Olha o que o Chico fala:

...eu não tinha prática e não sabia exatamente como ele receberia a letra - [Tom] aprovar assim de cara, pra mim foi ótimo. Eu não tinha muita segurança daquilo não, porque eu fui aprender a fazer letra com a prática, inclusive trabalhando com o Tom. De você tentar dominar a música do teu parceiro, entrar naquela música, fazer a letra que você imagina que o sujeito quer fazer com aquela música e tal. Eu era verde ainda para ser parceiro do Tom na época...

Ele estava "verde" quando escreveu Retrato em Branco e Preto!

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto e que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos
Que num album de retratos
Eu teimo em colecionar

Lá vou eu de novo, como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Prá lhe dizer que isto é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração
Tom
Há alguns anos descobri um site maravilhoso chamado Clube do Tom. Adoro tudo que vem de Tom Jobim e este site é especial porque, além das letras de todas as músicas do maestro, há textos, entrevistas e depoimentos lindos. Um deles é esta conversa entre Clarice Lispector e Tom. Vou reproduzir um trecho.

(Clarice) - Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita é como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal.

- E mineral também, e vegetal também! (Ele ri.) Acho que sou um músico que acredita em palavras. Li ontem o teu O búfalo e A imitação da rosa.

- Sim, mas é a morte às vezes.

- A morte não existe, Clarice. Tive uma experiência que me revelou isso. Assim como também não existe o eu nem o euzinho nem o euzão. Fora essa experiência que não vou contar, temo a morte 24 horas por dia. A morte do eu, eu te juro, Clarice, porque eu vi.

- Você acredita na reencarnação?

- Não sei. Dizem os hindus que só entende de reencarnação quem tem consciência das várias vidas que viveu. Evidentemente, não é o meu ponto de vista: se existe reencarnação, só pode ser por um despojamento.

Dei-lhe então a epígrafe de um de meus livros: é uma frase de Bernard Berenson, crítico de arte: "Uma vida completa talvez seja aquela que termina em tal identificação com o não-eu que não resta um eu para morrer."

- Isto é muito bonito - disse Tom - é o despojamento; Caí numa armadilha porque sem o eu, eu me neguei. Se nos negamos qualquer passagem de um eu para outro, o que significa reencarnação, então a estamos negando.

- Não estou entendendo nada do que estamos falando mas faz sentido. Como podemos falar do que não entendemos! Vamos ver se na próxima reencarnação nós dois nos encontraremos.

março 21, 2003

Bombando
Deu no JB, na coluna Gente:
A calhar
Um trio de estudantes promete bombar a edição comemorativa de quatro anos da festa Loud!, sábado, no Cine Íris. Mariana Queiroz, Nira Bessler e Luciana Queiroz, alunas do curso de Comunicação Social da Uerj, vão aproveitar para lançar o documentário Cine Íris: um templo de contrastes, no qual dissecam o dia-a-dia do antigo cinema da Rua da Carioca. As meninas acompanharam a programação vespertina do local, com shows de strip-tease e filmes pornôs.

Legal a nota, né? Mas "bombar" é foda. Parece festa de playboy.
E não sei de onde a colunista tirou "um templo de contrastes"!! É só "templo de contrates"!!

março 18, 2003

Tias Helenas
Odeio mulheres que falam como professorinhas de primário. O que é aquela Sonia Abrão, que faz um programa à tarde no SBT? E a Sandy? Quem suporta aquela menina sempre dando uma de boazinha e falando com vozinha fina e pausadamente? Mas, na categoria de professorinhas irritantes, ninguém supera D. Rosângela Matheus, nossa "querida" governadora.

março 12, 2003

Bom negócio
Muita gente acha que o que dá lucro aos donos do Cine Íris é a Loud!. Pois estão redondamente enganados. O aluguel para a Loud! é apenas uma graninha extra para eles.

O cinema funciona assim:
A primeira exibição acontece às dez da manhã. Os dois filmes são apresentados alternadamente até a hora do primeiro show, às 15h30. O strip tease das meninas mais a apresentação da Lady Agatha (transformista que faz números cômicos) dura de 30 min a uma hora, dependendo do número de strippers que estiver presente (são sete no total). Depois, voltam os filmes. Às 18h30 há um novo show, e, mais tarde, os pornôs continuam até às 21h30.

Ah! O cinema funciona sete dias por semana, com exceção dos feriados de Natal e de Corpus Christi.

A pessoa pode entrar no cinema a qualquer hora e ficar o tempo que quiser. Com isso, a rotatividade de público é muito grande. Segundo os donos do Íris, entram umas 600 pessoas por dia. O ingresso custa R$ 6,00. Faça as contas.

Os gastos não devem ser muito grandes, já que há poucos funcionários, as strippers não ganham lá grandes coisas e os filmes são exibidos em vídeo (VHS mesmo).

Os donos dizem que não têm interesse em transformar o Íris em um centro cultural, nem em um cinema com filmes "normais". O pornô é certamente mais seguro e lucrativo.
Templo de Contrastes
Está confirmado. O documentário "Cine Íris - Templo de Contrastes" será exibido na próxima Loud!, em 22 de março. Para quem não sabe, é o filme que fiz com a Mariana e a Luciana sobre, obviamente, o Cinema Íris.

Hoje fomos tirar fotos para a divulgação do filme. Foi engraçado voltar ao Íris três meses depois da última visita. Algumas coisas mudaram. Agora são apenas dois filmes pornôs, e não três, como "antigamente". E, acredite se quiser, vão instalar ar-condicionado no Cine Íris!!

O público vai ter menos opções "cinematográficas", mas, pelo menos, vai ver os filmes "no fresquinho".

março 08, 2003

Detalhes
Dois momentos chamaram a minha atenção na entrevista.

Num, Hussein perguntou a Dan Rather se o repórter não iria tomar o café.
Você teria coragem de beber o cafezinho do Saddam?

Em outro momento do papo, Hussein interrompeu um dos tradutores. Ele não havia transmitido com exatidão a fala do ditador: "Eu disse Mr. Bush, e não apenas Bush. Devemos tratar toda a humanidade com respeito, até os nossos inimigos", disse vovô Saddam.

Olhei para meu irmão (que assistia à entrevista comigo), ele olhou para mim. Pensamos na mesma coisa: esse tradutor vai acordar morto amanhã.

Com todo respeito, é claro.
Simpatia é quase amor?
Saddam Hussein deu a primeira entrevista a um jornalista americano em 13 anos. Devo dizer que me surpreendi com o ditador sanguinário e cruento. Ele é simpático. Passaria tranqüilamente por um vizinho bonachão, não fosse o bigode.

Pode ser ingenuidade minha, mas confesso que esperava algo diferente. Não sei, talvez um diabo babão e com caninos proeminentes. Não encontrei nada disso. Ao contrário dos contos de fadas, o mal não é tão óbvio na vida real.

Se ele não fosse carismárico, não teria chegado aonde chegou, penso agora.

Acho isso assustador!

março 05, 2003

Tristeza não tem fim
O filme é lindo, feminino, triste.
É um pouco meu estado de espírito hoje.
Cinzas
Vi As Horas, filme que entrou em cartaz essa semana.
Não devia ter ido em uma quarta-feira de cinzas.
Pra tudo se acabar na quarta feira
Carnaval, desengano
Deixei a dor em casa me esperando
E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta feira sempre desce o pano


(Chico Buarque)