Gabeira!
novembro 03, 2008
outubro 19, 2008
Antiguidades
No início da tarde, olhou em volta e percebeu que o céu estava branco. Pensou melancolicamente sobre o lugar onde estava. Embaixo do MASP, em cima das ruas de São Paulo. Caminhou pelo vão cheio de barraquinhas, com os mais diversos badulaques, que eles chamavam de "antiguidades". Observou as moedas com que comprava chicletes na infância, os brinquedos com os quais brincava, as latinhas de creme que com inveja via sua mãe usar. "Se são antiguidades, também sou". E talvez fosse.
Sentia-se uma antiguidade desde os 9 anos de idade, quando revelou aos amiguinhos que gostava de assistir ao jornal na TV e preferia as conversas ininteligíveis dos adultos a Carrossel.
No início da tarde, olhou em volta e percebeu que o céu estava branco. Pensou melancolicamente sobre o lugar onde estava. Embaixo do MASP, em cima das ruas de São Paulo. Caminhou pelo vão cheio de barraquinhas, com os mais diversos badulaques, que eles chamavam de "antiguidades". Observou as moedas com que comprava chicletes na infância, os brinquedos com os quais brincava, as latinhas de creme que com inveja via sua mãe usar. "Se são antiguidades, também sou". E talvez fosse.
Sentia-se uma antiguidade desde os 9 anos de idade, quando revelou aos amiguinhos que gostava de assistir ao jornal na TV e preferia as conversas ininteligíveis dos adultos a Carrossel.
setembro 11, 2008
Capítulo 3
Aquela cidade representava igualmente solidão e liberdade. Acolhimento e distância. Clichê que fosse, sua mais completa tradução era mesmo a música de Caetano.
Nada sentiu quando cruzou a Ipiranga e a São João. Lembrou-se apenas da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, sem a praia a duas quadras dali.
O tempo a ensinaria a abandonar o ressentimento pela cidade cinza. Sentindo-se íntima, passaria a chamá-la de Sampa.
Admiraria sua organização caótica. Seria, então, impossível não pensar nos belos contrastes da cidade como uma Lapa amplificada.
"Em São Paulo as coisas acontecem", era o que Ana repetia e acreditava. Era por isso que estava ali.
A beleza de São Paulo não era óbvia como a do Rio de Janeiro, era uma beleza sutil. De repente, percebeu-se um homem do tipo mais ordinário, que não enxerga além de belas coxas e seios fartos, que não percebe que as mulheres mais bonitas escondem-se em detalhes.
Levaria bastante tempo para perceber tudo isso.
Naquele momento, Ana pensava que ter duas casas era como ter nenhuma. Era como sempre algo faltar. Era como nunca pertencer.
Aquela cidade representava igualmente solidão e liberdade. Acolhimento e distância. Clichê que fosse, sua mais completa tradução era mesmo a música de Caetano.
Nada sentiu quando cruzou a Ipiranga e a São João. Lembrou-se apenas da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, sem a praia a duas quadras dali.
O tempo a ensinaria a abandonar o ressentimento pela cidade cinza. Sentindo-se íntima, passaria a chamá-la de Sampa.
Admiraria sua organização caótica. Seria, então, impossível não pensar nos belos contrastes da cidade como uma Lapa amplificada.
"Em São Paulo as coisas acontecem", era o que Ana repetia e acreditava. Era por isso que estava ali.
A beleza de São Paulo não era óbvia como a do Rio de Janeiro, era uma beleza sutil. De repente, percebeu-se um homem do tipo mais ordinário, que não enxerga além de belas coxas e seios fartos, que não percebe que as mulheres mais bonitas escondem-se em detalhes.
Levaria bastante tempo para perceber tudo isso.
Naquele momento, Ana pensava que ter duas casas era como ter nenhuma. Era como sempre algo faltar. Era como nunca pertencer.
setembro 07, 2008
Capítulo 2
Ana compartilhava com Garfield seu ódio às segundas-feiras. Talvez sua melancolia fosse maior nesses dias. A consciência de ser acordada em horário pré-determinado por outros era mais intensa no primeiro (ou segundo?) dia da semana.
Sempre chegava atrasada no trabalho. Se dissesse que não a incomodava o zum zum zum dos colegas quando aparecia quase 40 minutos depois do horário estabelecido, mentiria. Ao mesmo tempo sua vontade era gritar: “acordai, irmãos! Acordai, mas acordai na hora em que bem entendei, puta que pariu!”.
Contraditoriamente, seu senso de responsabilidade era muito forte, assim como seu orgulho. Talvez por isso seu chefe poucas vezes ousara fazer insinuações sobre o hábito marginal de chegar atrasada pelas manhãs. Ana algumas vezes lutou contra ele – o hábito -, mas quase sempre perdeu. E, depois, desistiu.
Era essa sua demonstração torta de marginalidade. Sua forma de mostrar que não era igual. Tola. Tola. Ela sabia. Sua dualidade era o desejo inseparável de pertencer e esnobar, de querer igualar-se e diferenciar-se com a mesma intensidade. Pensou em colocar aí a origem de sua melancolia, mas sabia que estaria sendo, mais uma vez, tola.
Na hora do almoço, gostava invariavelmente de companhia, especialmente de uma menina que conhecera no trabalho. Ela pouco, quase nada, tinha em comum com Ana.
Júlia era doce, tímida e triste. Sentia-se sempre menos. Ana tinha um sentimento maternal por Júlia. Admirava sua sensibilidade, embora tivessem gostos tão diferentes. Júlia não gostava de ler, era fã das comédias românticas americanas e adorava comprar roupas. Mas sabia as pessoas muito antes delas mesmas.
- Vamos descer?, ligou para Júlia.
- Vamos. Vou terminar de escrever um e-mail. A gente se encontra lá embaixo em 5 minutos, disse Júlia, desligando o telefone.
Quando Ana chegou ao lobby do prédio, Júlia já estava lá. Ela sempre chegava antes, nunca deixava ninguém esperando por ela. No íntimo, tinha um medo danado de ser esquecida.
- O Pedro não me ligou de novo. Não entendo o que está acontecendo.
Os homens de Júlia sempre a abandonavam aos poucos. Como se realmente deixassem de lembrar e, aos poucos, ela desaparecesse para eles.
Ana sentia uma tristeza por Júlia. Qual homem conseguiria ver por trás de suas distorções defensivas e a enxergaria realmente?
- Você também parece triste, Ana. Não fica não. A gente acaba se adaptando a tudo.
Júlia talvez tivesse razão, mas Ana sempre tivera dificuldade de adequar-se e, em São Paulo, essa falta parecia ainda maior.
No início, muita coisa a incomodava tremendamente em São Paulo. Sabia que muito era implicância, pura saudade de casa, recalque mesmo. Entretanto, nem tudo, nem tudo...
Começava pelo sotaque de uma parte dos paulistanos. Ao contrário de muita gente, não a incomodava o “r” caipira, quase americano, dos nativos do interior de São Paulo. Era o modo meio anasalado de falar, pronunciado especialmente por algumas “patricinhas” locais, que lhe dava arrepios.
O ar provinciano – pois é, dizia isso – de alguns paulistanos a surpreendeu. Essa mania de exibir o que têm, de só “freqüentar” determinados lugares “bem freqüentados”, por gente igual que só “freqüenta” os mesmos locais, essa mania era irritante demais para ela.
O cabelo liso da maioria das meninas, sempre de maquiagem, sempre de salto alto, sempre de bolsa-combinando-com-sapato, tudo isso a fazia sentir-se um peixe fora d’água.
Apesar de todas as críticas, tentava adaptar-se. Embora tenha se recusado a alisar os cabelos, comprou os tais sapatos de salto e adotou a maquiagem no dia-a-dia. Mas sempre achava que os outros perceberiam que não era ela ali atrás.
Ana compartilhava com Garfield seu ódio às segundas-feiras. Talvez sua melancolia fosse maior nesses dias. A consciência de ser acordada em horário pré-determinado por outros era mais intensa no primeiro (ou segundo?) dia da semana.
Sempre chegava atrasada no trabalho. Se dissesse que não a incomodava o zum zum zum dos colegas quando aparecia quase 40 minutos depois do horário estabelecido, mentiria. Ao mesmo tempo sua vontade era gritar: “acordai, irmãos! Acordai, mas acordai na hora em que bem entendei, puta que pariu!”.
Contraditoriamente, seu senso de responsabilidade era muito forte, assim como seu orgulho. Talvez por isso seu chefe poucas vezes ousara fazer insinuações sobre o hábito marginal de chegar atrasada pelas manhãs. Ana algumas vezes lutou contra ele – o hábito -, mas quase sempre perdeu. E, depois, desistiu.
Era essa sua demonstração torta de marginalidade. Sua forma de mostrar que não era igual. Tola. Tola. Ela sabia. Sua dualidade era o desejo inseparável de pertencer e esnobar, de querer igualar-se e diferenciar-se com a mesma intensidade. Pensou em colocar aí a origem de sua melancolia, mas sabia que estaria sendo, mais uma vez, tola.
Na hora do almoço, gostava invariavelmente de companhia, especialmente de uma menina que conhecera no trabalho. Ela pouco, quase nada, tinha em comum com Ana.
Júlia era doce, tímida e triste. Sentia-se sempre menos. Ana tinha um sentimento maternal por Júlia. Admirava sua sensibilidade, embora tivessem gostos tão diferentes. Júlia não gostava de ler, era fã das comédias românticas americanas e adorava comprar roupas. Mas sabia as pessoas muito antes delas mesmas.
- Vamos descer?, ligou para Júlia.
- Vamos. Vou terminar de escrever um e-mail. A gente se encontra lá embaixo em 5 minutos, disse Júlia, desligando o telefone.
Quando Ana chegou ao lobby do prédio, Júlia já estava lá. Ela sempre chegava antes, nunca deixava ninguém esperando por ela. No íntimo, tinha um medo danado de ser esquecida.
- O Pedro não me ligou de novo. Não entendo o que está acontecendo.
Os homens de Júlia sempre a abandonavam aos poucos. Como se realmente deixassem de lembrar e, aos poucos, ela desaparecesse para eles.
Ana sentia uma tristeza por Júlia. Qual homem conseguiria ver por trás de suas distorções defensivas e a enxergaria realmente?
- Você também parece triste, Ana. Não fica não. A gente acaba se adaptando a tudo.
Júlia talvez tivesse razão, mas Ana sempre tivera dificuldade de adequar-se e, em São Paulo, essa falta parecia ainda maior.
No início, muita coisa a incomodava tremendamente em São Paulo. Sabia que muito era implicância, pura saudade de casa, recalque mesmo. Entretanto, nem tudo, nem tudo...
Começava pelo sotaque de uma parte dos paulistanos. Ao contrário de muita gente, não a incomodava o “r” caipira, quase americano, dos nativos do interior de São Paulo. Era o modo meio anasalado de falar, pronunciado especialmente por algumas “patricinhas” locais, que lhe dava arrepios.
O ar provinciano – pois é, dizia isso – de alguns paulistanos a surpreendeu. Essa mania de exibir o que têm, de só “freqüentar” determinados lugares “bem freqüentados”, por gente igual que só “freqüenta” os mesmos locais, essa mania era irritante demais para ela.
O cabelo liso da maioria das meninas, sempre de maquiagem, sempre de salto alto, sempre de bolsa-combinando-com-sapato, tudo isso a fazia sentir-se um peixe fora d’água.
Apesar de todas as críticas, tentava adaptar-se. Embora tenha se recusado a alisar os cabelos, comprou os tais sapatos de salto e adotou a maquiagem no dia-a-dia. Mas sempre achava que os outros perceberiam que não era ela ali atrás.
setembro 04, 2008
agosto 22, 2008
Quando húngaro faz sentido
Quando a tarde caiu e a Dança Húngara ainda não havia sido interpretada, sentiu uma frustração tremenda.
Desde que assistira O Grande Ditador, de Chaplin, a Dança Húngara, de Brahms, tornara-se sua música favorita daquele momento.
Alegre, agitada, humorística e linda. A Dança Húngara fazia com que sentisse vontade de dançar mesmo, embora nunca houvesse visto ninguém dançar embalado ao som da Dança Húngara.
Quando a tarde caiu e a Dança Húngara ainda não havia sido interpretada, sentiu uma frustração tremenda.
Desde que assistira O Grande Ditador, de Chaplin, a Dança Húngara, de Brahms, tornara-se sua música favorita daquele momento.
Alegre, agitada, humorística e linda. A Dança Húngara fazia com que sentisse vontade de dançar mesmo, embora nunca houvesse visto ninguém dançar embalado ao som da Dança Húngara.
agosto 10, 2008
Capítulo 1
Um depois do outro. Para baixo e para cima. Esticados e dobrados. Unhas brancas. Pés gelados. Olhando para eles, Ana pensava no que faria aquela tarde.
Acordara minutos antes ao som do alarme antibombas da Paulista. Nunca entendera direito para que um alarme antibombas em momentos de paz, em um país que nos tempos recentes não conheceu a guerra (à parte a urbana).
De qualquer forma, por motivos bem pessoais, gostava daquele alarme. Ele impedia que ela dormisse demais aos domingos. Meio-dia estava sempre de pé. Ou ao menos de olhos abertos.
Naquele domingo, 10 de abril de 2005, ela ainda não havia levantado da cama. Olhava para seus pés, pensando aonde os levaria naquela tarde.
Sempre precisava ao menos de uns 20 minutos para sair da cama. O momento de acordar era o pior de seu dia. Preguiça. Não era uma mulher (mulher?) diurna.
Contraditoriamente, odiava, sim a palavra é odiar, odiava fazer nada.
Levantou.
Apartamento de um quarto grande até, para os dias de hoje. Estava de bom tamanho para alguém sozinha.
Os pés gelados no chão, andava pela casa. Há um ano chegava a Sampa. Achou que seria uma reviravolta na sua vida. Não teve medo. Estava cansada no Rio, sentindo-se empacada.
Realmente, a reviravolta veio. Não foi exatamente como ela imaginava. Foi o fim de sua infância protegida. Não sabia que o tempo atual era bem diferente do tempo da casa dos seus pais.
Viveu em casa os amores fraterno e paterno. Conheceu a ética, o bem-estar, as brigas e revoltas também, é verdade. Mas tudo com muito respeito.
Criança que era, achava que conhecia o mundo, esnobava a ingenuidade e tinha certezas “absolutas”. Achava que a mentira era para poucos, vejam só. E o pior. Acreditava que era forte. Que se virava sozinha. Que sempre saberia o que fazer. Que o afeto era fácil.
Em Sampa, conheceu a solidão. E não estava sozinha.
Quando, enfim, tomou um banho e se arrumou para sair, já eram mais de duas da tarde.
Foi à livraria FNAC da Paulista. Morava a uma quadra da avenida, na Campinas, do lado menos nobre, o centro. Havia lido em algum lugar que a FNAC não gostava de ser chamada de “livraria”, porque era mais do que isso. Não gostou. Pensava: o que pode ser “mais” do que uma livraria? Nunca deixou de ir, entretanto.
Comprou o jornal e sentou no café da livraria. Leu o jornal de ontem, com notícias de anteontem, como já dizia o poeta. Essas coisas rápidas dos tempos de hoje, às vezes a incomodavam. Principalmente aos domingos. Não navegava na internet, sequer ligava o computador nos fins de semana. Era uma regra que se impôs.
- Naninha!
Virou. Só seus amigos mais próximos e antigos a chamavam assim. Mal acreditou quando viu Alexandre. Amigo de colégio. Graaande Alex!, respondeu.
Que saudade! Que saudade! Era o afeto de que precisava. Alex sempre foi um de seus amigos mais inteligentes e afetuosos. Não daquele afeto superficial, sem compromisso. Mas de um amor real, que sempre estava presente quando um de seus queridos precisava.
Ao mesmo tempo, sabia ser sarcástico e irônico quando queria. Tinha um discurso cínico, que não combinava com seu jeito de ser. Quem o conhecia, sabia.
- Naninha, que saudade!
- Puxa, você veio para Sampa e nem me ligou...
- Vim a trabalho na sexta, ia voltar no mesmo dia, mas decidi ficar mais alguns.
- Entendi. Que bom te ver! O que você vai fazer hoje? Está sozinho?
- Vou encontrar uma menina mais tarde. Conheci num barzinho na sexta.
- Entendi. Legal! Senta aí. Vamos tomar café juntos.
Sentiu as ondas de afeto, a delicadeza do sentimento que dá sem pedir retorno, e sentiu-se como uma bateria quase vazia colocada em uma tomada. Feliz.
Alex não era bonito. Ao contrário, muitos diriam que era feio mesmo. Ela, no dia que o conheceu, também achou. Mas, hoje, brigava quando falavam algo do tipo a seu respeito. Sempre dizia:
- Ele é um dos caras mais bonitos que já conheci.
E realmente achava. Não metaforicamente apenas. Achava.
Conheciam-se há dez anos. Brigaram uma vez, quando tinham 16. Os dois, muito competitivos, tiveram uma discussão áspera por causa de um jogo de sua época, chamado “Imagem e Ação”. Ana tinha certeza de que não era permitido usar o alfabeto, nenhuma letra! Ele insistiu no contrário. Brigaram e ficaram várias e intermináveis horas sem se falar.
Depois voltaram. Falaram-se como se nada houvesse acontecido.
E esta foi a briga que tiveram.
Ana pensava em Alex como um irmão. Gostava dele de uma forma infinita, muito terna. Mas não era sexualmente atraída por ele. Ao contrário, houve um período em que Alex foi realmente apaixonado por Ana, nos idos dos anos 90. Este período passou. Passou de todo coração. E Alex via Ana como uma irmã.
- O que você tem feito de bom?
- Trabalho. Trabalho.
- É, eu também.
- Gosto do meu trabalho, só que às vezes sinto falta da arte.
- Eu estou bem. Gosto muito do que faço. Trabalho demais, às vezes me estresso, mas não consigo pensar na vida de outra forma, contou Alex.
E ficaram conversando por algumas horas, uma conversa de quem se vê sempre. Uma conversa que não indicava que há muitos meses eles nem se falavam, pelas distâncias da vida.
Quando Alex teve que ir embora para encontrar a menina, Ana estava feliz, apenas por ter encontrado o amigo. Sentia-se outra. Mais confiante, a Ana de antigamente.
Era engraçado. Ana tinha convicções muito fortes sobre a vida. Sabia muito sobre o certo e o errado, o bom e o mau, o querer e o não-querer. Aquele ano sozinha em São Paulo abalou suas certezas. E o contato com Alex fazia com elas voltassem, ao menos por algum tempo.
Um depois do outro. Para baixo e para cima. Esticados e dobrados. Unhas brancas. Pés gelados. Olhando para eles, Ana pensava no que faria aquela tarde.
Acordara minutos antes ao som do alarme antibombas da Paulista. Nunca entendera direito para que um alarme antibombas em momentos de paz, em um país que nos tempos recentes não conheceu a guerra (à parte a urbana).
De qualquer forma, por motivos bem pessoais, gostava daquele alarme. Ele impedia que ela dormisse demais aos domingos. Meio-dia estava sempre de pé. Ou ao menos de olhos abertos.
Naquele domingo, 10 de abril de 2005, ela ainda não havia levantado da cama. Olhava para seus pés, pensando aonde os levaria naquela tarde.
Sempre precisava ao menos de uns 20 minutos para sair da cama. O momento de acordar era o pior de seu dia. Preguiça. Não era uma mulher (mulher?) diurna.
Contraditoriamente, odiava, sim a palavra é odiar, odiava fazer nada.
Levantou.
Apartamento de um quarto grande até, para os dias de hoje. Estava de bom tamanho para alguém sozinha.
Os pés gelados no chão, andava pela casa. Há um ano chegava a Sampa. Achou que seria uma reviravolta na sua vida. Não teve medo. Estava cansada no Rio, sentindo-se empacada.
Realmente, a reviravolta veio. Não foi exatamente como ela imaginava. Foi o fim de sua infância protegida. Não sabia que o tempo atual era bem diferente do tempo da casa dos seus pais.
Viveu em casa os amores fraterno e paterno. Conheceu a ética, o bem-estar, as brigas e revoltas também, é verdade. Mas tudo com muito respeito.
Criança que era, achava que conhecia o mundo, esnobava a ingenuidade e tinha certezas “absolutas”. Achava que a mentira era para poucos, vejam só. E o pior. Acreditava que era forte. Que se virava sozinha. Que sempre saberia o que fazer. Que o afeto era fácil.
Em Sampa, conheceu a solidão. E não estava sozinha.
Quando, enfim, tomou um banho e se arrumou para sair, já eram mais de duas da tarde.
Foi à livraria FNAC da Paulista. Morava a uma quadra da avenida, na Campinas, do lado menos nobre, o centro. Havia lido em algum lugar que a FNAC não gostava de ser chamada de “livraria”, porque era mais do que isso. Não gostou. Pensava: o que pode ser “mais” do que uma livraria? Nunca deixou de ir, entretanto.
Comprou o jornal e sentou no café da livraria. Leu o jornal de ontem, com notícias de anteontem, como já dizia o poeta. Essas coisas rápidas dos tempos de hoje, às vezes a incomodavam. Principalmente aos domingos. Não navegava na internet, sequer ligava o computador nos fins de semana. Era uma regra que se impôs.
- Naninha!
Virou. Só seus amigos mais próximos e antigos a chamavam assim. Mal acreditou quando viu Alexandre. Amigo de colégio. Graaande Alex!, respondeu.
Que saudade! Que saudade! Era o afeto de que precisava. Alex sempre foi um de seus amigos mais inteligentes e afetuosos. Não daquele afeto superficial, sem compromisso. Mas de um amor real, que sempre estava presente quando um de seus queridos precisava.
Ao mesmo tempo, sabia ser sarcástico e irônico quando queria. Tinha um discurso cínico, que não combinava com seu jeito de ser. Quem o conhecia, sabia.
- Naninha, que saudade!
- Puxa, você veio para Sampa e nem me ligou...
- Vim a trabalho na sexta, ia voltar no mesmo dia, mas decidi ficar mais alguns.
- Entendi. Que bom te ver! O que você vai fazer hoje? Está sozinho?
- Vou encontrar uma menina mais tarde. Conheci num barzinho na sexta.
- Entendi. Legal! Senta aí. Vamos tomar café juntos.
Sentiu as ondas de afeto, a delicadeza do sentimento que dá sem pedir retorno, e sentiu-se como uma bateria quase vazia colocada em uma tomada. Feliz.
Alex não era bonito. Ao contrário, muitos diriam que era feio mesmo. Ela, no dia que o conheceu, também achou. Mas, hoje, brigava quando falavam algo do tipo a seu respeito. Sempre dizia:
- Ele é um dos caras mais bonitos que já conheci.
E realmente achava. Não metaforicamente apenas. Achava.
Conheciam-se há dez anos. Brigaram uma vez, quando tinham 16. Os dois, muito competitivos, tiveram uma discussão áspera por causa de um jogo de sua época, chamado “Imagem e Ação”. Ana tinha certeza de que não era permitido usar o alfabeto, nenhuma letra! Ele insistiu no contrário. Brigaram e ficaram várias e intermináveis horas sem se falar.
Depois voltaram. Falaram-se como se nada houvesse acontecido.
E esta foi a briga que tiveram.
Ana pensava em Alex como um irmão. Gostava dele de uma forma infinita, muito terna. Mas não era sexualmente atraída por ele. Ao contrário, houve um período em que Alex foi realmente apaixonado por Ana, nos idos dos anos 90. Este período passou. Passou de todo coração. E Alex via Ana como uma irmã.
- O que você tem feito de bom?
- Trabalho. Trabalho.
- É, eu também.
- Gosto do meu trabalho, só que às vezes sinto falta da arte.
- Eu estou bem. Gosto muito do que faço. Trabalho demais, às vezes me estresso, mas não consigo pensar na vida de outra forma, contou Alex.
E ficaram conversando por algumas horas, uma conversa de quem se vê sempre. Uma conversa que não indicava que há muitos meses eles nem se falavam, pelas distâncias da vida.
Quando Alex teve que ir embora para encontrar a menina, Ana estava feliz, apenas por ter encontrado o amigo. Sentia-se outra. Mais confiante, a Ana de antigamente.
Era engraçado. Ana tinha convicções muito fortes sobre a vida. Sabia muito sobre o certo e o errado, o bom e o mau, o querer e o não-querer. Aquele ano sozinha em São Paulo abalou suas certezas. E o contato com Alex fazia com elas voltassem, ao menos por algum tempo.
julho 24, 2008
julho 20, 2008
julho 10, 2008
Não sei
Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar
P.S. Este poema é atribuído na net à Cora Coralina. Não consegui confirmar essa informação. De qualquer forma, achei lindo, simples e delicado. E faz sentido que tenha sido escrito por uma mulher. Que seja Cora.
Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar
P.S. Este poema é atribuído na net à Cora Coralina. Não consegui confirmar essa informação. De qualquer forma, achei lindo, simples e delicado. E faz sentido que tenha sido escrito por uma mulher. Que seja Cora.
julho 09, 2008
julho 07, 2008
Visitas
De vez em quando a tristeza me visita.
Uma vez, ela fez umas cócegas e me levou a rir com amargura.
Outra, me deu um cansaço tão grande que fiquei com preguiça de abandoná-la.
Agora não sei.
Já me disseram que dessa vez não foi a tristeza, mas a melancolia que me procurou.
Mas não seriam a mesma?, perguntei. Se não a mesma, parentes muito próximas. Mais que primas, mais que irmãs. Talvez gêmeas. Parecem-se muito, mas jamais são realmente idênticas.
A melancolia me visita com mais freqüência talvez.
Às vezes com motivo, às vezes sem.
De vez em quando a tristeza me visita.
Uma vez, ela fez umas cócegas e me levou a rir com amargura.
Outra, me deu um cansaço tão grande que fiquei com preguiça de abandoná-la.
Agora não sei.
Já me disseram que dessa vez não foi a tristeza, mas a melancolia que me procurou.
Mas não seriam a mesma?, perguntei. Se não a mesma, parentes muito próximas. Mais que primas, mais que irmãs. Talvez gêmeas. Parecem-se muito, mas jamais são realmente idênticas.
A melancolia me visita com mais freqüência talvez.
Às vezes com motivo, às vezes sem.
junho 02, 2008
Ponte Aérea
Labirintos de algodão se formaram em minha frente. Já os tinha visto antes, mas nunca percebi que eram labirintos. O azul em volta, tão calmo, dava a certeza de que o branco era doce. Mas os labirintos se formaram em minha frente, eram óbvios, eram labirintos. Vários. E cada vez que desvendava um, outro aparecia. Aqueles enigmas intermináveis, infinitos como o céu, me angustiaram. Depois, entristeceram-me. Depois, deixaram-me pensativa. Depois, intrigaram-me. E é nesta estágio em que me encontro hoje.
Labirintos de algodão se formaram em minha frente. Já os tinha visto antes, mas nunca percebi que eram labirintos. O azul em volta, tão calmo, dava a certeza de que o branco era doce. Mas os labirintos se formaram em minha frente, eram óbvios, eram labirintos. Vários. E cada vez que desvendava um, outro aparecia. Aqueles enigmas intermináveis, infinitos como o céu, me angustiaram. Depois, entristeceram-me. Depois, deixaram-me pensativa. Depois, intrigaram-me. E é nesta estágio em que me encontro hoje.
abril 09, 2008
Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
fevereiro 21, 2008
Pra viagem, por favor!
"Toda boa viagem rende uma boa história. Só que quando conversamos sobre viagens, fica aquela impressão de que o dono da melhor história é sempre aquele que foi para mais longe. Mentira, uma das melhores viagens que se pode fazer é pra dentro da própria cabeça, ou seja, pertinho.
Sendo Eu é isso: uma viagem para dentro de nossas cabeças, repletas de outras viagens que foram divididas em 12 faixas de muito rock-simpatia. E não podia ser diferente, companhia itinerante que se preze tem mais é que viajar. Morando no Rio, então, nem precisa ir muito longe. Basta pegar um "5-7-qualquer-coisa", parar em algum boteco e bater um papo com os amigos.
Tudo bem, falar sobre si mesmo é sempre complicado - temos a tendência de esconder defeitos e aumentar as qualidades. Entretanto, esse não é o caso de "Sendo Eu". Desta vez, fomos sinceros para reconhecer que não somos flor que se cheire, românticos para fazer declarações de amor, e até rancorosos a ponto de mandar alguém para a Conchinchina.
Portanto, confiram. Sendo Eu já está nas lojas, distribuído pela Som Livre, junto com os primeiros lançamentos do selo Som Livre Apresenta.
E como o disco nada mais é do que um jeito de levar o show pra casa, é só chegar e pedir: pra viagem , por favor!
Informações Técnicas "Sendo Eu" é nosso segundo disco. Foi gravado entre janeiro e agosto de 2007, em casa e no estúdio Boombox (Rio de Janeiro). Mixado por Pedro Garcia no estúdio Boombox e masterizado por Bob Weston no Chicago Mastering Studio (EUA - Chicago).
Breve Histórico 2007: GAS Festival (Guaraná Antártica Street) e Festival do Edgard 2006: Noite Branca, Fundição Progresso, Atitude.com, Mola (Mostra Livre de Artes), Geringonça (SESC-Tijuca), Sopa de Entulho(SESC-Madureira), Vespeiro e Mistureba Rock Clube. 2005: Lançamento do disco "Um conto de Pragmatismo Fantástico", Prêmio London Burning (categoria revelação) e Festival de Primavera PUC-Rio. 2004: Lançamento da Primeira Demo. 2000: Sprite Sounds.
Companhia Itinerante é:
Caio Figueiredo - Voz e guitarra
Chico Junqueira - Baixo e voz
David Bessler - Guitarra e voz
Diogo Salles - Guitarra e voz
Jonathan Gregory - Bateria e percussão
Contato
companhiaitinerante@yahoo.com.br
www.companhiaitinerante.com
Dala Mídia (21) 2547-1690 | (21) 8771-7007
dalamidia@gmail.com"
De: http://www.somlivreapresenta.com.br/artista_companhia.asp
"Toda boa viagem rende uma boa história. Só que quando conversamos sobre viagens, fica aquela impressão de que o dono da melhor história é sempre aquele que foi para mais longe. Mentira, uma das melhores viagens que se pode fazer é pra dentro da própria cabeça, ou seja, pertinho.
Sendo Eu é isso: uma viagem para dentro de nossas cabeças, repletas de outras viagens que foram divididas em 12 faixas de muito rock-simpatia. E não podia ser diferente, companhia itinerante que se preze tem mais é que viajar. Morando no Rio, então, nem precisa ir muito longe. Basta pegar um "5-7-qualquer-coisa", parar em algum boteco e bater um papo com os amigos.
Tudo bem, falar sobre si mesmo é sempre complicado - temos a tendência de esconder defeitos e aumentar as qualidades. Entretanto, esse não é o caso de "Sendo Eu". Desta vez, fomos sinceros para reconhecer que não somos flor que se cheire, românticos para fazer declarações de amor, e até rancorosos a ponto de mandar alguém para a Conchinchina.
Portanto, confiram. Sendo Eu já está nas lojas, distribuído pela Som Livre, junto com os primeiros lançamentos do selo Som Livre Apresenta.
E como o disco nada mais é do que um jeito de levar o show pra casa, é só chegar e pedir: pra viagem , por favor!
Informações Técnicas "Sendo Eu" é nosso segundo disco. Foi gravado entre janeiro e agosto de 2007, em casa e no estúdio Boombox (Rio de Janeiro). Mixado por Pedro Garcia no estúdio Boombox e masterizado por Bob Weston no Chicago Mastering Studio (EUA - Chicago).
Breve Histórico 2007: GAS Festival (Guaraná Antártica Street) e Festival do Edgard 2006: Noite Branca, Fundição Progresso, Atitude.com, Mola (Mostra Livre de Artes), Geringonça (SESC-Tijuca), Sopa de Entulho(SESC-Madureira), Vespeiro e Mistureba Rock Clube. 2005: Lançamento do disco "Um conto de Pragmatismo Fantástico", Prêmio London Burning (categoria revelação) e Festival de Primavera PUC-Rio. 2004: Lançamento da Primeira Demo. 2000: Sprite Sounds.
Companhia Itinerante é:
Caio Figueiredo - Voz e guitarra
Chico Junqueira - Baixo e voz
David Bessler - Guitarra e voz
Diogo Salles - Guitarra e voz
Jonathan Gregory - Bateria e percussão
Contato
companhiaitinerante@yahoo.com.br
www.companhiaitinerante.com
Dala Mídia (21) 2547-1690 | (21) 8771-7007
dalamidia@gmail.com"
De: http://www.somlivreapresenta.com.br/artista_companhia.asp
janeiro 27, 2008
Filmes do fim de semana
Filmes excelentes no fim de semana. Dois marcantes: Noivas e Lanternas Vermelhas.
Vou escrever sobre o primeiro, já que o segundo assisti com muitos anos de atraso.
Filme grego, com produção executiva de Martin Scorsese, Noivas conta a história de jovens mulheres, especialmente gregas, que cruzaram o oceano em época de guerra e escassez de homens, para casar com desconhecidos. Os futuros maridos eram imigrantes que foram viver nos Estados Unidos e procuravam esposas em sua terra de origem.
A película é extremamente sensível e feminina. E, aliás, nisso Noivas lembra Lanternas Vermelhas. Ambos me fazem pensar em como minhas antepassadas sofreram com a falta de opções de vida, sendo dependentes de homens, sem poder de escolha sobre suas vidas.
Com todos os problemas de nossa época, fico feliz de ter nascido hoje, sendo dona de minhas escolhas e de minha sexualidade.
Enfim, recomendo os dois filmes. Noivas têm um casal de protagonistas cativante, uma história de amor bonita e realista. Sobre Lanternas Vermelhas não há muito mais o que dizer. Não é à toa que virou um clássico.
Filmes excelentes no fim de semana. Dois marcantes: Noivas e Lanternas Vermelhas.
Vou escrever sobre o primeiro, já que o segundo assisti com muitos anos de atraso.
Filme grego, com produção executiva de Martin Scorsese, Noivas conta a história de jovens mulheres, especialmente gregas, que cruzaram o oceano em época de guerra e escassez de homens, para casar com desconhecidos. Os futuros maridos eram imigrantes que foram viver nos Estados Unidos e procuravam esposas em sua terra de origem.
A película é extremamente sensível e feminina. E, aliás, nisso Noivas lembra Lanternas Vermelhas. Ambos me fazem pensar em como minhas antepassadas sofreram com a falta de opções de vida, sendo dependentes de homens, sem poder de escolha sobre suas vidas.
Com todos os problemas de nossa época, fico feliz de ter nascido hoje, sendo dona de minhas escolhas e de minha sexualidade.
Enfim, recomendo os dois filmes. Noivas têm um casal de protagonistas cativante, uma história de amor bonita e realista. Sobre Lanternas Vermelhas não há muito mais o que dizer. Não é à toa que virou um clássico.
novembro 03, 2007
Piaf
Em meio ao feriado de trabalho, chuvoso para ajudar, não me restou muito mais o que fazer do que assistir a alguns filmes. Foram 5 em 2 dias. Um não me sai da cabeça, mais pela música do que pelo filme em si: Piaf, um hino de amor.
A película não é brilhante, no conjunto parece mais uma colagem de cenas, do que um único filme. Acho que a edição que o diretor pensava não funcionou muito bem. Isso não significa que não tenha gostado. Há momentos inesquecíveis, a começar pela atriz, que é inacreditavelmente perfeita! Cativante, ela sim, brilhante.
Outro ponto alto do filme é a própria história e personalidade de Edith Piaf. É difícil pensar que tanto aconteceu em menos de 50 anos: a morte de uma filha, o auge e o fundo do poço e o auge novamente, o vício, um grande amor, uma queda de avião...
Mas, no fim das contas, o que fica mesmo é a música. Não páro de ouvir (no Youtube há várias gravações originais) e pensar nas músicas do filme desde que saí da sala de cinema. A canção que realmente não sai da minha cabeça é uma das mais famosas delas, que encerra o filme. Belíssima na voz de Edith:
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal!
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé!
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux!
Balayées les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal!
Non! Rien de rien
Non!Je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi!
http://www.youtube.com/watch?v=i_QABS88nDc
Em meio ao feriado de trabalho, chuvoso para ajudar, não me restou muito mais o que fazer do que assistir a alguns filmes. Foram 5 em 2 dias. Um não me sai da cabeça, mais pela música do que pelo filme em si: Piaf, um hino de amor.
A película não é brilhante, no conjunto parece mais uma colagem de cenas, do que um único filme. Acho que a edição que o diretor pensava não funcionou muito bem. Isso não significa que não tenha gostado. Há momentos inesquecíveis, a começar pela atriz, que é inacreditavelmente perfeita! Cativante, ela sim, brilhante.
Outro ponto alto do filme é a própria história e personalidade de Edith Piaf. É difícil pensar que tanto aconteceu em menos de 50 anos: a morte de uma filha, o auge e o fundo do poço e o auge novamente, o vício, um grande amor, uma queda de avião...
Mas, no fim das contas, o que fica mesmo é a música. Não páro de ouvir (no Youtube há várias gravações originais) e pensar nas músicas do filme desde que saí da sala de cinema. A canção que realmente não sai da minha cabeça é uma das mais famosas delas, que encerra o filme. Belíssima na voz de Edith:
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal!
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé!
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux!
Balayées les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal!
Non! Rien de rien
Non!Je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi!
http://www.youtube.com/watch?v=i_QABS88nDc
outubro 20, 2007
Rio de janeiro, fevereiro e março
Havia um sentimento vago, fantasioso e mesmo literário de que se morresse naquele momento, caindo sobre as águas da Guanabara, não morreria.
A morte passava-lhe ao longe e, ao mesmo tempo, era-lhe íntima. Temia e desejava o limite, porém, inexplicavelmente.
Como é linda e fabulosa a minha cidade. Como sou triste longe dela. Ao menos, neste momento, acho. Vendo-a quase completa. Vendo-a inacreditavelmente ainda mais bela. Sob a ponte aérea, a ponte marítima e a ponte terrestre.
As águas negras da Guanabara.
Havia um sentimento vago, fantasioso e mesmo literário de que se morresse naquele momento, caindo sobre as águas da Guanabara, não morreria.
A morte passava-lhe ao longe e, ao mesmo tempo, era-lhe íntima. Temia e desejava o limite, porém, inexplicavelmente.
Como é linda e fabulosa a minha cidade. Como sou triste longe dela. Ao menos, neste momento, acho. Vendo-a quase completa. Vendo-a inacreditavelmente ainda mais bela. Sob a ponte aérea, a ponte marítima e a ponte terrestre.
As águas negras da Guanabara.
outubro 08, 2007
Insensatez
Aproximei-me de novo. Olhei. Não vi por detrás de seus olhos. O amassado por entre suas negras sobrancelhas me questionava. Não sabia o que dizer. Distanciei-me de novo.
Pensei em abraçá-lo, mas não tive coragem. Estava de costas agora. Senti o frio na espinha. Tinha mais certeza de si quando não o via. Beijei-o na cabeça. Mas ele não percebeu. E sua tristeza continuou me envolvendo.
Sentia-me, mas não me sabia, fonte de sua infelicidade. Talvez não devesse ter saído naquele momento. Eu era fria. Nada. Ou era o oposto. E preferia não estar ali e fugir. E pensei mais em mim do que nele.
Naquele momento, desacreditei todas as minhas crenças. E fiz-me quem não era (ou desfiz quem gostaria de ser).
How insensitive
Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes / Norman Gimbel
How insensitive I must have seemed
When she told me that she loved me
How unmoved and cold I must have seemed
When she told me so sincerely
Why? She must have asked
Did I just turn and stare in icy silence?
What was I to say
What can you say
When a love affair is over
Now she's gone away
And I'm alone
With a memory of her last look
Vague and drawn and sad
I see it still
All her heartbreak in that last look
How, she must have asked
Could I just turn and stare in icy silence
What was I to do
What can you do
When a love affair is over
Aproximei-me de novo. Olhei. Não vi por detrás de seus olhos. O amassado por entre suas negras sobrancelhas me questionava. Não sabia o que dizer. Distanciei-me de novo.
Pensei em abraçá-lo, mas não tive coragem. Estava de costas agora. Senti o frio na espinha. Tinha mais certeza de si quando não o via. Beijei-o na cabeça. Mas ele não percebeu. E sua tristeza continuou me envolvendo.
Sentia-me, mas não me sabia, fonte de sua infelicidade. Talvez não devesse ter saído naquele momento. Eu era fria. Nada. Ou era o oposto. E preferia não estar ali e fugir. E pensei mais em mim do que nele.
Naquele momento, desacreditei todas as minhas crenças. E fiz-me quem não era (ou desfiz quem gostaria de ser).
How insensitive
Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes / Norman Gimbel
How insensitive I must have seemed
When she told me that she loved me
How unmoved and cold I must have seemed
When she told me so sincerely
Why? She must have asked
Did I just turn and stare in icy silence?
What was I to say
What can you say
When a love affair is over
Now she's gone away
And I'm alone
With a memory of her last look
Vague and drawn and sad
I see it still
All her heartbreak in that last look
How, she must have asked
Could I just turn and stare in icy silence
What was I to do
What can you do
When a love affair is over
outubro 07, 2007
Solidão Paulista (de 2005)
Solidão. Como uma mulher como ela poderia se sentir tão só? Uma mulher. Uma mulher? Uma confusão. As velhas questões humanas, repetidas e repetidas e repetidas por milhares de anos, repetiam-se também em sua mente. Quem era ela? O que ela queria? Por que se sentia tão só? Por que essa melancolia não passava?
Solidão. Tentava fugir dela. estava sempre cercada de gente. Às vezes esquecia. Mas era por pouco tempo. Ela se achava especial. Pensava que não era digna daquele sentimento.
Mas os livros pela mesa, a televisão sempre ligada, o rádio como companheiro, a necessidade do som a sua volta. Sons humanos. Carecia de humanos. Queria gente por perto. Mas quando a gente estava por perto, muitas vezes preferia ficar sozinha.
Só. Com seus pensamentos. Devaneios. Questionamentos. Desrespostas.
Decidiu sair. Caminhar. A avenida Paulista estava cheia de gente. Camelôs, shoppings de contrabandos, transeuntes. Tanta gente. Mas ela queria conhecer estas pessoas? Seriam interessantes? O que elas têm a dizer por mais de cinco minutos?
Será pretenciosa, arrogante e preconceituosa? A maioria das pessoas lhe parecia tão desinteressante e ao mesmo fascinante. Um sentimento dúbio de que todos têm algo a ser explorado, desvendado, mostrado. Mas por algumas horas ou minutos. Quem ela quer conhecer profundamente?
O rapaz de gorro de lã passa ao seu lado. O que ele tem a dizer? Nunca vai saber. Talvez nunca mais o veja e, se o ver, provavelmente, não o reconhecerá.
Ligar para os amigos? Para as amigas? Para a lista de telefones do seu celular? Mas, quem são todas essas pessoas? Talvez conheça, realmente, cinco ou seis.
Do seu lado direito, o Masp. Do seu lado esquerdo, o Trianon. O vão, aquela área imensa vazia e eterna, ampliava sua solidão.
...
Solidão. Como uma mulher como ela poderia se sentir tão só? Uma mulher. Uma mulher? Uma confusão. As velhas questões humanas, repetidas e repetidas e repetidas por milhares de anos, repetiam-se também em sua mente. Quem era ela? O que ela queria? Por que se sentia tão só? Por que essa melancolia não passava?
Solidão. Tentava fugir dela. estava sempre cercada de gente. Às vezes esquecia. Mas era por pouco tempo. Ela se achava especial. Pensava que não era digna daquele sentimento.
Mas os livros pela mesa, a televisão sempre ligada, o rádio como companheiro, a necessidade do som a sua volta. Sons humanos. Carecia de humanos. Queria gente por perto. Mas quando a gente estava por perto, muitas vezes preferia ficar sozinha.
Só. Com seus pensamentos. Devaneios. Questionamentos. Desrespostas.
Decidiu sair. Caminhar. A avenida Paulista estava cheia de gente. Camelôs, shoppings de contrabandos, transeuntes. Tanta gente. Mas ela queria conhecer estas pessoas? Seriam interessantes? O que elas têm a dizer por mais de cinco minutos?
Será pretenciosa, arrogante e preconceituosa? A maioria das pessoas lhe parecia tão desinteressante e ao mesmo fascinante. Um sentimento dúbio de que todos têm algo a ser explorado, desvendado, mostrado. Mas por algumas horas ou minutos. Quem ela quer conhecer profundamente?
O rapaz de gorro de lã passa ao seu lado. O que ele tem a dizer? Nunca vai saber. Talvez nunca mais o veja e, se o ver, provavelmente, não o reconhecerá.
Ligar para os amigos? Para as amigas? Para a lista de telefones do seu celular? Mas, quem são todas essas pessoas? Talvez conheça, realmente, cinco ou seis.
Do seu lado direito, o Masp. Do seu lado esquerdo, o Trianon. O vão, aquela área imensa vazia e eterna, ampliava sua solidão.
...
Foi um rio que passou em minha vida
(Paulinho da Viola)
Se um dia meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração tem mania de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos ficou, ficou
Só um amor pode apagar
Porém (ai, porém)
Há um caso diferente que marcou num breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de carnaval
Carregava uma tristeza
Não pensava em outro amor
Quando alguém que não me lembro anunciou:
Portela! Portela!
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou
Ai, minha Portela, quando vi você passar
Senti o meu coração apressado
Todo o meu corpo tomado
Minha alegria voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu; nem era do mar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
(Paulinho da Viola)
Se um dia meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração tem mania de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos ficou, ficou
Só um amor pode apagar
Porém (ai, porém)
Há um caso diferente que marcou num breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de carnaval
Carregava uma tristeza
Não pensava em outro amor
Quando alguém que não me lembro anunciou:
Portela! Portela!
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou
Ai, minha Portela, quando vi você passar
Senti o meu coração apressado
Todo o meu corpo tomado
Minha alegria voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu; nem era do mar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
junho 04, 2007

Greed has poisoned men's souls; has barricaded the world with hate; has goose-stepped us into misery and bloodshed. We have developed speed, but we have shut ourselves in. Machinery that gives abundance has left us in want. Our knowledge as made us cynical; our cleverness, hard and unkind. We think too much and feel too little.
Charles Chaplin
março 31, 2007
X - A Questão
A professora tinha uma letra bonita. Quando crescesse queria ter uma letra igual a dela. A que mais gostava era o X.
O X era engraçado, mas, ao mesmo tempo, despertava nela uma profunda compaixão. "Coitadinho do X", pensava, sentida.
Afinal, o X era relegado a alguma palavras pouco usadas. Às vezes, era mesmo renegado. Quem escreve xampu com X?, perguntou-se certa vez.
Outro questionamento que sempre se fazia era: quem inventou o CH? Sujeito muito burro ou muito cruel. Se já existe uma letra com som de X - o próprio, por acaso - para que juntar duas letras que criam o mesmo som? Nada prático.
Queria perguntar essas perguntas para a professora, mas ficava envergonhada. Olhava para o quadro e ficava a admirar a letra da professora. Queria que ela escrevesse uma palavra com X.
Mas isso nunca acontecia...
A professora tinha uma letra bonita. Quando crescesse queria ter uma letra igual a dela. A que mais gostava era o X.
O X era engraçado, mas, ao mesmo tempo, despertava nela uma profunda compaixão. "Coitadinho do X", pensava, sentida.
Afinal, o X era relegado a alguma palavras pouco usadas. Às vezes, era mesmo renegado. Quem escreve xampu com X?, perguntou-se certa vez.
Outro questionamento que sempre se fazia era: quem inventou o CH? Sujeito muito burro ou muito cruel. Se já existe uma letra com som de X - o próprio, por acaso - para que juntar duas letras que criam o mesmo som? Nada prático.
Queria perguntar essas perguntas para a professora, mas ficava envergonhada. Olhava para o quadro e ficava a admirar a letra da professora. Queria que ela escrevesse uma palavra com X.
Mas isso nunca acontecia...
março 17, 2007
Terça-feia
Terça-feira era um dia triste para ela. Terça feia!, sempre pensava. Para segunda-feira, preparava-se psicologicamente, mas terça era a confirmação de que a semana começara com toda força.
Deitada em sua cama, ao lado do despertador histérico, sonhava com aquele samba: "eu faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã". Não sabia se preguiçosa ou se covarde, mas terrível era acordar terça-feira de manhã cedo.
Se cinzento o céu, então!, aí não havia como! Puxava o cobertor fofo e quentinho, enfiava a cabeça no travesseiro e... nem pensava no trabalho. Depois, depois.
"Patrão, o trem atrasou, por isso estou chegando agora. Trago aqui o memorando da Central. O trem atrasou meia hora. O senhor não tem razão para me mandar embora", diria.
Melhor era o mundo do sonho! Melhor era curtir um sambinha! Melhor era não precisar acordar na hora certo!
Ao menos, nas terças-feiras...
"Sonho meu!", suspirou. E levantou, sacudindo a poeira.
Terça-feira era um dia triste para ela. Terça feia!, sempre pensava. Para segunda-feira, preparava-se psicologicamente, mas terça era a confirmação de que a semana começara com toda força.
Deitada em sua cama, ao lado do despertador histérico, sonhava com aquele samba: "eu faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã". Não sabia se preguiçosa ou se covarde, mas terrível era acordar terça-feira de manhã cedo.
Se cinzento o céu, então!, aí não havia como! Puxava o cobertor fofo e quentinho, enfiava a cabeça no travesseiro e... nem pensava no trabalho. Depois, depois.
"Patrão, o trem atrasou, por isso estou chegando agora. Trago aqui o memorando da Central. O trem atrasou meia hora. O senhor não tem razão para me mandar embora", diria.
Melhor era o mundo do sonho! Melhor era curtir um sambinha! Melhor era não precisar acordar na hora certo!
Ao menos, nas terças-feiras...
"Sonho meu!", suspirou. E levantou, sacudindo a poeira.
março 04, 2007
Seria uma vez...
Quando era criança, eu teria uma casa muito linda. Branquinha e de telhado vermelho como nos sonhos clássicos. Uma rede balançaria na varanda. Eu seria independente. Trabalharia no que eu gostava. Teria um marido lindo, carinhoso e compreensivo. No futuro, teria um casal de filhos. Numas longas férias, eu moraria com toda família num barco confortável e conheceria o mundo todo. Faria muitos amigos e falaria, pelo menos, cinco idiomas. Quando eu era criança, eu seria assim.
.
Quando era criança, eu teria uma casa muito linda. Branquinha e de telhado vermelho como nos sonhos clássicos. Uma rede balançaria na varanda. Eu seria independente. Trabalharia no que eu gostava. Teria um marido lindo, carinhoso e compreensivo. No futuro, teria um casal de filhos. Numas longas férias, eu moraria com toda família num barco confortável e conheceria o mundo todo. Faria muitos amigos e falaria, pelo menos, cinco idiomas. Quando eu era criança, eu seria assim.
.
março 01, 2007
fevereiro 11, 2007
Perdidos


A dor une a humanidade? Acho que hoje mais do que a dor, a solidão. A solidão acompanhada, como a mostrada em Encontros e Desencontros, é cada vez mais comum. Será esse nosso futuro?
A gente vive, procura novas experiências, se joga, é independente. Mas ser independente é bom? Eu prefiro depender de um sentimento.
É impossível ser feliz sozinho.
fevereiro 04, 2007
Samba é tudo de bom
Um pouco de Cartola. Triste, mas alegra o dia. :)
O mundo é um moinho
Cartola
Ainda é cedo amor,
mal começaste a conhecer a vida,
já anuncias a hora da partida,
sem saber mesmo o rumo que irás tomar.
Presta atenção querida,
embora eu saiba que estás resolvida,
em cada esquina cai um pouco a tua vida,
em pouco tempo não serás mais o que és.
Ouça-me bem amor, preste atenção,
o mundo é um moinho,
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,
vai reduzir as ilusões à pó.
Presta atenção querida,
de cada amor tu herdarás só o cinismo,
quando notares estás a beira do abismo,
abismo que cavaste com teus pés.
Ainda é cedo amor,
mal começaste a conhecer a vida,
já anuncias a hora de partida,
sem saber mesmo o rumo que irás tomar.
Presta atenção querida,
embora eu saiba que estás resolvida,
em cada esquina cai um pouco a tua vida,
e em pouco tempo não serás mais o que és.
Ouça me bem amor,
presta atenção o mundo é um moinho,
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,
vai reduzir as ilusões a pó.
Presta atenção querida,
de cada amor tu herdarás só o cinismo,
quando notares estás a beira do abismo,
abismo que cavaste com teus pés.
Um pouco de Cartola. Triste, mas alegra o dia. :)
O mundo é um moinho
Cartola
Ainda é cedo amor,
mal começaste a conhecer a vida,
já anuncias a hora da partida,
sem saber mesmo o rumo que irás tomar.
Presta atenção querida,
embora eu saiba que estás resolvida,
em cada esquina cai um pouco a tua vida,
em pouco tempo não serás mais o que és.
Ouça-me bem amor, preste atenção,
o mundo é um moinho,
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,
vai reduzir as ilusões à pó.
Presta atenção querida,
de cada amor tu herdarás só o cinismo,
quando notares estás a beira do abismo,
abismo que cavaste com teus pés.
Ainda é cedo amor,
mal começaste a conhecer a vida,
já anuncias a hora de partida,
sem saber mesmo o rumo que irás tomar.
Presta atenção querida,
embora eu saiba que estás resolvida,
em cada esquina cai um pouco a tua vida,
e em pouco tempo não serás mais o que és.
Ouça me bem amor,
presta atenção o mundo é um moinho,
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,
vai reduzir as ilusões a pó.
Presta atenção querida,
de cada amor tu herdarás só o cinismo,
quando notares estás a beira do abismo,
abismo que cavaste com teus pés.
Poemas tristes
Tabacaria é uma das grandes poesias da língua portuguesa. E um retrato do que não quero para mim.
Um trechinho para dar o gosto.
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
(Álvaro de Campos)
Tabacaria é uma das grandes poesias da língua portuguesa. E um retrato do que não quero para mim.
Um trechinho para dar o gosto.
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
(Álvaro de Campos)
fevereiro 03, 2007
Confusões
Não comandamos nossos sentimentos. Não sabemos quando vamos sentir desejo, repulsa, ódio, amor...
Podemos às vezes tentar manipulá-los um pouco. Mas a verdade é que o sentimento original está sempre lá, disfarçado, distorcido.
As falsas proteções que criamos, em geral, trazem dores ainda maiores. Transformam-se em mostrengos internos. Criam atitudes “defensivas”, quase por reflexo, que nem nós mesmos entendemos.
Complica mais ainda saber que a busca do auto-conhecimento tem que destruir, ou ao menos ultrapassar, todas essas distorções. E que muitas vezes não as conhecemos.
Não sei o que é mais complicado: eu ou o mundo.
Não comandamos nossos sentimentos. Não sabemos quando vamos sentir desejo, repulsa, ódio, amor...
Podemos às vezes tentar manipulá-los um pouco. Mas a verdade é que o sentimento original está sempre lá, disfarçado, distorcido.
As falsas proteções que criamos, em geral, trazem dores ainda maiores. Transformam-se em mostrengos internos. Criam atitudes “defensivas”, quase por reflexo, que nem nós mesmos entendemos.
Complica mais ainda saber que a busca do auto-conhecimento tem que destruir, ou ao menos ultrapassar, todas essas distorções. E que muitas vezes não as conhecemos.
Não sei o que é mais complicado: eu ou o mundo.
janeiro 27, 2007
dezembro 29, 2006
O velho ditado
Escolhas, escolhas, escolhas... Há algo mais clichê do que "a vida é feita de escolhas"?
Mas o pior é perceber na prática quando se fez uma escolha errada. Hoje, por exemplo, não deveria estar em Itaipu. Decisão totalmente errada, impulsiva, burra, pode-se dizer.
Mas o pior é perceber que não tiro nenhuma lição disso. Não há o "pelo menos", o lado bom, o aprendizado. Algo me diz que vou continuar fazendo escolhas erradas por muito tempo na minha vida.
Mas às vezes acerto.
Mas...
Escolhas, escolhas, escolhas... Há algo mais clichê do que "a vida é feita de escolhas"?
Mas o pior é perceber na prática quando se fez uma escolha errada. Hoje, por exemplo, não deveria estar em Itaipu. Decisão totalmente errada, impulsiva, burra, pode-se dizer.
Mas o pior é perceber que não tiro nenhuma lição disso. Não há o "pelo menos", o lado bom, o aprendizado. Algo me diz que vou continuar fazendo escolhas erradas por muito tempo na minha vida.
Mas às vezes acerto.
Mas...
dezembro 18, 2006
Eu quero um samba
(Haroldo Barbosa e Janet de Almeida)
Eu quero um samba feito só pra mim
Eu quero a melodia feita assim
Quero sambar
porque no samba eu sei que vou
A noite inteira até o sol raiar
Ah! Quando o samba acaba,
eu fico triste então
Vai melancolia, eu quero alegria
dentro do meu coração
Ah! Quando o samba acaba,
eu fico triste então
Vai melancolia,
eu quero alegria
dentro do meu coração
Eu quero um samba feito,
um samba feito só pra mim
Eu quero a melodia feita assim
Quero sambar
porque no samba eu sei que vou
A noite inteira até o sol raiar
(Haroldo Barbosa e Janet de Almeida)
Eu quero um samba feito só pra mim
Eu quero a melodia feita assim
Quero sambar
porque no samba eu sei que vou
A noite inteira até o sol raiar
Ah! Quando o samba acaba,
eu fico triste então
Vai melancolia, eu quero alegria
dentro do meu coração
Ah! Quando o samba acaba,
eu fico triste então
Vai melancolia,
eu quero alegria
dentro do meu coração
Eu quero um samba feito,
um samba feito só pra mim
Eu quero a melodia feita assim
Quero sambar
porque no samba eu sei que vou
A noite inteira até o sol raiar
dezembro 10, 2006
Dia e noite, noite e dia
Tarde da noite. Aquela luminosidade que apenas as madrugadas têm inquietava os olhos e animava o coração. Tudo ficava claro, simples, sem obstáculos. Pelo menos, até a manhã posterior.
Dia. Era impressionante como a luminosidade do sol do meio-dia ofuscava a visão. Dúvidas, intrigas, incertezas, culpas. Tudo aparecia pela manhã.
Tarde da noite. Aquela luminosidade que apenas as madrugadas têm inquietava os olhos e animava o coração. Tudo ficava claro, simples, sem obstáculos. Pelo menos, até a manhã posterior.
Dia. Era impressionante como a luminosidade do sol do meio-dia ofuscava a visão. Dúvidas, intrigas, incertezas, culpas. Tudo aparecia pela manhã.
dezembro 05, 2006
O (maldito) desejo
A difícil arte de conciliar o querer e o poder. Ou melhor, o querer e o fazer. O desejo às vezes é imenso, mas o medo pode ser maior. Até que ponto o medo é proteção, segurança e até que ponto é burrice, limitação?
Desejar mergulhar em um mundo e ficar apenas na beiradinha, apreciando de longe, com uma certa inveja de quem está lá dentro, pode ser um sofrimento indescritível. Será maior do que o sofrimento da frustração?
Ou será que o planejamento-a-longo-prazo dá certo?
A vida é uma só. Não há tanto tempo para esperar a resposta certa.
A difícil arte de conciliar o querer e o poder. Ou melhor, o querer e o fazer. O desejo às vezes é imenso, mas o medo pode ser maior. Até que ponto o medo é proteção, segurança e até que ponto é burrice, limitação?
Desejar mergulhar em um mundo e ficar apenas na beiradinha, apreciando de longe, com uma certa inveja de quem está lá dentro, pode ser um sofrimento indescritível. Será maior do que o sofrimento da frustração?
Ou será que o planejamento-a-longo-prazo dá certo?
A vida é uma só. Não há tanto tempo para esperar a resposta certa.
outubro 29, 2006
Do verde para o colorido
O tempo passa, a gente amadurece. Parece uma coisa assim pretensiosa e talvez seja. Pode ser que amanhã olhe para trás e pense: como era boba. E sou. Mas menos. É aos poucos mesmo.
Amadurecer. Quando eu era criança ouvia essa palavra e já associava: gente madura, gente chata!
Descobri que é o contrário. Gente madura deixa de ser chata. E curte o que há de melhor na vida.
O tempo passa, a gente amadurece. Parece uma coisa assim pretensiosa e talvez seja. Pode ser que amanhã olhe para trás e pense: como era boba. E sou. Mas menos. É aos poucos mesmo.
Amadurecer. Quando eu era criança ouvia essa palavra e já associava: gente madura, gente chata!
Descobri que é o contrário. Gente madura deixa de ser chata. E curte o que há de melhor na vida.
agosto 31, 2006
Morfeu
Sono. Os olhos fecham apesar da luminosidade e dos ruídos constantes à sua volta. Mas ela nem sente. Ouve umas palavras soltas, que pouco significam: gestãããão... fixaaaa... esforçççç...
Manter as pálpebras abertas é quase tão complicado quanto o que o professor diz. Mover um músculo, levantar um dedo, separar o lábio inferior do lábio superior. São muitos músculos.
O sono é sagrado, pensa - ou sonha, não tem certeza. Nada mais correto do que respeitar o sono. A essência sobre a matéria. O desejo sobre a obrigação. Conforta-se. Aconchega-se. Enfim, dorme.
Sono. Os olhos fecham apesar da luminosidade e dos ruídos constantes à sua volta. Mas ela nem sente. Ouve umas palavras soltas, que pouco significam: gestãããão... fixaaaa... esforçççç...
Manter as pálpebras abertas é quase tão complicado quanto o que o professor diz. Mover um músculo, levantar um dedo, separar o lábio inferior do lábio superior. São muitos músculos.
O sono é sagrado, pensa - ou sonha, não tem certeza. Nada mais correto do que respeitar o sono. A essência sobre a matéria. O desejo sobre a obrigação. Conforta-se. Aconchega-se. Enfim, dorme.
agosto 27, 2006
Tristeza
É estranha e engraçada a tristeza da solidão. Uma certa mistura de autopiedade melodramática que leva alguém a colocar uma música triste apenas para se deliciar mais de sua própria condição - a consciência da miséria humana. As divagações ganham espaço: o que une a humanindade é a dor.
O melodrama é sempre tragicômico. O exagero tira um pouco da sinceridade da dor. Beira o absurdo. Mas os latinos temos isso: somos capazes de expor e depois rir da dor.
Tristeza não tem fim felicidade sim. Uma frase um tanto trágica para uma bela música. Todo grande amor só é bem grande se for triste. É outra canção. A tristeza é senhora. E assim há milhares de canções que enaltecem a tristeza. Não é engraçado?
É estranha e engraçada a tristeza da solidão. Uma certa mistura de autopiedade melodramática que leva alguém a colocar uma música triste apenas para se deliciar mais de sua própria condição - a consciência da miséria humana. As divagações ganham espaço: o que une a humanindade é a dor.
O melodrama é sempre tragicômico. O exagero tira um pouco da sinceridade da dor. Beira o absurdo. Mas os latinos temos isso: somos capazes de expor e depois rir da dor.
Tristeza não tem fim felicidade sim. Uma frase um tanto trágica para uma bela música. Todo grande amor só é bem grande se for triste. É outra canção. A tristeza é senhora. E assim há milhares de canções que enaltecem a tristeza. Não é engraçado?
agosto 25, 2006
O Afeganistão fica logo ali
Nada como bons livros para tornar humano tudo aquilo que nos parece estrangeiro.
Dois excelentes livros - distintos e complementares - sobre o Afeganistão. Ou melhor sobre a gente do Afeganistão. Quem são, o que sentem, como vivem. Os dois estão nas listas dos mais vendidos, no Brasil: O Caçador de Pipas e O Livreiro de Cabul.
Nada como bons livros para tornar humano tudo aquilo que nos parece estrangeiro.
Dois excelentes livros - distintos e complementares - sobre o Afeganistão. Ou melhor sobre a gente do Afeganistão. Quem são, o que sentem, como vivem. Os dois estão nas listas dos mais vendidos, no Brasil: O Caçador de Pipas e O Livreiro de Cabul.
agosto 17, 2006
Braços Abertos sobre a Guanabara
O coração bate mais forte. Sinto a maresia antecipadamente. Aquele cheiro de sal e umidade, gotículas microscópicas por todo o corpo. Que saudade, que saudade!
As montanhas, as cores, o mar. Que saudade do azul e do verde! Todos meus sentidos despertam. O som das ondas, a cor dos dias ensolarados, o gosto do sal, o cheiro do mar, a sensação da maresia no rosto.
Minha cidade é mesmo linda como as canções de Tom e Vinícius.
Minha cidade é a mais bela.
(E eu, nostálgica...)
O coração bate mais forte. Sinto a maresia antecipadamente. Aquele cheiro de sal e umidade, gotículas microscópicas por todo o corpo. Que saudade, que saudade!
As montanhas, as cores, o mar. Que saudade do azul e do verde! Todos meus sentidos despertam. O som das ondas, a cor dos dias ensolarados, o gosto do sal, o cheiro do mar, a sensação da maresia no rosto.
Minha cidade é mesmo linda como as canções de Tom e Vinícius.
Minha cidade é a mais bela.
(E eu, nostálgica...)
agosto 13, 2006
Arte
A arte purifica a alma e traz de volta a realidade. É essa a minha sensação ao término da Festa Literária de Parati.
A arte é necessária para nos lembrar de quem realmente somos, do que realmente queremos. Ela é o real. Ou, como disse a Adélia Prado, de quem me tornei fã, é a transcendência de que tanto precisamos para viver.
É como se a rotina e o dia-a-dia duro das escolhas "racionais" empoeirassem nosso olhar e precisássemos da arte como uma espécie de limpador de um para-brisa sujo, para tornar a realidade mais visível, para nos lembrar do que é real: além da nossa razão, a nossa emoção - principalmente.
A música, a literatura, a poesia, as artes plásticas, o cinema são necessários como é necessário comer e trabalhar para sobreviver.
Às vezes esqueço disso. Não queria.
A arte purifica a alma e traz de volta a realidade. É essa a minha sensação ao término da Festa Literária de Parati.
A arte é necessária para nos lembrar de quem realmente somos, do que realmente queremos. Ela é o real. Ou, como disse a Adélia Prado, de quem me tornei fã, é a transcendência de que tanto precisamos para viver.
É como se a rotina e o dia-a-dia duro das escolhas "racionais" empoeirassem nosso olhar e precisássemos da arte como uma espécie de limpador de um para-brisa sujo, para tornar a realidade mais visível, para nos lembrar do que é real: além da nossa razão, a nossa emoção - principalmente.
A música, a literatura, a poesia, as artes plásticas, o cinema são necessários como é necessário comer e trabalhar para sobreviver.
Às vezes esqueço disso. Não queria.
agosto 05, 2006
Companhia Itinerante
Meu irmão está ficando famoso!
Ele é guitarrista de uma banda muito boa, a companhia itinerante, que acabou de fazer um show e dar entrevista no programa atitude.com da TVE.
Para saber mais e ouvir:
http://www.companhiaitinerante.com/
http://www.fotolog.com/ciaitinerante/
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=662974
Meu irmão está ficando famoso!
Ele é guitarrista de uma banda muito boa, a companhia itinerante, que acabou de fazer um show e dar entrevista no programa atitude.com da TVE.
Para saber mais e ouvir:
http://www.companhiaitinerante.com/
http://www.fotolog.com/ciaitinerante/
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=662974
julho 30, 2006
O Doce Vagabundo
Ontem vi, mais uma vez, Luzes da Cidade e, mais uma vez, chorei no final. Que linda a última cena deste filme. Arrisco dizer que é uma das mais bonitas do cinema (pelo menos do que já vi). É de uma ternura, de uma tristeza, de uma emoção sem exageros, de uma doçura...
É por isso que amo os filmes de Charles Chaplin. Ele sabe dosar como ninguém as emoções mais ternas com a comédia (aparentemente) mais simples.
Neste filme, em especial, há cenas de comédia maravilhosas, como a luta de boxe e a tentativa de suicídio do milionário.
Não é à toa que, quase 80 anos depois do lançamento do filme (mudo, é bom enfatizar), ele continua a emocionar e a divertir. A arte não envelhece.
Falando em Chaplin
Os meus dois atores/diretores preferidos são conhecidos como "comediantes": Charles Chaplin e Woody Allen. Embora, aparentemente, eles não tenham muito em comum, os dois têm o mérito de tratar temas cotidianos com muita sensibilidade. E de misturar drama e comédia de uma forma harmônica.
É claro que os dois podem ser opostos: alguém imagina um filme de Allen sem palavras? Chaplin era o ator das multidões, Allen é admirado por poucos. Mas considero os dois geniais, cada um a seu modo. Os dois sensíveis. Os dois percebem a tragédia e a comédia de nosso dia-a-dia, sem optar por um só.
Ontem vi, mais uma vez, Luzes da Cidade e, mais uma vez, chorei no final. Que linda a última cena deste filme. Arrisco dizer que é uma das mais bonitas do cinema (pelo menos do que já vi). É de uma ternura, de uma tristeza, de uma emoção sem exageros, de uma doçura...
É por isso que amo os filmes de Charles Chaplin. Ele sabe dosar como ninguém as emoções mais ternas com a comédia (aparentemente) mais simples.
Neste filme, em especial, há cenas de comédia maravilhosas, como a luta de boxe e a tentativa de suicídio do milionário.
Não é à toa que, quase 80 anos depois do lançamento do filme (mudo, é bom enfatizar), ele continua a emocionar e a divertir. A arte não envelhece.
Falando em Chaplin
Os meus dois atores/diretores preferidos são conhecidos como "comediantes": Charles Chaplin e Woody Allen. Embora, aparentemente, eles não tenham muito em comum, os dois têm o mérito de tratar temas cotidianos com muita sensibilidade. E de misturar drama e comédia de uma forma harmônica.
É claro que os dois podem ser opostos: alguém imagina um filme de Allen sem palavras? Chaplin era o ator das multidões, Allen é admirado por poucos. Mas considero os dois geniais, cada um a seu modo. Os dois sensíveis. Os dois percebem a tragédia e a comédia de nosso dia-a-dia, sem optar por um só.
julho 27, 2006
O mundo é grande mesmo!
O mundo é grande e eu quero conhecê-lo. Cada canto, cada esquina, cada detalhe. O mundo é azul e verde e eu quero conhecer cada folha e cada gota. O mundo é imenso e meu coração é do tamanho do mundo. Meu coração é vermelho e quero viver cada gota. Quero suar, quero acelerar, quero seguir, quero sentir. O mundo é grande e eu sou grande o suficiente para abraçar o mundo.
O mundo é grande e eu quero conhecê-lo. Cada canto, cada esquina, cada detalhe. O mundo é azul e verde e eu quero conhecer cada folha e cada gota. O mundo é imenso e meu coração é do tamanho do mundo. Meu coração é vermelho e quero viver cada gota. Quero suar, quero acelerar, quero seguir, quero sentir. O mundo é grande e eu sou grande o suficiente para abraçar o mundo.
julho 13, 2006
Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós ou Libertas quae sera tamen
A liberdade já foi cantada em verso e prosa pelos mais diferentes autores. Pois tinham razão. Nada melhor do que a liberdade. Principalmente do que a liberdade de seus próprios medos e paranóias. Principalmente quando se percebe o quão bestas elas eram. Principalmente quando se é capaz de olhar para trás e rir das nossas próprias supostas desgraças.
A liberdade já foi cantada em verso e prosa pelos mais diferentes autores. Pois tinham razão. Nada melhor do que a liberdade. Principalmente do que a liberdade de seus próprios medos e paranóias. Principalmente quando se percebe o quão bestas elas eram. Principalmente quando se é capaz de olhar para trás e rir das nossas próprias supostas desgraças.
julho 07, 2006
Insônia
Cinco e oito. O vermelho brilhante no escuro anuncia a hora sem pudor. Hora em que meninas com pudor deveriam estar sonhando, de olhos fechados e consciência distante.
O relógio anuncia que ela não tem pudor. Cinco e oito e ela ainda não dormiu.
O vermelho brilhante é o que mais a incomoda. A luz vermelha. Não poderia ser verde ou azul? Ela se sentia acuada pelo vermelho: cinco e oito.
Tentava fechar os olhos, pensava em carneirinhos pulando uma cerca. Um carneirinho pulou a cerca. O outro bateu com o pé na madeira no instante em que pulava. Coitado. O carneiro caiu de dor!
Ela abriu os olhos. Não podia ver ninguém sofrendo. Mas ali estava o vermelho assustador: cinco e nove.
Aquela luz, ao mesmo tempo discreta e voluptuosa, a incomodava.
Ela procurava paz, o silêncio de que precisava para o descanso. Mas só sentia o barulho do vermelho. Inquietante. Ensurdecedor.
Cinco e oito. O vermelho brilhante no escuro anuncia a hora sem pudor. Hora em que meninas com pudor deveriam estar sonhando, de olhos fechados e consciência distante.
O relógio anuncia que ela não tem pudor. Cinco e oito e ela ainda não dormiu.
O vermelho brilhante é o que mais a incomoda. A luz vermelha. Não poderia ser verde ou azul? Ela se sentia acuada pelo vermelho: cinco e oito.
Tentava fechar os olhos, pensava em carneirinhos pulando uma cerca. Um carneirinho pulou a cerca. O outro bateu com o pé na madeira no instante em que pulava. Coitado. O carneiro caiu de dor!
Ela abriu os olhos. Não podia ver ninguém sofrendo. Mas ali estava o vermelho assustador: cinco e nove.
Aquela luz, ao mesmo tempo discreta e voluptuosa, a incomodava.
Ela procurava paz, o silêncio de que precisava para o descanso. Mas só sentia o barulho do vermelho. Inquietante. Ensurdecedor.
junho 28, 2006
Sabino
De tudo ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.
De tudo ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.
junho 25, 2006
Vida louca vida
A vida é uma só. Feito essa gente que anda brincando com a vida. A vida é feita de altos e baixos. A vida é um hospital onde quase tudo falta. A vida é assim mesmo. A gente tem que curtir a vida. A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Deixa a vida me levar. Vida, minha vida, olha o que é que eu fiz. A vida só se dá para quem se deu.
Sei-lá. A vida tem sempre razão.
A vida é uma só. Feito essa gente que anda brincando com a vida. A vida é feita de altos e baixos. A vida é um hospital onde quase tudo falta. A vida é assim mesmo. A gente tem que curtir a vida. A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Deixa a vida me levar. Vida, minha vida, olha o que é que eu fiz. A vida só se dá para quem se deu.
Sei-lá. A vida tem sempre razão.
junho 23, 2006
Infância
Lembro pouco da minha infância. Eu era muito tímida. Falava pouco. Não era triste. Gostava de brincar. Com meus amiguinhos, mas, se eles não estivessem por perto, brincava sozinha. Tinha cabelos curtos e às vezes me confundiam com menino. Tinha covinhas engraçadas. Gostava de cantar. Gostava de ouvir conversa de adultos, embora nem sempre entendesse suas piadas.
Lendo O Encontro Marcado fiquei com vontade de lembrar.
Lembro pouco da minha infância. Eu era muito tímida. Falava pouco. Não era triste. Gostava de brincar. Com meus amiguinhos, mas, se eles não estivessem por perto, brincava sozinha. Tinha cabelos curtos e às vezes me confundiam com menino. Tinha covinhas engraçadas. Gostava de cantar. Gostava de ouvir conversa de adultos, embora nem sempre entendesse suas piadas.
Lendo O Encontro Marcado fiquei com vontade de lembrar.
junho 17, 2006
Gente
Caetano Veloso
Gente olha pro céu
Gente quer saber o um
Gente é o lugar de se perguntar o um
Das estrelas se perguntarem se tantas são
Cada estrela se espanta à própria explosão
Gente é muito bom
Gente deve ser o bom
Tem de se cuidar, de se respeitar o bom
Está certo dizer que estrelas estão no olhar
De alguém que o amor te elegeu pra amar
Marina, Bethânia, Dolores, Renata, Leilinha, Suzana, Dedé
Gente viva brilhando, estrelas na noite
Gente quer comer
Gente quer ser feliz
Gente quer respirar ar pelo nariz
Não, meu nego, não traia nunca essa força, não
Essa força que mora em seu coração
Gente lavando roupa, amassando pão
Gente pobre arrancando a vida com a mão
No coração da mata, gente quer prosseguir
Quer durar, quer crescer, gente quer luzir
Rodrigo, Roberto, Caetano, Moreno, Francisco, Gilberto, João
Gente é brilhar, não pra morrer de fome
Gente deste planeta do céu de anil
Gente, não entendo, gente, nada nos viu
Gente, espelho de estrelas, reflexo do esplendor
Se as estrelas são tantas, só mesmo amor
Maurício, Lucila, Gildásio, Ivonete, Agripino, Gracinha, Zezé
Gente, espelho da vida, doce mistério
Caetano Veloso
Gente olha pro céu
Gente quer saber o um
Gente é o lugar de se perguntar o um
Das estrelas se perguntarem se tantas são
Cada estrela se espanta à própria explosão
Gente é muito bom
Gente deve ser o bom
Tem de se cuidar, de se respeitar o bom
Está certo dizer que estrelas estão no olhar
De alguém que o amor te elegeu pra amar
Marina, Bethânia, Dolores, Renata, Leilinha, Suzana, Dedé
Gente viva brilhando, estrelas na noite
Gente quer comer
Gente quer ser feliz
Gente quer respirar ar pelo nariz
Não, meu nego, não traia nunca essa força, não
Essa força que mora em seu coração
Gente lavando roupa, amassando pão
Gente pobre arrancando a vida com a mão
No coração da mata, gente quer prosseguir
Quer durar, quer crescer, gente quer luzir
Rodrigo, Roberto, Caetano, Moreno, Francisco, Gilberto, João
Gente é brilhar, não pra morrer de fome
Gente deste planeta do céu de anil
Gente, não entendo, gente, nada nos viu
Gente, espelho de estrelas, reflexo do esplendor
Se as estrelas são tantas, só mesmo amor
Maurício, Lucila, Gildásio, Ivonete, Agripino, Gracinha, Zezé
Gente, espelho da vida, doce mistério
Tolerância
A parada gay, em São Paulo, é um símbolo de tolerância. Ainda que seja superficial, ainda que seja só por um dia, ainda que seja só tolerência e não aceitação.
O Brasil, ou grande parte dele, ainda acredita na ilusão de que aqui não existe preconceito. Totalmente falso. O brasileiro pode até não ser, em sua maioria, violento fisicamente ao expressar seu preconceito. Mas verbalmente certamente o é. E também nas atitudes sem palavras. No dia-a-dia.
Contra gays, contra judeus, contra negros, contra japoneses e descendentes (este eu descobri em São Paulo). É de leve, é quase envergonhado. Mas, não dê espaço, se não quiser ouvir alguns absurdos.
A parada gay, em São Paulo, é um símbolo de tolerância. Ainda que seja superficial, ainda que seja só por um dia, ainda que seja só tolerência e não aceitação.
O Brasil, ou grande parte dele, ainda acredita na ilusão de que aqui não existe preconceito. Totalmente falso. O brasileiro pode até não ser, em sua maioria, violento fisicamente ao expressar seu preconceito. Mas verbalmente certamente o é. E também nas atitudes sem palavras. No dia-a-dia.
Contra gays, contra judeus, contra negros, contra japoneses e descendentes (este eu descobri em São Paulo). É de leve, é quase envergonhado. Mas, não dê espaço, se não quiser ouvir alguns absurdos.
fevereiro 10, 2006
Lar, doce lar
Depois de dois anos em São Paulo, me rendi. Aceitei. Resignei-me. Tão cedo não saio daqui.
Aceitar isso, no entanto, tem suas compensações. Agora posso fazer planos. Já comecei, para falar a verdade.
Hoje assinei o contrato de aluguel do meu apezinho. MEU apezinho. Pela primeira vez vou morar completamente sozinha.
Estou um pouco ansiosa e muito feliz. Tenho uma sensação de independência e liberdade, mas ao mesmo tempo de responsabilidade. Estou virando gente grande. Para o bem e para o mal.
Depois de dois anos em São Paulo, me rendi. Aceitei. Resignei-me. Tão cedo não saio daqui.
Aceitar isso, no entanto, tem suas compensações. Agora posso fazer planos. Já comecei, para falar a verdade.
Hoje assinei o contrato de aluguel do meu apezinho. MEU apezinho. Pela primeira vez vou morar completamente sozinha.
Estou um pouco ansiosa e muito feliz. Tenho uma sensação de independência e liberdade, mas ao mesmo tempo de responsabilidade. Estou virando gente grande. Para o bem e para o mal.
dezembro 04, 2005
Sei lá... a vida tem sempre razão
(Toquinho/Vinícius)
Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender:
A gente mal nasce, começa a morrer.
Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.
Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão.
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão.
A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe,
E o sol que desponta tem que anoitecer.
De nada adianta ficar-se de fora.
A hora do sim é o descuido do não.
Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão.
(Toquinho/Vinícius)
Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender:
A gente mal nasce, começa a morrer.
Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.
Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão.
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão.
A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe,
E o sol que desponta tem que anoitecer.
De nada adianta ficar-se de fora.
A hora do sim é o descuido do não.
Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão.
novembro 21, 2005
Para quem gosta de Vinícius
Eu, que sempre amei Vinícius de Moraes, tenho hoje um estilo de vida oposto àquele que ele gostava e - por meio de sua obra - pregava.
Vai, vai, vai viver, dizia o poeta em Canto de Ossanha.
Ou ainda, em Samba da Benção:
Feito essa gente que anda por aí brincando com a vida
Cuidado companheiro! A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só.
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado em baixo: Deus.
E com firma reconhecida
Ele mergulhou em nove casamentos, mergulhou na poesia e na música e, depois, na reinvenção de sua poesia e música. Sem medo.
Ultimamente, minha vida tem sido muito trabalho. E para quê? para quando vai ficar a vida? para quando vão ficar os riscos?
São Paulo tem me feito mal. Estou cada vez mais me metamorfoseando em paulista. Já uso salto alto. Trabalho enlouquecida e estressantemente. Daqui a pouco serão os terninhos e a chapinha.
Não é nada disso que quero para mim. Conseguirei escapar da armadilha do hábito, do certo e do conforto? Saberei escolher o momento certo?
Depois de ver o documentário - excelente - Vinícius de Moraes essas dúvidas ficaram mais fortes em mim.
Aliás, recomendo o filme. Depoimentos maravilhosos de Chico, Edu Lobo, da filha de Vinícius. Imagens antológicas, como a de Vinícius e Tom completamente bêbados. Músicas lindas. Poemas maravilhosos muito bem declamados.
Mas, uma certeza: com mais de duas horas, é só para quem gosta de Vinícius.
Eu, que sempre amei Vinícius de Moraes, tenho hoje um estilo de vida oposto àquele que ele gostava e - por meio de sua obra - pregava.
Vai, vai, vai viver, dizia o poeta em Canto de Ossanha.
Ou ainda, em Samba da Benção:
Feito essa gente que anda por aí brincando com a vida
Cuidado companheiro! A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só.
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado em baixo: Deus.
E com firma reconhecida
Ele mergulhou em nove casamentos, mergulhou na poesia e na música e, depois, na reinvenção de sua poesia e música. Sem medo.
Ultimamente, minha vida tem sido muito trabalho. E para quê? para quando vai ficar a vida? para quando vão ficar os riscos?
São Paulo tem me feito mal. Estou cada vez mais me metamorfoseando em paulista. Já uso salto alto. Trabalho enlouquecida e estressantemente. Daqui a pouco serão os terninhos e a chapinha.
Não é nada disso que quero para mim. Conseguirei escapar da armadilha do hábito, do certo e do conforto? Saberei escolher o momento certo?
Depois de ver o documentário - excelente - Vinícius de Moraes essas dúvidas ficaram mais fortes em mim.
Aliás, recomendo o filme. Depoimentos maravilhosos de Chico, Edu Lobo, da filha de Vinícius. Imagens antológicas, como a de Vinícius e Tom completamente bêbados. Músicas lindas. Poemas maravilhosos muito bem declamados.
Mas, uma certeza: com mais de duas horas, é só para quem gosta de Vinícius.
novembro 09, 2005
outubro 13, 2005
Top 3
Li uma seqüência de livros MUITO bons neste último mês.
Recomendo os três para quem quiser garantir momentos de deleite literário.
Em ordem de leitura:
Memórias de Minhas Putas Tristes - Gabriel Garcia Marquez
Budapeste - Chico Buarque
O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
O próximo já está na minha mesinha de cabeceira: Encontro Marcado, Fernando Sabino
Li uma seqüência de livros MUITO bons neste último mês.
Recomendo os três para quem quiser garantir momentos de deleite literário.
Em ordem de leitura:
Memórias de Minhas Putas Tristes - Gabriel Garcia Marquez
Budapeste - Chico Buarque
O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
O próximo já está na minha mesinha de cabeceira: Encontro Marcado, Fernando Sabino
setembro 08, 2005
Baladinhas (ou A noite alternativa em São Paulo)
Sim. Existe vida noturna fora das Vilas Olímplia (arghhh!!) e Madalena, em São Paulo. Após um ano e meio de Sampa, finalmente conheci dois lugares muito bacanas para dançar e conhecer gente interessante.
O primeiro é o Saraievo, que fica na Auguta. É uma mistura de Bukowski (antigo) com Loud (antiga). Duas pistas, um ambiente com uns sofazinhos e, antes da meia-noite, umas mesinhas de plástico do lado de fora. E, o melhor, tem cerveja de garrafa com copinho americano!
O outro lugar é mais famosinho: a trash 80's (do centro, claro!). GLS, uma galera divertida e umas músicas muito, muito, muito trash! Versões de músicas americanas (como uma virgem, tocada pela primeira vez), música sertaneja, música brega, músicas da infância (Trem da Alegria, Xuxa, Mara, Balão Mágico...): tudo dos anos 80! É para ir de mente aberta, para rir bastante.
Por enquanto, esses são dos lugares que fui. Me diverti horrores!!! Conheci gente legal... Agora, é catar novos lugares, de preferência bem distantes das vilas.
Sim. Existe vida noturna fora das Vilas Olímplia (arghhh!!) e Madalena, em São Paulo. Após um ano e meio de Sampa, finalmente conheci dois lugares muito bacanas para dançar e conhecer gente interessante.
O primeiro é o Saraievo, que fica na Auguta. É uma mistura de Bukowski (antigo) com Loud (antiga). Duas pistas, um ambiente com uns sofazinhos e, antes da meia-noite, umas mesinhas de plástico do lado de fora. E, o melhor, tem cerveja de garrafa com copinho americano!
O outro lugar é mais famosinho: a trash 80's (do centro, claro!). GLS, uma galera divertida e umas músicas muito, muito, muito trash! Versões de músicas americanas (como uma virgem, tocada pela primeira vez), música sertaneja, música brega, músicas da infância (Trem da Alegria, Xuxa, Mara, Balão Mágico...): tudo dos anos 80! É para ir de mente aberta, para rir bastante.
Por enquanto, esses são dos lugares que fui. Me diverti horrores!!! Conheci gente legal... Agora, é catar novos lugares, de preferência bem distantes das vilas.
setembro 06, 2005
julho 30, 2005
De volta...*
Após alguns meses, deu vontade de escrever aqui novamente. Muitas mudanças, a começar pelo apartamento.
Estou morando em plena Avenida Paulista, a mais conhecida e, sem dúvida, a melhor avenida de São Paulo.
A Paulista é a cara do que há de melhor na cidade. É planejada, grande, prédios imponentes. Há muito espaço para lazer, cultura, passeios, sacanagens.
A avenida e as ruas próximas são repletas de botecos. Mas há também ótimos restaurantes: dos mais chiques aos mais chulés. Nesse sentido, me lembra muito Copacabana, talvez por isso tenha escolhido morar lá.
São 17 cinemas ao todo, desde os "cult", nas recém inauguradas salas do prédio da Gazeta, no Bristol e no Top Center, até o cinemão do Center 3.
Há livrarias, museus, centros culturais, teatros. Sem falar de programas menos cabeça, como passear no Trianon (por que não?) e pela feirinha de antiguidades do Masp aos domingos.
Com certeza, não mencionei nem metade das coisas que têm na Paulista.E preferi não falar de seus problemas. Não hoje, estou de muito bom humor para isso.
Ficam para a próxima também as mudanças da minha vida. A Paulista é mais interessante.
*Por quanto tempo?
Após alguns meses, deu vontade de escrever aqui novamente. Muitas mudanças, a começar pelo apartamento.
Estou morando em plena Avenida Paulista, a mais conhecida e, sem dúvida, a melhor avenida de São Paulo.
A Paulista é a cara do que há de melhor na cidade. É planejada, grande, prédios imponentes. Há muito espaço para lazer, cultura, passeios, sacanagens.
A avenida e as ruas próximas são repletas de botecos. Mas há também ótimos restaurantes: dos mais chiques aos mais chulés. Nesse sentido, me lembra muito Copacabana, talvez por isso tenha escolhido morar lá.
São 17 cinemas ao todo, desde os "cult", nas recém inauguradas salas do prédio da Gazeta, no Bristol e no Top Center, até o cinemão do Center 3.
Há livrarias, museus, centros culturais, teatros. Sem falar de programas menos cabeça, como passear no Trianon (por que não?) e pela feirinha de antiguidades do Masp aos domingos.
Com certeza, não mencionei nem metade das coisas que têm na Paulista.E preferi não falar de seus problemas. Não hoje, estou de muito bom humor para isso.
Ficam para a próxima também as mudanças da minha vida. A Paulista é mais interessante.
*Por quanto tempo?
março 08, 2005
Mulheres pela paz
Uma noite fria e agradavel em Jerusalem. Dia internacional das mulheres. Meu quinto dia na cidade, meu primeiro passeio sozinha. Decidi ir a Cinemateca, um dos pontos da cidade frequentado pelos que, no Brasil, seriam chamados de alternativos. Nao poderia ter feito escolha melhor.
Fui pega totalmente de surpresa por uma programacao voltada para o Dia. Assisti a um excelente documentario sobre mulheres que trabalham pela paz em quatro paises: Afeganistao, Burundi, Bosnia e Argentina. Mulheres que superam dificuldades para fazer o que consideram certo.
O nome do filme: Peace by Peace (mais informacoes no site http://peacexpeace.org). A diretora estava presente. Alem dela, seis mulheres que, de alguma forma, trabalham pela paz entre israelenses e palestinos formaram uma mesa de debates.
Foi interessante ouvir estas mulheres, na maioria de grupos de esquerda, em Israel. Duas delas eram palestinas. Tive a sensacao de que eh possivel fugir dos extremismos, nesta regiao de extremismos, e conviver bem com a diversidade que caracteriza o pais. Aquelas mulheres estavam ali com um objetivo comum, independentemente de suas origens, a paz.
Foi uma noite agradavel, apesar da chuva fria que peguei na saida.
(Foto pessima da palestra: http://nirab.fotos.uol.com.br/jerusalem1/photo.html?currentPage=9)
Uma noite fria e agradavel em Jerusalem. Dia internacional das mulheres. Meu quinto dia na cidade, meu primeiro passeio sozinha. Decidi ir a Cinemateca, um dos pontos da cidade frequentado pelos que, no Brasil, seriam chamados de alternativos. Nao poderia ter feito escolha melhor.
Fui pega totalmente de surpresa por uma programacao voltada para o Dia. Assisti a um excelente documentario sobre mulheres que trabalham pela paz em quatro paises: Afeganistao, Burundi, Bosnia e Argentina. Mulheres que superam dificuldades para fazer o que consideram certo.
O nome do filme: Peace by Peace (mais informacoes no site http://peacexpeace.org). A diretora estava presente. Alem dela, seis mulheres que, de alguma forma, trabalham pela paz entre israelenses e palestinos formaram uma mesa de debates.
Foi interessante ouvir estas mulheres, na maioria de grupos de esquerda, em Israel. Duas delas eram palestinas. Tive a sensacao de que eh possivel fugir dos extremismos, nesta regiao de extremismos, e conviver bem com a diversidade que caracteriza o pais. Aquelas mulheres estavam ali com um objetivo comum, independentemente de suas origens, a paz.
Foi uma noite agradavel, apesar da chuva fria que peguei na saida.
(Foto pessima da palestra: http://nirab.fotos.uol.com.br/jerusalem1/photo.html?currentPage=9)
fevereiro 12, 2005
Rumos
Até que ponto podemos escolher nossos caminhos? Quanto do que somos e temos é uma escolha nossa?
Eu sempre fui do tipo "deixa a vida me levar". Não fazia muitos planos e ia escolhendo as opções que a vida me proporcionava. Dificilmente, eu fazia estas "opções". Elas simplesmente apareciam. As escolhas nunca foram muito difíceis ou totalmente decisivas.
Vestibular? Tudo bem... Se não gostasse da faculdade, podia mudar. Como fiz.
Este ou aquele emprego? Escolhia um. se não desse certo, meu pai me dava uma força. Como deu.
Ir ou não para São Paulo? Uma mudança não faria nada mal. Se fizesse, a casa dos meus pais estaria a minha espera. Como está.
Embora não tenha precisado - estou em Sampa e, por enquanto, não penso em voltar - tenho um porto seguro.
Mas, e quando a escolha é definitiva? E quando não tem volta? O que fazer?
Até que ponto podemos escolher nossos caminhos? Quanto do que somos e temos é uma escolha nossa?
Eu sempre fui do tipo "deixa a vida me levar". Não fazia muitos planos e ia escolhendo as opções que a vida me proporcionava. Dificilmente, eu fazia estas "opções". Elas simplesmente apareciam. As escolhas nunca foram muito difíceis ou totalmente decisivas.
Vestibular? Tudo bem... Se não gostasse da faculdade, podia mudar. Como fiz.
Este ou aquele emprego? Escolhia um. se não desse certo, meu pai me dava uma força. Como deu.
Ir ou não para São Paulo? Uma mudança não faria nada mal. Se fizesse, a casa dos meus pais estaria a minha espera. Como está.
Embora não tenha precisado - estou em Sampa e, por enquanto, não penso em voltar - tenho um porto seguro.
Mas, e quando a escolha é definitiva? E quando não tem volta? O que fazer?
janeiro 29, 2005
Compras
Blusas, saias, sapatos, calças aos montes. Muito mais do que você pode imaginar caber no bolso de mulheres de classe média. Mas são poucas as que resistem a um shopping inteiro em liquidação.
Imagina aquele vestido que custava os olhos da cara até o mês passado e agora custa SÓ ISSO! Agora imagina vários sapatos, calças, saias, blusas na mesma situação. Não há como sair de sacolas vazias.
Confesso que até ontem não entendia muito bem isso. Nunca fui muito de fazer compras. Mas uma certa extravagância a que me permiti hoje fez com que compreendesse melhor as consumidoras compulsivas. O efeito das compras é quase embriagador. Dá até uma sensação de poder difícil de explicar.
É como se uma criança entrasse na Circus (uma imensa loja de brinquedos no Rio) e pudesse pegar todos os brinquedos que quisesse. Qual nunca sonhou com isso? Na fase adulta, um cartão de crédito e alguns malabarismos financeiros permitem realizar o sonho infantil.
Foi bom - e nem cheguei ao patamar de alguma amigas. Mas não pretendo repetir muitas vezes. Pode viciar. E os efeitos colaterais não são dos mais agradáveis, incluindo uma certa culpa (olha ela aí de novo).
Blusas, saias, sapatos, calças aos montes. Muito mais do que você pode imaginar caber no bolso de mulheres de classe média. Mas são poucas as que resistem a um shopping inteiro em liquidação.
Imagina aquele vestido que custava os olhos da cara até o mês passado e agora custa SÓ ISSO! Agora imagina vários sapatos, calças, saias, blusas na mesma situação. Não há como sair de sacolas vazias.
Confesso que até ontem não entendia muito bem isso. Nunca fui muito de fazer compras. Mas uma certa extravagância a que me permiti hoje fez com que compreendesse melhor as consumidoras compulsivas. O efeito das compras é quase embriagador. Dá até uma sensação de poder difícil de explicar.
É como se uma criança entrasse na Circus (uma imensa loja de brinquedos no Rio) e pudesse pegar todos os brinquedos que quisesse. Qual nunca sonhou com isso? Na fase adulta, um cartão de crédito e alguns malabarismos financeiros permitem realizar o sonho infantil.
Foi bom - e nem cheguei ao patamar de alguma amigas. Mas não pretendo repetir muitas vezes. Pode viciar. E os efeitos colaterais não são dos mais agradáveis, incluindo uma certa culpa (olha ela aí de novo).
janeiro 07, 2005
Dez anos depois...
Há quase dez anos não piso em Israel. Agora, em dois meses, estarei lá novamente. Na terra da minha mãe, dos meus avós. Não sei como vai ser. Acho que terei um novo olhar sobre o país. Mais político, talvez um pouco mais consciente e, certamente, mais observador das pessoas e da cultura. Sei que ainda é cedo, mas já estou curiosa e cheia de expectativas.
Há quase dez anos não piso em Israel. Agora, em dois meses, estarei lá novamente. Na terra da minha mãe, dos meus avós. Não sei como vai ser. Acho que terei um novo olhar sobre o país. Mais político, talvez um pouco mais consciente e, certamente, mais observador das pessoas e da cultura. Sei que ainda é cedo, mas já estou curiosa e cheia de expectativas.
dezembro 16, 2004
Cadê?
Sinto falta de escrever. Durante um ano, escrevi pelo menos um texto por dia. E agora passo semanas sem escrever nada. Foi um impacto tremendo. Perdi a agilidade que tinha e acho mesmo que metade da minha criatividade se foi. Vou tentar escrever mais por aqui, já que meu trabalho não me dá mais este prazer.
Trabalho
Gosto do que faço, mas sinto falta de escrever.
Sinto falta de escrever. Durante um ano, escrevi pelo menos um texto por dia. E agora passo semanas sem escrever nada. Foi um impacto tremendo. Perdi a agilidade que tinha e acho mesmo que metade da minha criatividade se foi. Vou tentar escrever mais por aqui, já que meu trabalho não me dá mais este prazer.
Trabalho
Gosto do que faço, mas sinto falta de escrever.
novembro 13, 2004
Para o Gabriel
Sem você
Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes
Sem você
Sem amor
É tudo sofrimento
Pois você
É o amor
Que eu sempre procurei em vão
Você é o que resiste
Ao desespero e à solidão
Nada existe
E o mundo é triste
Sem você
Meu amor, meu amor
Nunca te ausentes de mim
Para que eu viva em paz
Para que eu não sofra mais
Tanta mágoa assim
No mundo
Sem você
Sem você
Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes
Sem você
Sem amor
É tudo sofrimento
Pois você
É o amor
Que eu sempre procurei em vão
Você é o que resiste
Ao desespero e à solidão
Nada existe
E o mundo é triste
Sem você
Meu amor, meu amor
Nunca te ausentes de mim
Para que eu viva em paz
Para que eu não sofra mais
Tanta mágoa assim
No mundo
Sem você
outubro 24, 2004
Roda-viva
Chico Buarque
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo (etc.)
Chico Buarque
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo (etc.)
Roda Mundo (2)
No passado, costumava reclamar que a minha vida era muito paradona.
O ano de 2004 chegou para dar um basta nisso.
Mas não precisava exagerar.
A cada mês minha vida dá uma reviravolta diferente.
Para não dizer a cada dia.
Mas não tenho saudade da calmaria.
Só tenho saudade do meu amor.
No passado, costumava reclamar que a minha vida era muito paradona.
O ano de 2004 chegou para dar um basta nisso.
Mas não precisava exagerar.
A cada mês minha vida dá uma reviravolta diferente.
Para não dizer a cada dia.
Mas não tenho saudade da calmaria.
Só tenho saudade do meu amor.
setembro 01, 2004
agosto 17, 2004
Já pode chorar
Luar, espere um pouco
Que é pro meu samba poder chegar
Eu sei que o violão
Está fraco, está rouco
Mas a minha voz
Não cansou de chamar
Olê olê olê olá
Tem samba de sobra
Ninguém quer sambar
Não há mais quem cante
Nem há lugar mais lugar
O sol chegou antes
Do samba chegar
Quem passa nem liga
Já vai trabalhar
E você, minha amiga
Já pode chorar
Luar, espere um pouco
Que é pro meu samba poder chegar
Eu sei que o violão
Está fraco, está rouco
Mas a minha voz
Não cansou de chamar
Olê olê olê olá
Tem samba de sobra
Ninguém quer sambar
Não há mais quem cante
Nem há lugar mais lugar
O sol chegou antes
Do samba chegar
Quem passa nem liga
Já vai trabalhar
E você, minha amiga
Já pode chorar
julho 28, 2004
Lerê lerê
Retirantes
Dorival Caymmi
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Eu quero morrer de noite, na tocaia a me matar
Eu quero morrer de açoite, se for negro a me deixar
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Meu amor eu vou me embora, nessa terra vou morrer
Um dia não vou mais ver, nunca mais eu vou viver
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Retirantes
Dorival Caymmi
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Eu quero morrer de noite, na tocaia a me matar
Eu quero morrer de açoite, se for negro a me deixar
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Meu amor eu vou me embora, nessa terra vou morrer
Um dia não vou mais ver, nunca mais eu vou viver
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
julho 18, 2004
julho 12, 2004
Paz
Estou lendo "O Novo Oriente Médio", livro que Shimon Peres escreveu em 1993, auge das negociações pela paz na região.
Hoje em dia, é impressionante ver o otimismo que ele tinha naquela época. Peres chegava a falar em um grupo semelhante à Comunidade Européia no Oriente Médio.
Israel mantinha então conversações avançadas com palestinos, sírios e jordanianos. Só foi firmado um acordo com os últimos, no fim das contas.
O livro, porém, é interessantíssimo. Peres prega que apenas a paz é capaz de levar segurança à região.
Os gastos militares no Oriente Médio são enormes. Por outro lado, os percentuais dos orçamentos destinados a educação e saúde são muito menores. Há países em que 80% da população é analfabeta.
A pobreza e a desesperança são caldos de cultura para o fanatismo. "Não há solução militar para ele", diz Peres.
Para o ex-ministro, somente desenvolvimento econômico e social é capaz de minimizar o fanatismo. E isso só ocorrerá em um ambiente pacífico, que permita trocas entre as nações do Oriente Médio e traga segurança para investidores externos.
O fanatismo é o maior perigo para a humanidade, alertava Peres há mais de 10 anos.
Imagine armas nucleares nas mãos de fanáticos religiosos, dispostos a tudo para conseguir suas 70 virgens no paraíso?
Estou lendo "O Novo Oriente Médio", livro que Shimon Peres escreveu em 1993, auge das negociações pela paz na região.
Hoje em dia, é impressionante ver o otimismo que ele tinha naquela época. Peres chegava a falar em um grupo semelhante à Comunidade Européia no Oriente Médio.
Israel mantinha então conversações avançadas com palestinos, sírios e jordanianos. Só foi firmado um acordo com os últimos, no fim das contas.
O livro, porém, é interessantíssimo. Peres prega que apenas a paz é capaz de levar segurança à região.
Os gastos militares no Oriente Médio são enormes. Por outro lado, os percentuais dos orçamentos destinados a educação e saúde são muito menores. Há países em que 80% da população é analfabeta.
A pobreza e a desesperança são caldos de cultura para o fanatismo. "Não há solução militar para ele", diz Peres.
Para o ex-ministro, somente desenvolvimento econômico e social é capaz de minimizar o fanatismo. E isso só ocorrerá em um ambiente pacífico, que permita trocas entre as nações do Oriente Médio e traga segurança para investidores externos.
O fanatismo é o maior perigo para a humanidade, alertava Peres há mais de 10 anos.
Imagine armas nucleares nas mãos de fanáticos religiosos, dispostos a tudo para conseguir suas 70 virgens no paraíso?
julho 05, 2004
Já que a vida quis assim
Adoro esta música.
Ela tem o otimismo de que preciso.
Eu não existo sem você
Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você
Adoro esta música.
Ela tem o otimismo de que preciso.
Eu não existo sem você
Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você
junho 23, 2004
Roda mundo
No fim do ano passado, escrevi neste blog que certamente 2004 seria um ano muito diferente do que passou. Pois bem, nunca imaginei o quanto eu poderia ser profética.
Não foram apenas a cidade e o ambiente de trabalho que mudaram. Minha vida, minhas perspectivas, meus sonhos não são mais os mesmos. Sou outra.
Desde que cheguei em São Paulo os acontecimentos me atropelam. Vivo um redemoinho. Não há certezas sobre nada. Só posso dizer que nestes quase cinco meses fui mais feliz. Mas, até quando?
No fim do ano passado, escrevi neste blog que certamente 2004 seria um ano muito diferente do que passou. Pois bem, nunca imaginei o quanto eu poderia ser profética.
Não foram apenas a cidade e o ambiente de trabalho que mudaram. Minha vida, minhas perspectivas, meus sonhos não são mais os mesmos. Sou outra.
Desde que cheguei em São Paulo os acontecimentos me atropelam. Vivo um redemoinho. Não há certezas sobre nada. Só posso dizer que nestes quase cinco meses fui mais feliz. Mas, até quando?
Mestre Vinícius
Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Além do amor
Se tu queres que eu não chore mais
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer, canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for
Deixa-me chorar assim
Porque eu te amo
Dói a vida
Tanto em mim
Porque eu te amo
Beija até o fim
As minhas lágrimas de dor
Porque eu te amo, além do amor!
Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Além do amor
Se tu queres que eu não chore mais
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer, canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for
Deixa-me chorar assim
Porque eu te amo
Dói a vida
Tanto em mim
Porque eu te amo
Beija até o fim
As minhas lágrimas de dor
Porque eu te amo, além do amor!
maio 02, 2004
Rio, você foi feito pra mim?
O Rio de Janeiro continua lindo, não há dúvidas. Mas não é mais a minha casa.
Me dói um pouco fazer esta afirmativa. Na verdade, gostaria que ela não fosse verdadeira. Afinal, passei 24 anos da minha vida aqui e sempre fui apaixonada pela cidade.
É muito estranho ser visita em sua própria terra. Mais esquisito ainda é sentir-se uma turista. Tenho vontade de estar perto da praia como nunca tive antes de me mudar.
Não consigo ficar muito tempo longe do Rio. E me emociono cada vez que venho. Como a cidade é linda! Mas, agora, ela é apenas um lugar a ser visitado. Nos fins de semana.
Não conheço mais a rotina, a confusão, as guerras, o caos. Tenho olhos de turista. Vejo apenas a beleza do mar e do horizonte.
São Paulo agora é meu berço. É onde vive o meu amor. É onde tenho uma casa. É onde trabalho. É onde vou ficar.
Adeus.
O Rio de Janeiro continua lindo, não há dúvidas. Mas não é mais a minha casa.
Me dói um pouco fazer esta afirmativa. Na verdade, gostaria que ela não fosse verdadeira. Afinal, passei 24 anos da minha vida aqui e sempre fui apaixonada pela cidade.
É muito estranho ser visita em sua própria terra. Mais esquisito ainda é sentir-se uma turista. Tenho vontade de estar perto da praia como nunca tive antes de me mudar.
Não consigo ficar muito tempo longe do Rio. E me emociono cada vez que venho. Como a cidade é linda! Mas, agora, ela é apenas um lugar a ser visitado. Nos fins de semana.
Não conheço mais a rotina, a confusão, as guerras, o caos. Tenho olhos de turista. Vejo apenas a beleza do mar e do horizonte.
São Paulo agora é meu berço. É onde vive o meu amor. É onde tenho uma casa. É onde trabalho. É onde vou ficar.
Adeus.
abril 01, 2004
Como dizia o poeta
Toquinho - Vinicius de Moraes
Quem já passou por essa vida e não viveu,
Pode ser mais mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá pra quem se deu,
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.
Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não.
Não há mal pior do que a descrença,
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão.
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair.
Pra que somar se a gente pode dividir.
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer.
Ai de quem não rasga o coração,
Esse não vai ter perdão.
Quem nunca curtiu uma paixão,
Nunca vai ter nada, não.
Toquinho - Vinicius de Moraes
Quem já passou por essa vida e não viveu,
Pode ser mais mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá pra quem se deu,
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.
Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não.
Não há mal pior do que a descrença,
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão.
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair.
Pra que somar se a gente pode dividir.
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer.
Ai de quem não rasga o coração,
Esse não vai ter perdão.
Quem nunca curtiu uma paixão,
Nunca vai ter nada, não.
fevereiro 28, 2004
Só em Sampa
Meu primeiro fim de semana em sozinha em São Paulo. Tristeza? Melancolia? Que nada. Estou achando até legal!
Não que eu goste de ficar só, mas estou aproveitando o tempo para fazer coisas que ainda não tinha feito. Por exemplo, entrar em um cyber café e escrever no meu blog.
Outra coisa: procurar cama. Sim, tenho que comprar uma cama. Várias dúvidas seríssimas. Colchão de mola ou de espuma? Cama de mandeira? Ou só um suporte? Nunca tinha imaginado que era difícil comprar uma cama.
Mais difícil do que isso mesmo é alugar um apartamento. Carpete azulão ou folhas secas? Contrato para 18 meses ou 24 meses? E multa? E o fiador? E o corretor? Quanta burocracia!!!! E quanta porcaria que eu vi!!!!
Mas, neste fim de semana, não quero pensar nisso. O objetivo agora é relaxar. Cinema, caminhadas, conhecer a cidade, procurar cama. É isso.
Ah! No próximo sábado, dia 6, tem show do Los Hermanos no Direct TV Hall. Alguém quer ir? Estão todos convidados.
Meu primeiro fim de semana em sozinha em São Paulo. Tristeza? Melancolia? Que nada. Estou achando até legal!
Não que eu goste de ficar só, mas estou aproveitando o tempo para fazer coisas que ainda não tinha feito. Por exemplo, entrar em um cyber café e escrever no meu blog.
Outra coisa: procurar cama. Sim, tenho que comprar uma cama. Várias dúvidas seríssimas. Colchão de mola ou de espuma? Cama de mandeira? Ou só um suporte? Nunca tinha imaginado que era difícil comprar uma cama.
Mais difícil do que isso mesmo é alugar um apartamento. Carpete azulão ou folhas secas? Contrato para 18 meses ou 24 meses? E multa? E o fiador? E o corretor? Quanta burocracia!!!! E quanta porcaria que eu vi!!!!
Mas, neste fim de semana, não quero pensar nisso. O objetivo agora é relaxar. Cinema, caminhadas, conhecer a cidade, procurar cama. É isso.
Ah! No próximo sábado, dia 6, tem show do Los Hermanos no Direct TV Hall. Alguém quer ir? Estão todos convidados.
janeiro 27, 2004
Desde que o samba é samba é assim
Sim, eu estou tão cansada.
Triste é viver na solidão.
Tristeza não tem fim, felicidade sim.
Há tempos não vou ao cinema.
Há tempos não leio um bom livro.
Há tempos não vivo.
Bandeira estava certo:
Desesperança
Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah, que penosa lassidão em cada músculo. . .
O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento
Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.
Assim deverá ser a natureza um dia,
Quando a vida acabar e, astro apagado,
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.
O demônio sutil das neuroses enterra
A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...
Minha respiração se faz como um gemido.
Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,
Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.
Por onde alongue o meu olhar de moribundo,
Tudo a meus olhos toma um doloroso aspeto:
E erro assim repelido e estrangeiro no mundo.
Vejo nele a feição fria de um desafeto.
Temo a monotonia e apreendo a mudança.
Sinto que a minha vida é sem fim, sem objeto...
- Ah, como dói viver quando falta a esperança!
Sim, eu estou tão cansada.
Triste é viver na solidão.
Tristeza não tem fim, felicidade sim.
Há tempos não vou ao cinema.
Há tempos não leio um bom livro.
Há tempos não vivo.
Bandeira estava certo:
Desesperança
Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah, que penosa lassidão em cada músculo. . .
O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento
Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.
Assim deverá ser a natureza um dia,
Quando a vida acabar e, astro apagado,
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.
O demônio sutil das neuroses enterra
A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...
Minha respiração se faz como um gemido.
Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,
Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.
Por onde alongue o meu olhar de moribundo,
Tudo a meus olhos toma um doloroso aspeto:
E erro assim repelido e estrangeiro no mundo.
Vejo nele a feição fria de um desafeto.
Temo a monotonia e apreendo a mudança.
Sinto que a minha vida é sem fim, sem objeto...
- Ah, como dói viver quando falta a esperança!
dezembro 30, 2003
Alguma coisa acontece no meu coração
Desta vez não tenho dúvidas: o ano que vem vai ser muito diferente do que 2003. Melhor ou pior, não vai ser igual. Isto nunca esteve tão claro para mim em um Reveillon algum. Talvez quando passei no vestibular... Não. Naquela época eu era outra pessoa, não pensava nessas coisas.
Vou para uma cidade cinza e tenho medo de me acinzentar ainda mais. O azul do Rio me ajuda. Ao contrário do que dizem - que não se dá valor ao que se tem -, adoro o Rio. Talvez até demais.
Gosto das praias, de saber que a cidade não é tão grande assim: posso ir aonde quiser com facilidade. As pessoas são tão tranqüilas no Rio. Não posso negar que me identifico com esta calmaria. Sem falar em amigos, família...
Gosto de tanta coisa que não vou enumerar aqui. Acho que estou meio deprê com este clima de ano novo. Sempre fico.
Desta vez não tenho dúvidas: o ano que vem vai ser muito diferente do que 2003. Melhor ou pior, não vai ser igual. Isto nunca esteve tão claro para mim em um Reveillon algum. Talvez quando passei no vestibular... Não. Naquela época eu era outra pessoa, não pensava nessas coisas.
Vou para uma cidade cinza e tenho medo de me acinzentar ainda mais. O azul do Rio me ajuda. Ao contrário do que dizem - que não se dá valor ao que se tem -, adoro o Rio. Talvez até demais.
Gosto das praias, de saber que a cidade não é tão grande assim: posso ir aonde quiser com facilidade. As pessoas são tão tranqüilas no Rio. Não posso negar que me identifico com esta calmaria. Sem falar em amigos, família...
Gosto de tanta coisa que não vou enumerar aqui. Acho que estou meio deprê com este clima de ano novo. Sempre fico.
dezembro 16, 2003
News
Ok, desta vez exagerei. Para falar a verdade, até eu pensei que tinha desistido. Mas não. Cá estou eu de volta.
E com algumas novidades.
A primeira. Depois de alguns meses sem férias e trabalhando horrores, não fui para a labuta na semana passada. Pensas que tive férias? Bem, mais ou menos. Aqui entra a segunda novidade.
A segunda. Usei estes dias para fazer a minha monografia. Pois é. Depois de dois anos de enrolação, finalmente pretendo me formar.
Tomei uma dose fortíssima de Getúlio Vargas. É que o ditador é o tema do meu trabalho. "Getúlio Vargas: Da Morte ao Mito". Hehehe, meio ridículo, né?
O fato é que eu gostei de escrever e pesquisar sobre este assunto. Não consigo fugir da história. É a minha paixão. Desde pequena sempre gostei de estudar o passado, não sei bem por quê.
E para quem não sabe, estou me formando em jornalismo. Usei como base da minha monografia o jornal "Diário Carioca", de agosto de 1954.
É muito maneiro. Depois, vou postar aqui alguns trechos do jornal, pedindo a renúncia de Vargas.
Recomendo o site do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, para quem gosta do tema. Há milhares de fotos no arquivo. E o que é melhor, disponíveis na internet.
Se descobrir como faz, depois coloco alguma aqui. Vale a visita.
Ok, desta vez exagerei. Para falar a verdade, até eu pensei que tinha desistido. Mas não. Cá estou eu de volta.
E com algumas novidades.
A primeira. Depois de alguns meses sem férias e trabalhando horrores, não fui para a labuta na semana passada. Pensas que tive férias? Bem, mais ou menos. Aqui entra a segunda novidade.
A segunda. Usei estes dias para fazer a minha monografia. Pois é. Depois de dois anos de enrolação, finalmente pretendo me formar.
Tomei uma dose fortíssima de Getúlio Vargas. É que o ditador é o tema do meu trabalho. "Getúlio Vargas: Da Morte ao Mito". Hehehe, meio ridículo, né?
O fato é que eu gostei de escrever e pesquisar sobre este assunto. Não consigo fugir da história. É a minha paixão. Desde pequena sempre gostei de estudar o passado, não sei bem por quê.
E para quem não sabe, estou me formando em jornalismo. Usei como base da minha monografia o jornal "Diário Carioca", de agosto de 1954.
É muito maneiro. Depois, vou postar aqui alguns trechos do jornal, pedindo a renúncia de Vargas.
Recomendo o site do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, para quem gosta do tema. Há milhares de fotos no arquivo. E o que é melhor, disponíveis na internet.
Se descobrir como faz, depois coloco alguma aqui. Vale a visita.
agosto 18, 2003
Hum....
Nossa, há tanto tempo (de novo) que não escrevo aqui que acho que nem sei mais como fazer. Agora só escrevo sobre economia. É Bovespa para lá, dólar para cá. Descobri siglas que achava que nunca saberia o que significam. Ptax, IBX, IEE até Ebitda! Tem noção?
Mas chega disso, porque basta o trabalho. De repente poderia falar sobre o novo filme do Woody Allen, que foi muito criticado, mas eu gostei. Aliás, difícil para mim não gostar de alguma coisa dele. Tudo bem, não é uma Rosa Púrpura do Cairo (está longe, aliás). Gostei mais de Trapasseiros. Mas Dirigindo no Escuro também é muito engraçado e está bem acima da média das comédias que tenho visto.
Poderia falar sobre isso, mas acho que não tenho muito a acrescentar.
E, falando em comédia, vi uma (dramática) no Telecine muito boa. Creia, há vida inteligente no Telecine. É raro, mas há. É um filme com o Robert de Niro e o Jerry Lewis chamado "O Rei da Comédia". Excelente. Imperdível a cena em que a atriz principal (não sei o nome) "seduz" o Jerry Lewis amordaçado.
Mas não quero falar sobre isso também não...
Nossa, há tanto tempo (de novo) que não escrevo aqui que acho que nem sei mais como fazer. Agora só escrevo sobre economia. É Bovespa para lá, dólar para cá. Descobri siglas que achava que nunca saberia o que significam. Ptax, IBX, IEE até Ebitda! Tem noção?
Mas chega disso, porque basta o trabalho. De repente poderia falar sobre o novo filme do Woody Allen, que foi muito criticado, mas eu gostei. Aliás, difícil para mim não gostar de alguma coisa dele. Tudo bem, não é uma Rosa Púrpura do Cairo (está longe, aliás). Gostei mais de Trapasseiros. Mas Dirigindo no Escuro também é muito engraçado e está bem acima da média das comédias que tenho visto.
Poderia falar sobre isso, mas acho que não tenho muito a acrescentar.
E, falando em comédia, vi uma (dramática) no Telecine muito boa. Creia, há vida inteligente no Telecine. É raro, mas há. É um filme com o Robert de Niro e o Jerry Lewis chamado "O Rei da Comédia". Excelente. Imperdível a cena em que a atriz principal (não sei o nome) "seduz" o Jerry Lewis amordaçado.
Mas não quero falar sobre isso também não...
julho 09, 2003
Tanto tempo...
Tanto tempo que eu não escrevia neste blog que nem tinha visto as mudanças de que todos reclamaram. Ainda não vi o resutado, mas já estou imaginando todos os meus acentos tranformados em símbolos ininteligíveis. A vida é esta. Depois começo uma caçada em busca da melhor forma de manter meus acentos em dia.
Tanto tempo que não escrevia neste blog que não sobrou nenhum leitor. Nos meus muito bem escondidos dados estatísticos (nunca divulgarei o que eles dizem), o número de visitas está reduzido a quase zero.
Tanto tempo para cativar leitores (até parece!) e tão pouco tempo para perdê-los. Mas tudo bem. Quem precisa deles. Eu me basto a mim mesma. E ponto final.
Tanto tempo sem escrever e eu agora paro para escrever tanta bobagem!
Deus (que não existe, né Cesar?)! Tanto tempo, para quê?
Tanto tempo que eu não escrevia neste blog que nem tinha visto as mudanças de que todos reclamaram. Ainda não vi o resutado, mas já estou imaginando todos os meus acentos tranformados em símbolos ininteligíveis. A vida é esta. Depois começo uma caçada em busca da melhor forma de manter meus acentos em dia.
Tanto tempo que não escrevia neste blog que não sobrou nenhum leitor. Nos meus muito bem escondidos dados estatísticos (nunca divulgarei o que eles dizem), o número de visitas está reduzido a quase zero.
Tanto tempo para cativar leitores (até parece!) e tão pouco tempo para perdê-los. Mas tudo bem. Quem precisa deles. Eu me basto a mim mesma. E ponto final.
Tanto tempo sem escrever e eu agora paro para escrever tanta bobagem!
Deus (que não existe, né Cesar?)! Tanto tempo, para quê?
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