março 17, 2007

Terça-feia

Terça-feira era um dia triste para ela. Terça feia!, sempre pensava. Para segunda-feira, preparava-se psicologicamente, mas terça era a confirmação de que a semana começara com toda força.

Deitada em sua cama, ao lado do despertador histérico, sonhava com aquele samba: "eu faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã". Não sabia se preguiçosa ou se covarde, mas terrível era acordar terça-feira de manhã cedo.

Se cinzento o céu, então!, aí não havia como! Puxava o cobertor fofo e quentinho, enfiava a cabeça no travesseiro e... nem pensava no trabalho. Depois, depois.

"Patrão, o trem atrasou, por isso estou chegando agora. Trago aqui o memorando da Central. O trem atrasou meia hora. O senhor não tem razão para me mandar embora", diria.

Melhor era o mundo do sonho! Melhor era curtir um sambinha! Melhor era não precisar acordar na hora certo!

Ao menos, nas terças-feiras...

"Sonho meu!", suspirou. E levantou, sacudindo a poeira.

março 04, 2007

Papai

http://www.youtube.com/watch?v=8QXfFhe1d28
Seria uma vez...

Quando era criança, eu teria uma casa muito linda. Branquinha e de telhado vermelho como nos sonhos clássicos. Uma rede balançaria na varanda. Eu seria independente. Trabalharia no que eu gostava. Teria um marido lindo, carinhoso e compreensivo. No futuro, teria um casal de filhos. Numas longas férias, eu moraria com toda família num barco confortável e conheceria o mundo todo. Faria muitos amigos e falaria, pelo menos, cinco idiomas. Quando eu era criança, eu seria assim.
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março 01, 2007

Um pouco de Nietzsche

- Existe uma inocência da admiração: a daquele ao qual ainda não ocorreu que pode vir a ser admirado um dia.

- Como? Um grande homem? Consigo ver apenas o ator de seu próprio ideal.

- Não existem fenômenos morais, apenas uma interpretação moral dos fenômenos.

fevereiro 11, 2007

Perdidos


A dor une a humanidade? Acho que hoje mais do que a dor, a solidão. A solidão acompanhada, como a mostrada em Encontros e Desencontros, é cada vez mais comum. Será esse nosso futuro?

A gente vive, procura novas experiências, se joga, é independente. Mas ser independente é bom? Eu prefiro depender de um sentimento.

É impossível ser feliz sozinho.
Chefão

Comprei a caixa com os três filmes do Godfather. Não lembrava como os filmes são poderosos, bem filmados, têm grandes atores e música maravilhosa. Tudo perfeitamente encaixado. Muito bem pensado. Vou assistir de novo!
Melancólica

Acho que tenho uma personalidade meio melancólica. Comprei um CD de samba e em vez de ouvir sambas alegres, que são maioria, fico repetidamente ouvindo músicas como A Flor e o Espinho.

Acho linda...

Não há mal em cultuar um pouco a tristeza.

fevereiro 06, 2007

Tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor.

fevereiro 04, 2007

Samba é tudo de bom

Um pouco de Cartola. Triste, mas alegra o dia. :)

O mundo é um moinho
Cartola

Ainda é cedo amor,
mal começaste a conhecer a vida,
já anuncias a hora da partida,
sem saber mesmo o rumo que irás tomar.

Presta atenção querida,
embora eu saiba que estás resolvida,
em cada esquina cai um pouco a tua vida,
em pouco tempo não serás mais o que és.

Ouça-me bem amor, preste atenção,
o mundo é um moinho,
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,
vai reduzir as ilusões à pó.

Presta atenção querida,
de cada amor tu herdarás só o cinismo,
quando notares estás a beira do abismo,
abismo que cavaste com teus pés.

Ainda é cedo amor,
mal começaste a conhecer a vida,
já anuncias a hora de partida,
sem saber mesmo o rumo que irás tomar.

Presta atenção querida,
embora eu saiba que estás resolvida,
em cada esquina cai um pouco a tua vida,
e em pouco tempo não serás mais o que és.

Ouça me bem amor,
presta atenção o mundo é um moinho,
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos,
vai reduzir as ilusões a pó.

Presta atenção querida,
de cada amor tu herdarás só o cinismo,
quando notares estás a beira do abismo,
abismo que cavaste com teus pés.
Poemas tristes

Tabacaria é uma das grandes poesias da língua portuguesa. E um retrato do que não quero para mim.

Um trechinho para dar o gosto.

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

(Álvaro de Campos)

fevereiro 03, 2007

Confusões

Não comandamos nossos sentimentos. Não sabemos quando vamos sentir desejo, repulsa, ódio, amor...

Podemos às vezes tentar manipulá-los um pouco. Mas a verdade é que o sentimento original está sempre lá, disfarçado, distorcido.

As falsas proteções que criamos, em geral, trazem dores ainda maiores. Transformam-se em mostrengos internos. Criam atitudes “defensivas”, quase por reflexo, que nem nós mesmos entendemos.

Complica mais ainda saber que a busca do auto-conhecimento tem que destruir, ou ao menos ultrapassar, todas essas distorções. E que muitas vezes não as conhecemos.

Não sei o que é mais complicado: eu ou o mundo.

janeiro 27, 2007

Tardinha
A tardinha passou voando. Um papo gostoso, muitas risadas. Cervejinha, vinhozinho, muita besteira.

Adoro passar a tarde com as amigas.

dezembro 29, 2006

O velho ditado

Escolhas, escolhas, escolhas... Há algo mais clichê do que "a vida é feita de escolhas"?

Mas o pior é perceber na prática quando se fez uma escolha errada. Hoje, por exemplo, não deveria estar em Itaipu. Decisão totalmente errada, impulsiva, burra, pode-se dizer.

Mas o pior é perceber que não tiro nenhuma lição disso. Não há o "pelo menos", o lado bom, o aprendizado. Algo me diz que vou continuar fazendo escolhas erradas por muito tempo na minha vida.

Mas às vezes acerto.

Mas...

dezembro 18, 2006

Eu quero um samba
(Haroldo Barbosa e Janet de Almeida)

Eu quero um samba feito só pra mim
Eu quero a melodia feita assim
Quero sambar
porque no samba eu sei que vou
A noite inteira até o sol raiar

Ah! Quando o samba acaba,
eu fico triste então
Vai melancolia, eu quero alegria
dentro do meu coração

Ah! Quando o samba acaba,
eu fico triste então
Vai melancolia,
eu quero alegria
dentro do meu coração

Eu quero um samba feito,
um samba feito só pra mim
Eu quero a melodia feita assim
Quero sambar
porque no samba eu sei que vou
A noite inteira até o sol raiar

dezembro 10, 2006

Dia e noite, noite e dia

Tarde da noite. Aquela luminosidade que apenas as madrugadas têm inquietava os olhos e animava o coração. Tudo ficava claro, simples, sem obstáculos. Pelo menos, até a manhã posterior.

Dia. Era impressionante como a luminosidade do sol do meio-dia ofuscava a visão. Dúvidas, intrigas, incertezas, culpas. Tudo aparecia pela manhã.

dezembro 05, 2006

O (maldito) desejo

A difícil arte de conciliar o querer e o poder. Ou melhor, o querer e o fazer. O desejo às vezes é imenso, mas o medo pode ser maior. Até que ponto o medo é proteção, segurança e até que ponto é burrice, limitação?

Desejar mergulhar em um mundo e ficar apenas na beiradinha, apreciando de longe, com uma certa inveja de quem está lá dentro, pode ser um sofrimento indescritível. Será maior do que o sofrimento da frustração?

Ou será que o planejamento-a-longo-prazo dá certo?

A vida é uma só. Não há tanto tempo para esperar a resposta certa.

outubro 29, 2006

Do verde para o colorido

O tempo passa, a gente amadurece. Parece uma coisa assim pretensiosa e talvez seja. Pode ser que amanhã olhe para trás e pense: como era boba. E sou. Mas menos. É aos poucos mesmo.

Amadurecer. Quando eu era criança ouvia essa palavra e já associava: gente madura, gente chata!

Descobri que é o contrário. Gente madura deixa de ser chata. E curte o que há de melhor na vida.

agosto 31, 2006

Morfeu

Sono. Os olhos fecham apesar da luminosidade e dos ruídos constantes à sua volta. Mas ela nem sente. Ouve umas palavras soltas, que pouco significam: gestãããão... fixaaaa... esforçççç...

Manter as pálpebras abertas é quase tão complicado quanto o que o professor diz. Mover um músculo, levantar um dedo, separar o lábio inferior do lábio superior. São muitos músculos.

O sono é sagrado, pensa - ou sonha, não tem certeza. Nada mais correto do que respeitar o sono. A essência sobre a matéria. O desejo sobre a obrigação. Conforta-se. Aconchega-se. Enfim, dorme.

agosto 27, 2006

Tristeza
É estranha e engraçada a tristeza da solidão. Uma certa mistura de autopiedade melodramática que leva alguém a colocar uma música triste apenas para se deliciar mais de sua própria condição - a consciência da miséria humana. As divagações ganham espaço: o que une a humanindade é a dor.

O melodrama é sempre tragicômico. O exagero tira um pouco da sinceridade da dor. Beira o absurdo. Mas os latinos temos isso: somos capazes de expor e depois rir da dor.

Tristeza não tem fim felicidade sim. Uma frase um tanto trágica para uma bela música. Todo grande amor só é bem grande se for triste. É outra canção. A tristeza é senhora. E assim há milhares de canções que enaltecem a tristeza. Não é engraçado?

agosto 25, 2006

O Afeganistão fica logo ali

Nada como bons livros para tornar humano tudo aquilo que nos parece estrangeiro.

Dois excelentes livros - distintos e complementares - sobre o Afeganistão. Ou melhor sobre a gente do Afeganistão. Quem são, o que sentem, como vivem. Os dois estão nas listas dos mais vendidos, no Brasil: O Caçador de Pipas e O Livreiro de Cabul.