Quando húngaro faz sentido
Quando a tarde caiu e a Dança Húngara ainda não havia sido interpretada, sentiu uma frustração tremenda.
Desde que assistira O Grande Ditador, de Chaplin, a Dança Húngara, de Brahms, tornara-se sua música favorita daquele momento.
Alegre, agitada, humorística e linda. A Dança Húngara fazia com que sentisse vontade de dançar mesmo, embora nunca houvesse visto ninguém dançar embalado ao som da Dança Húngara.
agosto 22, 2008
agosto 10, 2008
Capítulo 1
Um depois do outro. Para baixo e para cima. Esticados e dobrados. Unhas brancas. Pés gelados. Olhando para eles, Ana pensava no que faria aquela tarde.
Acordara minutos antes ao som do alarme antibombas da Paulista. Nunca entendera direito para que um alarme antibombas em momentos de paz, em um país que nos tempos recentes não conheceu a guerra (à parte a urbana).
De qualquer forma, por motivos bem pessoais, gostava daquele alarme. Ele impedia que ela dormisse demais aos domingos. Meio-dia estava sempre de pé. Ou ao menos de olhos abertos.
Naquele domingo, 10 de abril de 2005, ela ainda não havia levantado da cama. Olhava para seus pés, pensando aonde os levaria naquela tarde.
Sempre precisava ao menos de uns 20 minutos para sair da cama. O momento de acordar era o pior de seu dia. Preguiça. Não era uma mulher (mulher?) diurna.
Contraditoriamente, odiava, sim a palavra é odiar, odiava fazer nada.
Levantou.
Apartamento de um quarto grande até, para os dias de hoje. Estava de bom tamanho para alguém sozinha.
Os pés gelados no chão, andava pela casa. Há um ano chegava a Sampa. Achou que seria uma reviravolta na sua vida. Não teve medo. Estava cansada no Rio, sentindo-se empacada.
Realmente, a reviravolta veio. Não foi exatamente como ela imaginava. Foi o fim de sua infância protegida. Não sabia que o tempo atual era bem diferente do tempo da casa dos seus pais.
Viveu em casa os amores fraterno e paterno. Conheceu a ética, o bem-estar, as brigas e revoltas também, é verdade. Mas tudo com muito respeito.
Criança que era, achava que conhecia o mundo, esnobava a ingenuidade e tinha certezas “absolutas”. Achava que a mentira era para poucos, vejam só. E o pior. Acreditava que era forte. Que se virava sozinha. Que sempre saberia o que fazer. Que o afeto era fácil.
Em Sampa, conheceu a solidão. E não estava sozinha.
Quando, enfim, tomou um banho e se arrumou para sair, já eram mais de duas da tarde.
Foi à livraria FNAC da Paulista. Morava a uma quadra da avenida, na Campinas, do lado menos nobre, o centro. Havia lido em algum lugar que a FNAC não gostava de ser chamada de “livraria”, porque era mais do que isso. Não gostou. Pensava: o que pode ser “mais” do que uma livraria? Nunca deixou de ir, entretanto.
Comprou o jornal e sentou no café da livraria. Leu o jornal de ontem, com notícias de anteontem, como já dizia o poeta. Essas coisas rápidas dos tempos de hoje, às vezes a incomodavam. Principalmente aos domingos. Não navegava na internet, sequer ligava o computador nos fins de semana. Era uma regra que se impôs.
- Naninha!
Virou. Só seus amigos mais próximos e antigos a chamavam assim. Mal acreditou quando viu Alexandre. Amigo de colégio. Graaande Alex!, respondeu.
Que saudade! Que saudade! Era o afeto de que precisava. Alex sempre foi um de seus amigos mais inteligentes e afetuosos. Não daquele afeto superficial, sem compromisso. Mas de um amor real, que sempre estava presente quando um de seus queridos precisava.
Ao mesmo tempo, sabia ser sarcástico e irônico quando queria. Tinha um discurso cínico, que não combinava com seu jeito de ser. Quem o conhecia, sabia.
- Naninha, que saudade!
- Puxa, você veio para Sampa e nem me ligou...
- Vim a trabalho na sexta, ia voltar no mesmo dia, mas decidi ficar mais alguns.
- Entendi. Que bom te ver! O que você vai fazer hoje? Está sozinho?
- Vou encontrar uma menina mais tarde. Conheci num barzinho na sexta.
- Entendi. Legal! Senta aí. Vamos tomar café juntos.
Sentiu as ondas de afeto, a delicadeza do sentimento que dá sem pedir retorno, e sentiu-se como uma bateria quase vazia colocada em uma tomada. Feliz.
Alex não era bonito. Ao contrário, muitos diriam que era feio mesmo. Ela, no dia que o conheceu, também achou. Mas, hoje, brigava quando falavam algo do tipo a seu respeito. Sempre dizia:
- Ele é um dos caras mais bonitos que já conheci.
E realmente achava. Não metaforicamente apenas. Achava.
Conheciam-se há dez anos. Brigaram uma vez, quando tinham 16. Os dois, muito competitivos, tiveram uma discussão áspera por causa de um jogo de sua época, chamado “Imagem e Ação”. Ana tinha certeza de que não era permitido usar o alfabeto, nenhuma letra! Ele insistiu no contrário. Brigaram e ficaram várias e intermináveis horas sem se falar.
Depois voltaram. Falaram-se como se nada houvesse acontecido.
E esta foi a briga que tiveram.
Ana pensava em Alex como um irmão. Gostava dele de uma forma infinita, muito terna. Mas não era sexualmente atraída por ele. Ao contrário, houve um período em que Alex foi realmente apaixonado por Ana, nos idos dos anos 90. Este período passou. Passou de todo coração. E Alex via Ana como uma irmã.
- O que você tem feito de bom?
- Trabalho. Trabalho.
- É, eu também.
- Gosto do meu trabalho, só que às vezes sinto falta da arte.
- Eu estou bem. Gosto muito do que faço. Trabalho demais, às vezes me estresso, mas não consigo pensar na vida de outra forma, contou Alex.
E ficaram conversando por algumas horas, uma conversa de quem se vê sempre. Uma conversa que não indicava que há muitos meses eles nem se falavam, pelas distâncias da vida.
Quando Alex teve que ir embora para encontrar a menina, Ana estava feliz, apenas por ter encontrado o amigo. Sentia-se outra. Mais confiante, a Ana de antigamente.
Era engraçado. Ana tinha convicções muito fortes sobre a vida. Sabia muito sobre o certo e o errado, o bom e o mau, o querer e o não-querer. Aquele ano sozinha em São Paulo abalou suas certezas. E o contato com Alex fazia com elas voltassem, ao menos por algum tempo.
Um depois do outro. Para baixo e para cima. Esticados e dobrados. Unhas brancas. Pés gelados. Olhando para eles, Ana pensava no que faria aquela tarde.
Acordara minutos antes ao som do alarme antibombas da Paulista. Nunca entendera direito para que um alarme antibombas em momentos de paz, em um país que nos tempos recentes não conheceu a guerra (à parte a urbana).
De qualquer forma, por motivos bem pessoais, gostava daquele alarme. Ele impedia que ela dormisse demais aos domingos. Meio-dia estava sempre de pé. Ou ao menos de olhos abertos.
Naquele domingo, 10 de abril de 2005, ela ainda não havia levantado da cama. Olhava para seus pés, pensando aonde os levaria naquela tarde.
Sempre precisava ao menos de uns 20 minutos para sair da cama. O momento de acordar era o pior de seu dia. Preguiça. Não era uma mulher (mulher?) diurna.
Contraditoriamente, odiava, sim a palavra é odiar, odiava fazer nada.
Levantou.
Apartamento de um quarto grande até, para os dias de hoje. Estava de bom tamanho para alguém sozinha.
Os pés gelados no chão, andava pela casa. Há um ano chegava a Sampa. Achou que seria uma reviravolta na sua vida. Não teve medo. Estava cansada no Rio, sentindo-se empacada.
Realmente, a reviravolta veio. Não foi exatamente como ela imaginava. Foi o fim de sua infância protegida. Não sabia que o tempo atual era bem diferente do tempo da casa dos seus pais.
Viveu em casa os amores fraterno e paterno. Conheceu a ética, o bem-estar, as brigas e revoltas também, é verdade. Mas tudo com muito respeito.
Criança que era, achava que conhecia o mundo, esnobava a ingenuidade e tinha certezas “absolutas”. Achava que a mentira era para poucos, vejam só. E o pior. Acreditava que era forte. Que se virava sozinha. Que sempre saberia o que fazer. Que o afeto era fácil.
Em Sampa, conheceu a solidão. E não estava sozinha.
Quando, enfim, tomou um banho e se arrumou para sair, já eram mais de duas da tarde.
Foi à livraria FNAC da Paulista. Morava a uma quadra da avenida, na Campinas, do lado menos nobre, o centro. Havia lido em algum lugar que a FNAC não gostava de ser chamada de “livraria”, porque era mais do que isso. Não gostou. Pensava: o que pode ser “mais” do que uma livraria? Nunca deixou de ir, entretanto.
Comprou o jornal e sentou no café da livraria. Leu o jornal de ontem, com notícias de anteontem, como já dizia o poeta. Essas coisas rápidas dos tempos de hoje, às vezes a incomodavam. Principalmente aos domingos. Não navegava na internet, sequer ligava o computador nos fins de semana. Era uma regra que se impôs.
- Naninha!
Virou. Só seus amigos mais próximos e antigos a chamavam assim. Mal acreditou quando viu Alexandre. Amigo de colégio. Graaande Alex!, respondeu.
Que saudade! Que saudade! Era o afeto de que precisava. Alex sempre foi um de seus amigos mais inteligentes e afetuosos. Não daquele afeto superficial, sem compromisso. Mas de um amor real, que sempre estava presente quando um de seus queridos precisava.
Ao mesmo tempo, sabia ser sarcástico e irônico quando queria. Tinha um discurso cínico, que não combinava com seu jeito de ser. Quem o conhecia, sabia.
- Naninha, que saudade!
- Puxa, você veio para Sampa e nem me ligou...
- Vim a trabalho na sexta, ia voltar no mesmo dia, mas decidi ficar mais alguns.
- Entendi. Que bom te ver! O que você vai fazer hoje? Está sozinho?
- Vou encontrar uma menina mais tarde. Conheci num barzinho na sexta.
- Entendi. Legal! Senta aí. Vamos tomar café juntos.
Sentiu as ondas de afeto, a delicadeza do sentimento que dá sem pedir retorno, e sentiu-se como uma bateria quase vazia colocada em uma tomada. Feliz.
Alex não era bonito. Ao contrário, muitos diriam que era feio mesmo. Ela, no dia que o conheceu, também achou. Mas, hoje, brigava quando falavam algo do tipo a seu respeito. Sempre dizia:
- Ele é um dos caras mais bonitos que já conheci.
E realmente achava. Não metaforicamente apenas. Achava.
Conheciam-se há dez anos. Brigaram uma vez, quando tinham 16. Os dois, muito competitivos, tiveram uma discussão áspera por causa de um jogo de sua época, chamado “Imagem e Ação”. Ana tinha certeza de que não era permitido usar o alfabeto, nenhuma letra! Ele insistiu no contrário. Brigaram e ficaram várias e intermináveis horas sem se falar.
Depois voltaram. Falaram-se como se nada houvesse acontecido.
E esta foi a briga que tiveram.
Ana pensava em Alex como um irmão. Gostava dele de uma forma infinita, muito terna. Mas não era sexualmente atraída por ele. Ao contrário, houve um período em que Alex foi realmente apaixonado por Ana, nos idos dos anos 90. Este período passou. Passou de todo coração. E Alex via Ana como uma irmã.
- O que você tem feito de bom?
- Trabalho. Trabalho.
- É, eu também.
- Gosto do meu trabalho, só que às vezes sinto falta da arte.
- Eu estou bem. Gosto muito do que faço. Trabalho demais, às vezes me estresso, mas não consigo pensar na vida de outra forma, contou Alex.
E ficaram conversando por algumas horas, uma conversa de quem se vê sempre. Uma conversa que não indicava que há muitos meses eles nem se falavam, pelas distâncias da vida.
Quando Alex teve que ir embora para encontrar a menina, Ana estava feliz, apenas por ter encontrado o amigo. Sentia-se outra. Mais confiante, a Ana de antigamente.
Era engraçado. Ana tinha convicções muito fortes sobre a vida. Sabia muito sobre o certo e o errado, o bom e o mau, o querer e o não-querer. Aquele ano sozinha em São Paulo abalou suas certezas. E o contato com Alex fazia com elas voltassem, ao menos por algum tempo.
julho 24, 2008
julho 20, 2008
julho 10, 2008
Não sei
Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar
P.S. Este poema é atribuído na net à Cora Coralina. Não consegui confirmar essa informação. De qualquer forma, achei lindo, simples e delicado. E faz sentido que tenha sido escrito por uma mulher. Que seja Cora.
Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar
P.S. Este poema é atribuído na net à Cora Coralina. Não consegui confirmar essa informação. De qualquer forma, achei lindo, simples e delicado. E faz sentido que tenha sido escrito por uma mulher. Que seja Cora.
julho 09, 2008
julho 07, 2008
Visitas
De vez em quando a tristeza me visita.
Uma vez, ela fez umas cócegas e me levou a rir com amargura.
Outra, me deu um cansaço tão grande que fiquei com preguiça de abandoná-la.
Agora não sei.
Já me disseram que dessa vez não foi a tristeza, mas a melancolia que me procurou.
Mas não seriam a mesma?, perguntei. Se não a mesma, parentes muito próximas. Mais que primas, mais que irmãs. Talvez gêmeas. Parecem-se muito, mas jamais são realmente idênticas.
A melancolia me visita com mais freqüência talvez.
Às vezes com motivo, às vezes sem.
De vez em quando a tristeza me visita.
Uma vez, ela fez umas cócegas e me levou a rir com amargura.
Outra, me deu um cansaço tão grande que fiquei com preguiça de abandoná-la.
Agora não sei.
Já me disseram que dessa vez não foi a tristeza, mas a melancolia que me procurou.
Mas não seriam a mesma?, perguntei. Se não a mesma, parentes muito próximas. Mais que primas, mais que irmãs. Talvez gêmeas. Parecem-se muito, mas jamais são realmente idênticas.
A melancolia me visita com mais freqüência talvez.
Às vezes com motivo, às vezes sem.
junho 02, 2008
Ponte Aérea
Labirintos de algodão se formaram em minha frente. Já os tinha visto antes, mas nunca percebi que eram labirintos. O azul em volta, tão calmo, dava a certeza de que o branco era doce. Mas os labirintos se formaram em minha frente, eram óbvios, eram labirintos. Vários. E cada vez que desvendava um, outro aparecia. Aqueles enigmas intermináveis, infinitos como o céu, me angustiaram. Depois, entristeceram-me. Depois, deixaram-me pensativa. Depois, intrigaram-me. E é nesta estágio em que me encontro hoje.
Labirintos de algodão se formaram em minha frente. Já os tinha visto antes, mas nunca percebi que eram labirintos. O azul em volta, tão calmo, dava a certeza de que o branco era doce. Mas os labirintos se formaram em minha frente, eram óbvios, eram labirintos. Vários. E cada vez que desvendava um, outro aparecia. Aqueles enigmas intermináveis, infinitos como o céu, me angustiaram. Depois, entristeceram-me. Depois, deixaram-me pensativa. Depois, intrigaram-me. E é nesta estágio em que me encontro hoje.
abril 09, 2008
Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
fevereiro 21, 2008
Pra viagem, por favor!
"Toda boa viagem rende uma boa história. Só que quando conversamos sobre viagens, fica aquela impressão de que o dono da melhor história é sempre aquele que foi para mais longe. Mentira, uma das melhores viagens que se pode fazer é pra dentro da própria cabeça, ou seja, pertinho.
Sendo Eu é isso: uma viagem para dentro de nossas cabeças, repletas de outras viagens que foram divididas em 12 faixas de muito rock-simpatia. E não podia ser diferente, companhia itinerante que se preze tem mais é que viajar. Morando no Rio, então, nem precisa ir muito longe. Basta pegar um "5-7-qualquer-coisa", parar em algum boteco e bater um papo com os amigos.
Tudo bem, falar sobre si mesmo é sempre complicado - temos a tendência de esconder defeitos e aumentar as qualidades. Entretanto, esse não é o caso de "Sendo Eu". Desta vez, fomos sinceros para reconhecer que não somos flor que se cheire, românticos para fazer declarações de amor, e até rancorosos a ponto de mandar alguém para a Conchinchina.
Portanto, confiram. Sendo Eu já está nas lojas, distribuído pela Som Livre, junto com os primeiros lançamentos do selo Som Livre Apresenta.
E como o disco nada mais é do que um jeito de levar o show pra casa, é só chegar e pedir: pra viagem , por favor!
Informações Técnicas "Sendo Eu" é nosso segundo disco. Foi gravado entre janeiro e agosto de 2007, em casa e no estúdio Boombox (Rio de Janeiro). Mixado por Pedro Garcia no estúdio Boombox e masterizado por Bob Weston no Chicago Mastering Studio (EUA - Chicago).
Breve Histórico 2007: GAS Festival (Guaraná Antártica Street) e Festival do Edgard 2006: Noite Branca, Fundição Progresso, Atitude.com, Mola (Mostra Livre de Artes), Geringonça (SESC-Tijuca), Sopa de Entulho(SESC-Madureira), Vespeiro e Mistureba Rock Clube. 2005: Lançamento do disco "Um conto de Pragmatismo Fantástico", Prêmio London Burning (categoria revelação) e Festival de Primavera PUC-Rio. 2004: Lançamento da Primeira Demo. 2000: Sprite Sounds.
Companhia Itinerante é:
Caio Figueiredo - Voz e guitarra
Chico Junqueira - Baixo e voz
David Bessler - Guitarra e voz
Diogo Salles - Guitarra e voz
Jonathan Gregory - Bateria e percussão
Contato
companhiaitinerante@yahoo.com.br
www.companhiaitinerante.com
Dala Mídia (21) 2547-1690 | (21) 8771-7007
dalamidia@gmail.com"
De: http://www.somlivreapresenta.com.br/artista_companhia.asp
"Toda boa viagem rende uma boa história. Só que quando conversamos sobre viagens, fica aquela impressão de que o dono da melhor história é sempre aquele que foi para mais longe. Mentira, uma das melhores viagens que se pode fazer é pra dentro da própria cabeça, ou seja, pertinho.
Sendo Eu é isso: uma viagem para dentro de nossas cabeças, repletas de outras viagens que foram divididas em 12 faixas de muito rock-simpatia. E não podia ser diferente, companhia itinerante que se preze tem mais é que viajar. Morando no Rio, então, nem precisa ir muito longe. Basta pegar um "5-7-qualquer-coisa", parar em algum boteco e bater um papo com os amigos.
Tudo bem, falar sobre si mesmo é sempre complicado - temos a tendência de esconder defeitos e aumentar as qualidades. Entretanto, esse não é o caso de "Sendo Eu". Desta vez, fomos sinceros para reconhecer que não somos flor que se cheire, românticos para fazer declarações de amor, e até rancorosos a ponto de mandar alguém para a Conchinchina.
Portanto, confiram. Sendo Eu já está nas lojas, distribuído pela Som Livre, junto com os primeiros lançamentos do selo Som Livre Apresenta.
E como o disco nada mais é do que um jeito de levar o show pra casa, é só chegar e pedir: pra viagem , por favor!
Informações Técnicas "Sendo Eu" é nosso segundo disco. Foi gravado entre janeiro e agosto de 2007, em casa e no estúdio Boombox (Rio de Janeiro). Mixado por Pedro Garcia no estúdio Boombox e masterizado por Bob Weston no Chicago Mastering Studio (EUA - Chicago).
Breve Histórico 2007: GAS Festival (Guaraná Antártica Street) e Festival do Edgard 2006: Noite Branca, Fundição Progresso, Atitude.com, Mola (Mostra Livre de Artes), Geringonça (SESC-Tijuca), Sopa de Entulho(SESC-Madureira), Vespeiro e Mistureba Rock Clube. 2005: Lançamento do disco "Um conto de Pragmatismo Fantástico", Prêmio London Burning (categoria revelação) e Festival de Primavera PUC-Rio. 2004: Lançamento da Primeira Demo. 2000: Sprite Sounds.
Companhia Itinerante é:
Caio Figueiredo - Voz e guitarra
Chico Junqueira - Baixo e voz
David Bessler - Guitarra e voz
Diogo Salles - Guitarra e voz
Jonathan Gregory - Bateria e percussão
Contato
companhiaitinerante@yahoo.com.br
www.companhiaitinerante.com
Dala Mídia (21) 2547-1690 | (21) 8771-7007
dalamidia@gmail.com"
De: http://www.somlivreapresenta.com.br/artista_companhia.asp
janeiro 27, 2008
Filmes do fim de semana
Filmes excelentes no fim de semana. Dois marcantes: Noivas e Lanternas Vermelhas.
Vou escrever sobre o primeiro, já que o segundo assisti com muitos anos de atraso.
Filme grego, com produção executiva de Martin Scorsese, Noivas conta a história de jovens mulheres, especialmente gregas, que cruzaram o oceano em época de guerra e escassez de homens, para casar com desconhecidos. Os futuros maridos eram imigrantes que foram viver nos Estados Unidos e procuravam esposas em sua terra de origem.
A película é extremamente sensível e feminina. E, aliás, nisso Noivas lembra Lanternas Vermelhas. Ambos me fazem pensar em como minhas antepassadas sofreram com a falta de opções de vida, sendo dependentes de homens, sem poder de escolha sobre suas vidas.
Com todos os problemas de nossa época, fico feliz de ter nascido hoje, sendo dona de minhas escolhas e de minha sexualidade.
Enfim, recomendo os dois filmes. Noivas têm um casal de protagonistas cativante, uma história de amor bonita e realista. Sobre Lanternas Vermelhas não há muito mais o que dizer. Não é à toa que virou um clássico.
Filmes excelentes no fim de semana. Dois marcantes: Noivas e Lanternas Vermelhas.
Vou escrever sobre o primeiro, já que o segundo assisti com muitos anos de atraso.
Filme grego, com produção executiva de Martin Scorsese, Noivas conta a história de jovens mulheres, especialmente gregas, que cruzaram o oceano em época de guerra e escassez de homens, para casar com desconhecidos. Os futuros maridos eram imigrantes que foram viver nos Estados Unidos e procuravam esposas em sua terra de origem.
A película é extremamente sensível e feminina. E, aliás, nisso Noivas lembra Lanternas Vermelhas. Ambos me fazem pensar em como minhas antepassadas sofreram com a falta de opções de vida, sendo dependentes de homens, sem poder de escolha sobre suas vidas.
Com todos os problemas de nossa época, fico feliz de ter nascido hoje, sendo dona de minhas escolhas e de minha sexualidade.
Enfim, recomendo os dois filmes. Noivas têm um casal de protagonistas cativante, uma história de amor bonita e realista. Sobre Lanternas Vermelhas não há muito mais o que dizer. Não é à toa que virou um clássico.
novembro 03, 2007
Piaf
Em meio ao feriado de trabalho, chuvoso para ajudar, não me restou muito mais o que fazer do que assistir a alguns filmes. Foram 5 em 2 dias. Um não me sai da cabeça, mais pela música do que pelo filme em si: Piaf, um hino de amor.
A película não é brilhante, no conjunto parece mais uma colagem de cenas, do que um único filme. Acho que a edição que o diretor pensava não funcionou muito bem. Isso não significa que não tenha gostado. Há momentos inesquecíveis, a começar pela atriz, que é inacreditavelmente perfeita! Cativante, ela sim, brilhante.
Outro ponto alto do filme é a própria história e personalidade de Edith Piaf. É difícil pensar que tanto aconteceu em menos de 50 anos: a morte de uma filha, o auge e o fundo do poço e o auge novamente, o vício, um grande amor, uma queda de avião...
Mas, no fim das contas, o que fica mesmo é a música. Não páro de ouvir (no Youtube há várias gravações originais) e pensar nas músicas do filme desde que saí da sala de cinema. A canção que realmente não sai da minha cabeça é uma das mais famosas delas, que encerra o filme. Belíssima na voz de Edith:
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal!
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé!
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux!
Balayées les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal!
Non! Rien de rien
Non!Je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi!
http://www.youtube.com/watch?v=i_QABS88nDc
Em meio ao feriado de trabalho, chuvoso para ajudar, não me restou muito mais o que fazer do que assistir a alguns filmes. Foram 5 em 2 dias. Um não me sai da cabeça, mais pela música do que pelo filme em si: Piaf, um hino de amor.
A película não é brilhante, no conjunto parece mais uma colagem de cenas, do que um único filme. Acho que a edição que o diretor pensava não funcionou muito bem. Isso não significa que não tenha gostado. Há momentos inesquecíveis, a começar pela atriz, que é inacreditavelmente perfeita! Cativante, ela sim, brilhante.
Outro ponto alto do filme é a própria história e personalidade de Edith Piaf. É difícil pensar que tanto aconteceu em menos de 50 anos: a morte de uma filha, o auge e o fundo do poço e o auge novamente, o vício, um grande amor, uma queda de avião...
Mas, no fim das contas, o que fica mesmo é a música. Não páro de ouvir (no Youtube há várias gravações originais) e pensar nas músicas do filme desde que saí da sala de cinema. A canção que realmente não sai da minha cabeça é uma das mais famosas delas, que encerra o filme. Belíssima na voz de Edith:
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal!
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé!
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux!
Balayées les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal!
Non! Rien de rien
Non!Je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi!
http://www.youtube.com/watch?v=i_QABS88nDc
outubro 20, 2007
Rio de janeiro, fevereiro e março
Havia um sentimento vago, fantasioso e mesmo literário de que se morresse naquele momento, caindo sobre as águas da Guanabara, não morreria.
A morte passava-lhe ao longe e, ao mesmo tempo, era-lhe íntima. Temia e desejava o limite, porém, inexplicavelmente.
Como é linda e fabulosa a minha cidade. Como sou triste longe dela. Ao menos, neste momento, acho. Vendo-a quase completa. Vendo-a inacreditavelmente ainda mais bela. Sob a ponte aérea, a ponte marítima e a ponte terrestre.
As águas negras da Guanabara.
Havia um sentimento vago, fantasioso e mesmo literário de que se morresse naquele momento, caindo sobre as águas da Guanabara, não morreria.
A morte passava-lhe ao longe e, ao mesmo tempo, era-lhe íntima. Temia e desejava o limite, porém, inexplicavelmente.
Como é linda e fabulosa a minha cidade. Como sou triste longe dela. Ao menos, neste momento, acho. Vendo-a quase completa. Vendo-a inacreditavelmente ainda mais bela. Sob a ponte aérea, a ponte marítima e a ponte terrestre.
As águas negras da Guanabara.
outubro 08, 2007
Insensatez
Aproximei-me de novo. Olhei. Não vi por detrás de seus olhos. O amassado por entre suas negras sobrancelhas me questionava. Não sabia o que dizer. Distanciei-me de novo.
Pensei em abraçá-lo, mas não tive coragem. Estava de costas agora. Senti o frio na espinha. Tinha mais certeza de si quando não o via. Beijei-o na cabeça. Mas ele não percebeu. E sua tristeza continuou me envolvendo.
Sentia-me, mas não me sabia, fonte de sua infelicidade. Talvez não devesse ter saído naquele momento. Eu era fria. Nada. Ou era o oposto. E preferia não estar ali e fugir. E pensei mais em mim do que nele.
Naquele momento, desacreditei todas as minhas crenças. E fiz-me quem não era (ou desfiz quem gostaria de ser).
How insensitive
Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes / Norman Gimbel
How insensitive I must have seemed
When she told me that she loved me
How unmoved and cold I must have seemed
When she told me so sincerely
Why? She must have asked
Did I just turn and stare in icy silence?
What was I to say
What can you say
When a love affair is over
Now she's gone away
And I'm alone
With a memory of her last look
Vague and drawn and sad
I see it still
All her heartbreak in that last look
How, she must have asked
Could I just turn and stare in icy silence
What was I to do
What can you do
When a love affair is over
Aproximei-me de novo. Olhei. Não vi por detrás de seus olhos. O amassado por entre suas negras sobrancelhas me questionava. Não sabia o que dizer. Distanciei-me de novo.
Pensei em abraçá-lo, mas não tive coragem. Estava de costas agora. Senti o frio na espinha. Tinha mais certeza de si quando não o via. Beijei-o na cabeça. Mas ele não percebeu. E sua tristeza continuou me envolvendo.
Sentia-me, mas não me sabia, fonte de sua infelicidade. Talvez não devesse ter saído naquele momento. Eu era fria. Nada. Ou era o oposto. E preferia não estar ali e fugir. E pensei mais em mim do que nele.
Naquele momento, desacreditei todas as minhas crenças. E fiz-me quem não era (ou desfiz quem gostaria de ser).
How insensitive
Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes / Norman Gimbel
How insensitive I must have seemed
When she told me that she loved me
How unmoved and cold I must have seemed
When she told me so sincerely
Why? She must have asked
Did I just turn and stare in icy silence?
What was I to say
What can you say
When a love affair is over
Now she's gone away
And I'm alone
With a memory of her last look
Vague and drawn and sad
I see it still
All her heartbreak in that last look
How, she must have asked
Could I just turn and stare in icy silence
What was I to do
What can you do
When a love affair is over
outubro 07, 2007
Solidão Paulista (de 2005)
Solidão. Como uma mulher como ela poderia se sentir tão só? Uma mulher. Uma mulher? Uma confusão. As velhas questões humanas, repetidas e repetidas e repetidas por milhares de anos, repetiam-se também em sua mente. Quem era ela? O que ela queria? Por que se sentia tão só? Por que essa melancolia não passava?
Solidão. Tentava fugir dela. estava sempre cercada de gente. Às vezes esquecia. Mas era por pouco tempo. Ela se achava especial. Pensava que não era digna daquele sentimento.
Mas os livros pela mesa, a televisão sempre ligada, o rádio como companheiro, a necessidade do som a sua volta. Sons humanos. Carecia de humanos. Queria gente por perto. Mas quando a gente estava por perto, muitas vezes preferia ficar sozinha.
Só. Com seus pensamentos. Devaneios. Questionamentos. Desrespostas.
Decidiu sair. Caminhar. A avenida Paulista estava cheia de gente. Camelôs, shoppings de contrabandos, transeuntes. Tanta gente. Mas ela queria conhecer estas pessoas? Seriam interessantes? O que elas têm a dizer por mais de cinco minutos?
Será pretenciosa, arrogante e preconceituosa? A maioria das pessoas lhe parecia tão desinteressante e ao mesmo fascinante. Um sentimento dúbio de que todos têm algo a ser explorado, desvendado, mostrado. Mas por algumas horas ou minutos. Quem ela quer conhecer profundamente?
O rapaz de gorro de lã passa ao seu lado. O que ele tem a dizer? Nunca vai saber. Talvez nunca mais o veja e, se o ver, provavelmente, não o reconhecerá.
Ligar para os amigos? Para as amigas? Para a lista de telefones do seu celular? Mas, quem são todas essas pessoas? Talvez conheça, realmente, cinco ou seis.
Do seu lado direito, o Masp. Do seu lado esquerdo, o Trianon. O vão, aquela área imensa vazia e eterna, ampliava sua solidão.
...
Solidão. Como uma mulher como ela poderia se sentir tão só? Uma mulher. Uma mulher? Uma confusão. As velhas questões humanas, repetidas e repetidas e repetidas por milhares de anos, repetiam-se também em sua mente. Quem era ela? O que ela queria? Por que se sentia tão só? Por que essa melancolia não passava?
Solidão. Tentava fugir dela. estava sempre cercada de gente. Às vezes esquecia. Mas era por pouco tempo. Ela se achava especial. Pensava que não era digna daquele sentimento.
Mas os livros pela mesa, a televisão sempre ligada, o rádio como companheiro, a necessidade do som a sua volta. Sons humanos. Carecia de humanos. Queria gente por perto. Mas quando a gente estava por perto, muitas vezes preferia ficar sozinha.
Só. Com seus pensamentos. Devaneios. Questionamentos. Desrespostas.
Decidiu sair. Caminhar. A avenida Paulista estava cheia de gente. Camelôs, shoppings de contrabandos, transeuntes. Tanta gente. Mas ela queria conhecer estas pessoas? Seriam interessantes? O que elas têm a dizer por mais de cinco minutos?
Será pretenciosa, arrogante e preconceituosa? A maioria das pessoas lhe parecia tão desinteressante e ao mesmo fascinante. Um sentimento dúbio de que todos têm algo a ser explorado, desvendado, mostrado. Mas por algumas horas ou minutos. Quem ela quer conhecer profundamente?
O rapaz de gorro de lã passa ao seu lado. O que ele tem a dizer? Nunca vai saber. Talvez nunca mais o veja e, se o ver, provavelmente, não o reconhecerá.
Ligar para os amigos? Para as amigas? Para a lista de telefones do seu celular? Mas, quem são todas essas pessoas? Talvez conheça, realmente, cinco ou seis.
Do seu lado direito, o Masp. Do seu lado esquerdo, o Trianon. O vão, aquela área imensa vazia e eterna, ampliava sua solidão.
...
Foi um rio que passou em minha vida
(Paulinho da Viola)
Se um dia meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração tem mania de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos ficou, ficou
Só um amor pode apagar
Porém (ai, porém)
Há um caso diferente que marcou num breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de carnaval
Carregava uma tristeza
Não pensava em outro amor
Quando alguém que não me lembro anunciou:
Portela! Portela!
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou
Ai, minha Portela, quando vi você passar
Senti o meu coração apressado
Todo o meu corpo tomado
Minha alegria voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu; nem era do mar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
(Paulinho da Viola)
Se um dia meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração tem mania de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos ficou, ficou
Só um amor pode apagar
Porém (ai, porém)
Há um caso diferente que marcou num breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de carnaval
Carregava uma tristeza
Não pensava em outro amor
Quando alguém que não me lembro anunciou:
Portela! Portela!
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou
Ai, minha Portela, quando vi você passar
Senti o meu coração apressado
Todo o meu corpo tomado
Minha alegria voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu; nem era do mar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
junho 04, 2007

Greed has poisoned men's souls; has barricaded the world with hate; has goose-stepped us into misery and bloodshed. We have developed speed, but we have shut ourselves in. Machinery that gives abundance has left us in want. Our knowledge as made us cynical; our cleverness, hard and unkind. We think too much and feel too little.
Charles Chaplin
Assinar:
Postagens (Atom)