outubro 24, 2004

Roda Mundo (2)

No passado, costumava reclamar que a minha vida era muito paradona.
O ano de 2004 chegou para dar um basta nisso.
Mas não precisava exagerar.
A cada mês minha vida dá uma reviravolta diferente.
Para não dizer a cada dia.

Mas não tenho saudade da calmaria.
Só tenho saudade do meu amor.

setembro 01, 2004

Momento auto-ajuda

O mundo dá voltas mesmo. Quando tudo parece dar errado, alguma coisa boa acontece.

agosto 17, 2004

Já pode chorar

Luar, espere um pouco
Que é pro meu samba poder chegar
Eu sei que o violão
Está fraco, está rouco
Mas a minha voz
Não cansou de chamar
Olê olê olê olá
Tem samba de sobra
Ninguém quer sambar
Não há mais quem cante
Nem há lugar mais lugar
O sol chegou antes
Do samba chegar
Quem passa nem liga
Já vai trabalhar
E você, minha amiga
Já pode chorar

julho 28, 2004

Lerê lerê

Retirantes
Dorival Caymmi

Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Eu quero morrer de noite, na tocaia a me matar
Eu quero morrer de açoite, se for negro a me deixar
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê
Meu amor eu vou me embora, nessa terra vou morrer
Um dia não vou mais ver, nunca mais eu vou viver
Vida de negro é dificil
É dificil como o quê

julho 18, 2004

Pedaço de mim
Hoje sou só saudade. Onde estiver, aonde quer que eu vá. Meu coração mora em Israel, mora no Rio de Janeiro, mora em São Paulo. E eu me divido entre todos. E parece que nunca estou completa.
 
Um pedaço de mim sempre estará em outro lugar.

julho 12, 2004

Paz
Estou lendo "O Novo Oriente Médio", livro que Shimon Peres escreveu em 1993, auge das negociações pela paz na região.

Hoje em dia, é impressionante ver o otimismo que ele tinha naquela época. Peres chegava a falar em um grupo semelhante à Comunidade Européia no Oriente Médio.

Israel mantinha então conversações avançadas com palestinos, sírios e jordanianos. Só foi firmado um acordo com os últimos, no fim das contas.

O livro, porém, é interessantíssimo. Peres prega que apenas a paz é capaz de levar segurança à região.

Os gastos militares no Oriente Médio são enormes. Por outro lado, os percentuais dos orçamentos destinados a educação e saúde são muito menores. Há países em que 80% da população é analfabeta.

A pobreza e a desesperança são caldos de cultura para o fanatismo. "Não há solução militar para ele", diz Peres.

Para o ex-ministro, somente desenvolvimento econômico e social é capaz de minimizar o fanatismo. E isso só ocorrerá em um ambiente pacífico, que permita trocas entre as nações do Oriente Médio e traga segurança para investidores externos.

O fanatismo é o maior perigo para a humanidade, alertava Peres há mais de 10 anos.

Imagine armas nucleares nas mãos de fanáticos religiosos, dispostos a tudo para conseguir suas 70 virgens no paraíso?

julho 05, 2004

Já que a vida quis assim
Adoro esta música.
Ela tem o otimismo de que preciso.

Eu não existo sem você
Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim


Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver

Não há você sem mim
E eu não existo sem você

junho 23, 2004

Roda mundo

No fim do ano passado, escrevi neste blog que certamente 2004 seria um ano muito diferente do que passou. Pois bem, nunca imaginei o quanto eu poderia ser profética.

Não foram apenas a cidade e o ambiente de trabalho que mudaram. Minha vida, minhas perspectivas, meus sonhos não são mais os mesmos. Sou outra.

Desde que cheguei em São Paulo os acontecimentos me atropelam. Vivo um redemoinho. Não há certezas sobre nada. Só posso dizer que nestes quase cinco meses fui mais feliz. Mas, até quando?
Mestre Vinícius

Soneto do amor total

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Além do amor

Se tu queres que eu não chore mais
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer, canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for

Deixa-me chorar assim
Porque eu te amo
Dói a vida
Tanto em mim
Porque eu te amo
Beija até o fim
As minhas lágrimas de dor
Porque eu te amo, além do amor!

maio 02, 2004

Rio, você foi feito pra mim?
O Rio de Janeiro continua lindo, não há dúvidas. Mas não é mais a minha casa.

Me dói um pouco fazer esta afirmativa. Na verdade, gostaria que ela não fosse verdadeira. Afinal, passei 24 anos da minha vida aqui e sempre fui apaixonada pela cidade.

É muito estranho ser visita em sua própria terra. Mais esquisito ainda é sentir-se uma turista. Tenho vontade de estar perto da praia como nunca tive antes de me mudar.

Não consigo ficar muito tempo longe do Rio. E me emociono cada vez que venho. Como a cidade é linda! Mas, agora, ela é apenas um lugar a ser visitado. Nos fins de semana.

Não conheço mais a rotina, a confusão, as guerras, o caos. Tenho olhos de turista. Vejo apenas a beleza do mar e do horizonte.

São Paulo agora é meu berço. É onde vive o meu amor. É onde tenho uma casa. É onde trabalho. É onde vou ficar.

Adeus.

abril 01, 2004

Como dizia o poeta
Toquinho - Vinicius de Moraes

Quem já passou por essa vida e não viveu,
Pode ser mais mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá pra quem se deu,
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não.

Não há mal pior do que a descrença,
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão.

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair.
Pra que somar se a gente pode dividir.
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer.

Ai de quem não rasga o coração,
Esse não vai ter perdão.
Quem nunca curtiu uma paixão,
Nunca vai ter nada, não.

fevereiro 28, 2004

Só em Sampa

Meu primeiro fim de semana em sozinha em São Paulo. Tristeza? Melancolia? Que nada. Estou achando até legal!

Não que eu goste de ficar só, mas estou aproveitando o tempo para fazer coisas que ainda não tinha feito. Por exemplo, entrar em um cyber café e escrever no meu blog.

Outra coisa: procurar cama. Sim, tenho que comprar uma cama. Várias dúvidas seríssimas. Colchão de mola ou de espuma? Cama de mandeira? Ou só um suporte? Nunca tinha imaginado que era difícil comprar uma cama.

Mais difícil do que isso mesmo é alugar um apartamento. Carpete azulão ou folhas secas? Contrato para 18 meses ou 24 meses? E multa? E o fiador? E o corretor? Quanta burocracia!!!! E quanta porcaria que eu vi!!!!

Mas, neste fim de semana, não quero pensar nisso. O objetivo agora é relaxar. Cinema, caminhadas, conhecer a cidade, procurar cama. É isso.

Ah! No próximo sábado, dia 6, tem show do Los Hermanos no Direct TV Hall. Alguém quer ir? Estão todos convidados.

janeiro 27, 2004

Desde que o samba é samba é assim
Sim, eu estou tão cansada.
Triste é viver na solidão.
Tristeza não tem fim, felicidade sim.

Há tempos não vou ao cinema.
Há tempos não leio um bom livro.
Há tempos não vivo.

Bandeira estava certo:

Desesperança
Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah, que penosa lassidão em cada músculo. . .

O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento
Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.

Assim deverá ser a natureza um dia,
Quando a vida acabar e, astro apagado,
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.

O demônio sutil das neuroses enterra
A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...

Minha respiração se faz como um gemido.
Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,
Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.

Por onde alongue o meu olhar de moribundo,
Tudo a meus olhos toma um doloroso aspeto:
E erro assim repelido e estrangeiro no mundo.

Vejo nele a feição fria de um desafeto.
Temo a monotonia e apreendo a mudança.
Sinto que a minha vida é sem fim, sem objeto...

- Ah, como dói viver quando falta a esperança!
Cinco
Começou a contagem regressiva.

dezembro 30, 2003

Fecha!
A bolsa nunca demorou tanto para fechar quanto hoje.
Não tem quase ninguém mais aqui e tudo que preciso é do Ibovespa de 30 de dezembro de 2003. Nestas horas queria adivinhar o futuro. Normalmente, não.
Alguma coisa acontece no meu coração

Desta vez não tenho dúvidas: o ano que vem vai ser muito diferente do que 2003. Melhor ou pior, não vai ser igual. Isto nunca esteve tão claro para mim em um Reveillon algum. Talvez quando passei no vestibular... Não. Naquela época eu era outra pessoa, não pensava nessas coisas.

Vou para uma cidade cinza e tenho medo de me acinzentar ainda mais. O azul do Rio me ajuda. Ao contrário do que dizem - que não se dá valor ao que se tem -, adoro o Rio. Talvez até demais.

Gosto das praias, de saber que a cidade não é tão grande assim: posso ir aonde quiser com facilidade. As pessoas são tão tranqüilas no Rio. Não posso negar que me identifico com esta calmaria. Sem falar em amigos, família...

Gosto de tanta coisa que não vou enumerar aqui. Acho que estou meio deprê com este clima de ano novo. Sempre fico.

dezembro 16, 2003

News

Ok, desta vez exagerei. Para falar a verdade, até eu pensei que tinha desistido. Mas não. Cá estou eu de volta.

E com algumas novidades.

A primeira. Depois de alguns meses sem férias e trabalhando horrores, não fui para a labuta na semana passada. Pensas que tive férias? Bem, mais ou menos. Aqui entra a segunda novidade.

A segunda. Usei estes dias para fazer a minha monografia. Pois é. Depois de dois anos de enrolação, finalmente pretendo me formar.

Tomei uma dose fortíssima de Getúlio Vargas. É que o ditador é o tema do meu trabalho. "Getúlio Vargas: Da Morte ao Mito". Hehehe, meio ridículo, né?

O fato é que eu gostei de escrever e pesquisar sobre este assunto. Não consigo fugir da história. É a minha paixão. Desde pequena sempre gostei de estudar o passado, não sei bem por quê.

E para quem não sabe, estou me formando em jornalismo. Usei como base da minha monografia o jornal "Diário Carioca", de agosto de 1954.

É muito maneiro. Depois, vou postar aqui alguns trechos do jornal, pedindo a renúncia de Vargas.

Recomendo o site do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, para quem gosta do tema. Há milhares de fotos no arquivo. E o que é melhor, disponíveis na internet.

Se descobrir como faz, depois coloco alguma aqui. Vale a visita.

agosto 18, 2003

Hum....
Nossa, há tanto tempo (de novo) que não escrevo aqui que acho que nem sei mais como fazer. Agora só escrevo sobre economia. É Bovespa para lá, dólar para cá. Descobri siglas que achava que nunca saberia o que significam. Ptax, IBX, IEE até Ebitda! Tem noção?

Mas chega disso, porque basta o trabalho. De repente poderia falar sobre o novo filme do Woody Allen, que foi muito criticado, mas eu gostei. Aliás, difícil para mim não gostar de alguma coisa dele. Tudo bem, não é uma Rosa Púrpura do Cairo (está longe, aliás). Gostei mais de Trapasseiros. Mas Dirigindo no Escuro também é muito engraçado e está bem acima da média das comédias que tenho visto.

Poderia falar sobre isso, mas acho que não tenho muito a acrescentar.

E, falando em comédia, vi uma (dramática) no Telecine muito boa. Creia, há vida inteligente no Telecine. É raro, mas há. É um filme com o Robert de Niro e o Jerry Lewis chamado "O Rei da Comédia". Excelente. Imperdível a cena em que a atriz principal (não sei o nome) "seduz" o Jerry Lewis amordaçado.

Mas não quero falar sobre isso também não...

julho 09, 2003

Tanto tempo...
Tanto tempo que eu não escrevia neste blog que nem tinha visto as mudanças de que todos reclamaram. Ainda não vi o resutado, mas já estou imaginando todos os meus acentos tranformados em símbolos ininteligíveis. A vida é esta. Depois começo uma caçada em busca da melhor forma de manter meus acentos em dia.

Tanto tempo que não escrevia neste blog que não sobrou nenhum leitor. Nos meus muito bem escondidos dados estatísticos (nunca divulgarei o que eles dizem), o número de visitas está reduzido a quase zero.

Tanto tempo para cativar leitores (até parece!) e tão pouco tempo para perdê-los. Mas tudo bem. Quem precisa deles. Eu me basto a mim mesma. E ponto final.

Tanto tempo sem escrever e eu agora paro para escrever tanta bobagem!

Deus (que não existe, né Cesar?)! Tanto tempo, para quê?

junho 18, 2003

Desculpe
Não tinha uma gripe há muito tempo. Tanto, que nem entendi quando ela chegou. Fui trabalhar na segunda e fiquei com aquela moleza e dor de cabeça típicas. Conclusão: fui mandada de volta para casa.

Isso é para dizer que não fui para a labuta na terça. E sabe do pior? Mesmo de cama, com febre e toda entupida, me senti culpada por não ter ido trabalhar!! Tem noção?

Ultimamente, tenho sentido culpa pelas coisas mais bobas, mas essa foi terrível. Afinal, mesmo que eu quisesse, não coseguiria apurar nem escrever matérias. Esse negócio de culpa é mesmo uma merda, diz uma amiga minha. Pois é. Para você ver, ninguém precisa de religião para sentir uma boa culpazinha.

Quer um pouquinho?