junho 23, 2004

Mestre Vinícius

Soneto do amor total

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Além do amor

Se tu queres que eu não chore mais
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer, canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for

Deixa-me chorar assim
Porque eu te amo
Dói a vida
Tanto em mim
Porque eu te amo
Beija até o fim
As minhas lágrimas de dor
Porque eu te amo, além do amor!

maio 02, 2004

Rio, você foi feito pra mim?
O Rio de Janeiro continua lindo, não há dúvidas. Mas não é mais a minha casa.

Me dói um pouco fazer esta afirmativa. Na verdade, gostaria que ela não fosse verdadeira. Afinal, passei 24 anos da minha vida aqui e sempre fui apaixonada pela cidade.

É muito estranho ser visita em sua própria terra. Mais esquisito ainda é sentir-se uma turista. Tenho vontade de estar perto da praia como nunca tive antes de me mudar.

Não consigo ficar muito tempo longe do Rio. E me emociono cada vez que venho. Como a cidade é linda! Mas, agora, ela é apenas um lugar a ser visitado. Nos fins de semana.

Não conheço mais a rotina, a confusão, as guerras, o caos. Tenho olhos de turista. Vejo apenas a beleza do mar e do horizonte.

São Paulo agora é meu berço. É onde vive o meu amor. É onde tenho uma casa. É onde trabalho. É onde vou ficar.

Adeus.

abril 01, 2004

Como dizia o poeta
Toquinho - Vinicius de Moraes

Quem já passou por essa vida e não viveu,
Pode ser mais mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá pra quem se deu,
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não.

Não há mal pior do que a descrença,
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão.

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair.
Pra que somar se a gente pode dividir.
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer.

Ai de quem não rasga o coração,
Esse não vai ter perdão.
Quem nunca curtiu uma paixão,
Nunca vai ter nada, não.

fevereiro 28, 2004

Só em Sampa

Meu primeiro fim de semana em sozinha em São Paulo. Tristeza? Melancolia? Que nada. Estou achando até legal!

Não que eu goste de ficar só, mas estou aproveitando o tempo para fazer coisas que ainda não tinha feito. Por exemplo, entrar em um cyber café e escrever no meu blog.

Outra coisa: procurar cama. Sim, tenho que comprar uma cama. Várias dúvidas seríssimas. Colchão de mola ou de espuma? Cama de mandeira? Ou só um suporte? Nunca tinha imaginado que era difícil comprar uma cama.

Mais difícil do que isso mesmo é alugar um apartamento. Carpete azulão ou folhas secas? Contrato para 18 meses ou 24 meses? E multa? E o fiador? E o corretor? Quanta burocracia!!!! E quanta porcaria que eu vi!!!!

Mas, neste fim de semana, não quero pensar nisso. O objetivo agora é relaxar. Cinema, caminhadas, conhecer a cidade, procurar cama. É isso.

Ah! No próximo sábado, dia 6, tem show do Los Hermanos no Direct TV Hall. Alguém quer ir? Estão todos convidados.

janeiro 27, 2004

Desde que o samba é samba é assim
Sim, eu estou tão cansada.
Triste é viver na solidão.
Tristeza não tem fim, felicidade sim.

Há tempos não vou ao cinema.
Há tempos não leio um bom livro.
Há tempos não vivo.

Bandeira estava certo:

Desesperança
Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah, que penosa lassidão em cada músculo. . .

O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento
Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.

Assim deverá ser a natureza um dia,
Quando a vida acabar e, astro apagado,
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.

O demônio sutil das neuroses enterra
A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...

Minha respiração se faz como um gemido.
Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,
Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.

Por onde alongue o meu olhar de moribundo,
Tudo a meus olhos toma um doloroso aspeto:
E erro assim repelido e estrangeiro no mundo.

Vejo nele a feição fria de um desafeto.
Temo a monotonia e apreendo a mudança.
Sinto que a minha vida é sem fim, sem objeto...

- Ah, como dói viver quando falta a esperança!
Cinco
Começou a contagem regressiva.

dezembro 30, 2003

Fecha!
A bolsa nunca demorou tanto para fechar quanto hoje.
Não tem quase ninguém mais aqui e tudo que preciso é do Ibovespa de 30 de dezembro de 2003. Nestas horas queria adivinhar o futuro. Normalmente, não.
Alguma coisa acontece no meu coração

Desta vez não tenho dúvidas: o ano que vem vai ser muito diferente do que 2003. Melhor ou pior, não vai ser igual. Isto nunca esteve tão claro para mim em um Reveillon algum. Talvez quando passei no vestibular... Não. Naquela época eu era outra pessoa, não pensava nessas coisas.

Vou para uma cidade cinza e tenho medo de me acinzentar ainda mais. O azul do Rio me ajuda. Ao contrário do que dizem - que não se dá valor ao que se tem -, adoro o Rio. Talvez até demais.

Gosto das praias, de saber que a cidade não é tão grande assim: posso ir aonde quiser com facilidade. As pessoas são tão tranqüilas no Rio. Não posso negar que me identifico com esta calmaria. Sem falar em amigos, família...

Gosto de tanta coisa que não vou enumerar aqui. Acho que estou meio deprê com este clima de ano novo. Sempre fico.

dezembro 16, 2003

News

Ok, desta vez exagerei. Para falar a verdade, até eu pensei que tinha desistido. Mas não. Cá estou eu de volta.

E com algumas novidades.

A primeira. Depois de alguns meses sem férias e trabalhando horrores, não fui para a labuta na semana passada. Pensas que tive férias? Bem, mais ou menos. Aqui entra a segunda novidade.

A segunda. Usei estes dias para fazer a minha monografia. Pois é. Depois de dois anos de enrolação, finalmente pretendo me formar.

Tomei uma dose fortíssima de Getúlio Vargas. É que o ditador é o tema do meu trabalho. "Getúlio Vargas: Da Morte ao Mito". Hehehe, meio ridículo, né?

O fato é que eu gostei de escrever e pesquisar sobre este assunto. Não consigo fugir da história. É a minha paixão. Desde pequena sempre gostei de estudar o passado, não sei bem por quê.

E para quem não sabe, estou me formando em jornalismo. Usei como base da minha monografia o jornal "Diário Carioca", de agosto de 1954.

É muito maneiro. Depois, vou postar aqui alguns trechos do jornal, pedindo a renúncia de Vargas.

Recomendo o site do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, para quem gosta do tema. Há milhares de fotos no arquivo. E o que é melhor, disponíveis na internet.

Se descobrir como faz, depois coloco alguma aqui. Vale a visita.

agosto 18, 2003

Hum....
Nossa, há tanto tempo (de novo) que não escrevo aqui que acho que nem sei mais como fazer. Agora só escrevo sobre economia. É Bovespa para lá, dólar para cá. Descobri siglas que achava que nunca saberia o que significam. Ptax, IBX, IEE até Ebitda! Tem noção?

Mas chega disso, porque basta o trabalho. De repente poderia falar sobre o novo filme do Woody Allen, que foi muito criticado, mas eu gostei. Aliás, difícil para mim não gostar de alguma coisa dele. Tudo bem, não é uma Rosa Púrpura do Cairo (está longe, aliás). Gostei mais de Trapasseiros. Mas Dirigindo no Escuro também é muito engraçado e está bem acima da média das comédias que tenho visto.

Poderia falar sobre isso, mas acho que não tenho muito a acrescentar.

E, falando em comédia, vi uma (dramática) no Telecine muito boa. Creia, há vida inteligente no Telecine. É raro, mas há. É um filme com o Robert de Niro e o Jerry Lewis chamado "O Rei da Comédia". Excelente. Imperdível a cena em que a atriz principal (não sei o nome) "seduz" o Jerry Lewis amordaçado.

Mas não quero falar sobre isso também não...

julho 09, 2003

Tanto tempo...
Tanto tempo que eu não escrevia neste blog que nem tinha visto as mudanças de que todos reclamaram. Ainda não vi o resutado, mas já estou imaginando todos os meus acentos tranformados em símbolos ininteligíveis. A vida é esta. Depois começo uma caçada em busca da melhor forma de manter meus acentos em dia.

Tanto tempo que não escrevia neste blog que não sobrou nenhum leitor. Nos meus muito bem escondidos dados estatísticos (nunca divulgarei o que eles dizem), o número de visitas está reduzido a quase zero.

Tanto tempo para cativar leitores (até parece!) e tão pouco tempo para perdê-los. Mas tudo bem. Quem precisa deles. Eu me basto a mim mesma. E ponto final.

Tanto tempo sem escrever e eu agora paro para escrever tanta bobagem!

Deus (que não existe, né Cesar?)! Tanto tempo, para quê?

junho 18, 2003

Desculpe
Não tinha uma gripe há muito tempo. Tanto, que nem entendi quando ela chegou. Fui trabalhar na segunda e fiquei com aquela moleza e dor de cabeça típicas. Conclusão: fui mandada de volta para casa.

Isso é para dizer que não fui para a labuta na terça. E sabe do pior? Mesmo de cama, com febre e toda entupida, me senti culpada por não ter ido trabalhar!! Tem noção?

Ultimamente, tenho sentido culpa pelas coisas mais bobas, mas essa foi terrível. Afinal, mesmo que eu quisesse, não coseguiria apurar nem escrever matérias. Esse negócio de culpa é mesmo uma merda, diz uma amiga minha. Pois é. Para você ver, ninguém precisa de religião para sentir uma boa culpazinha.

Quer um pouquinho?

maio 25, 2003

Creia
Alguém chegou a este blog procurando pelas seguintes palavras no google: filmes pornos pra min ver agora.

Sem comentários...

maio 24, 2003

Polyana
Economia tem fama de ser assunto chato. Para ser sincera, eu também tinha um pouco de desconfiança, mas estou chegando a uma conclusão diferente: aprender é sempre interessante.

Não que eu entenda de economia. Daqui a pouco - espero que não - posso começar a achar tudo um saco. Entretanto, o fato é que estou gostando de trabalhar em um site de economia. E o melhor é justamente estar começando (começando meeeesmo!!!) a entender um assunto sobre o qual eu não sabia quase nada.

maio 18, 2003

Freire no cinema
Falando em cinema, assisti recentemente a Nelson Freire, o último documentário de João Moreira Salles. Trata-se de outro filme que vale a pena ver. Mas é bom avisar, é um programa para quem gosta de música. O pianista-protagonista é muito tímido e, para compensar as poucas falas, Moreira Salles se concentrou nos concertos belíssimos de Freire.

É claro que há mais, além da música. Há momentos de modéstia (nada falsa) explícita, de emoção e até cenas engraçadas.

É também uma oportunidade de conhecer o maior pianista brasileiro vivo. No Brasil, onde a música clássica é tão desvalorizada, o documentário é uma forma de mostrar ao grande público o que ele está perdendo ao se afastar das salas de concerto. Além de ser uma justa homenagem a Nelson Freire.
P. T. Anderson + Adam Sandler
Deveria ser inconfessável, mas confesso: gosto do Adam Sandler. Para quem não sabe, é um ator/humorista americano, que faz filmes besteirol como O Paizão.

O primeiro filme dele que assisti (e até anteontem, o único) foi O cantor de casamento, uma comédia romântica bonitinha, que se passa nos distantes e estranhos anos 80. Fora isso, só o conhecia pelo Saturday Night Live.

Sandler tem cara e jeito de menino desprotegido, daqueles que a gente quer pegar no colo e consolar o tempo todo.

Se aproveitando deste jeitinho, o ator resolveu fazer um filme de gente grande. Trata-se de Embriagado de Amor, que entrou em cartaz nesta sexta-feira. A direção é de Paul Thomas Anderson, o mesmo de Boogie Nights e Magnólia.

No filme, Sandler interpreta um sujeito esquisitão que não consegue fazer nada direito. Não se trata de um personagem caricato de comédia pastelão, mas de um homem reprimido, ingênuo, que quer fazer as coisas certas, mas nunca sabe como. E que está sempre à beira de um ataque de nervos. Até que...

Vale a pena conferir. Mesmo se você não gosta de Adam Sandler. Afinal, até Jim Carrey conseguiu fazer bons filmes.

maio 15, 2003

Você votaria em um ateu?
Salman Rushdie é o escritor que ficou famoso depois de ser condenado à morte pelo governo muçulmano radical do Irã. Tudo porque escreveu um livro, Versos Satânicos, considerado uma blasfêmia contra o islamismo.

Rushdie, que vem ao Brasil para a Bienal, concedeu uma entrevista à Veja, publicada esta semana nas páginas amarelas. A entrevista está muito interessante. Chamou a minha atenção a opinião do escritor sobre religião.

Ele colocou uma questão sobre a qual não tinha pensado ainda. O preconceito contra quem não acredita em Deus. Afinal, por que não acreditar Nele torna alguém pior ou melhor?

Aí está um trecho do depoimento de Rushdie:

Na última eleição presidencial americana, um grande jornal realizou uma pesquisa perguntando em quais candidatos das chamadas minorias os eleitores aceitariam votar. As pessoas, em geral, disseram que não se oporiam a candidatos negros, a mulheres ou a homossexuais. Quando perguntaram se votariam num ateu, contudo, a situação mudou: mais de 50% disseram que não. Você é inelegível se duvidar da existência de Deus.

maio 07, 2003

Relatos de Pax
Lembra-se de Where is Raed?? É o blog que chamou a atenção no início da guerra por ser escrito em inglês, por um iraquiano que vive em sua terra natal.

O blog não era atualizado desde 24 de março, assustando muita gente. Estaria Salam Pax, autor do blog, ferido ou morto?

Se esta preocupação era sua também, pode ficar tranqüilo, ele está bem. O blog foi atualizado hoje (na verdade, Salam Pax conseguiu que alguém postasse, pois os sistemas de comunicação do Iraque ainda não estão normalizados), com relatos escritos durante o conflito.

Vale a pena ler. Mesmo se esta for apenas mais uma ficção internáutica. Quem sabe?

maio 06, 2003

Imperdível!
Está em cima da hora, mas não custa avisar.

Hoje, às 21h, tem concerto do Quarteto Bessler no Ibam.

O concerto é gratuito. O Ibam fica no Humaitá.

maio 03, 2003

Cabeleira
Desisto. Nos próximos dez anos, não corto o cabelo.

O Carlos, meu ex-cabelereiro, não estava acertando nas últimas vezes. Resolvi arriscar o da Cristina, afinal, o cabelo dela está lindo. Acho que o problema é comigo.

Bastou sair do salão, esperando o elevador, uma senhora me abordou:


-Você vê Mulheres Apaixonadas?

-Não.

-Você parece a Paulinha, da novela.

-Não sei quem é
, ri, sem graça.

-Não se preocupe, ela é bonita, sorriu a velhinha.

Algo me diz que devo me preocupar.

Não sei se pareço a tal Paulinha, mas estou desesperada!! Meu cabelo está parecendo com o da Rosinha Garotinho (Blerg! Blerg! Blerg!)!!!!!!! Pelo menos acho que está. Meu irmão e minha mãe garantem que é só imaginação fértil, porém não consigo deixar de sentir uma certa repulsa cada vez que me olho no espelho!!!!

Ainda bem que tenho minhas faixas a postos.